Maior espécie de raia no mundo é vista no litoral de SP e catalogada por especialistas

Com quase 6 metros de envergadura, fêmea surpreendeu equipe do Projeto Mantas do Brasil em Itanhaém, na Baixada Santista

Por: Nicole Leslie -
09/05/2026
Raia-manta encontrada no litoral de SP em abril foi batizada de Moana. Foto: Projeto Mantas do Brasil / Divulgação

A maior espécie de raia que existe no mundo foi vista em Itanhaém, litoral de São Paulo (SP), e surpreendeu da melhor forma especialistas do Projeto Mantas do Brasil, organização que atua na conservação desse animal há 15 anos. O agrado aconteceu ao final de abril e marcou o início da temporada de avistamento de raias-mantas na região.

A nova gigante dos mares catalogada pela equipe soma quase 6 metros de envergadura e foi batizada com o nome “Moana”. Ela deu de encontro com os especialistas do projeto que mergulhavam pelo Parcel Dom Pedro no último dia 20.

Moana, a raia-manta catalogada pelo Projeto Mantas do Brasil em abril de 2026. Foto: Instagram @mantasdobrasil / Reprodução

Paula Romano, coordenadora geral do Projeto Mantas do Brasil, disse, em comunicado, que a sensação de felicidade e de pertencimento em avistar uma raia-manta “no quintal de casa” é indescritível.

Quem sabe essa temporada vai prometer bastante para a gente– anseia ela


A assistente de pesquisa Luiza Gomes explicou que o objetivo da saída de campo foi justamente realizar uma busca ativa para encontrar raias-mantas. Entretanto, só não esperavam que a missão fosse cumprida já no primeiro mergulho.

Assim que a gente caiu [na água], demos de cara com ela: uma fêmea da espécie Mobula birostris. Muito gratificante– complementou

Moana, a raia, foi encontrada sem a cauda. Além disso, ela também não tem ferrão — mas isso é uma característica da espécie. O projeto, que tem como uma das frentes a divulgação científica em linguagem acessível, explicou pelas redes sociais essa condição.

Raia-manta (não a Moana). Foto: Instagram @mantasdobrasil / Reprodução

Raia-manta não tem ferrão

Maior espécie de raia no mundo, a raia-manta não possui veneno e nem ferrão. O Projeto Mantas do Brasil explica que os únicos mecanismos de defesa desse animal são o tamanho, que intimida predadores, e a velocidade.

Foto: Instagram @mantasdobrasil / Reprodução

Além da ausência de ferrão, outra curiosidade é a presença de uma massa calcificada na base da cauda — uma estrutura mais rígida. Isso sugere que, em algum momento da evolução, esse animal tenha tido ferrão, mas por algum motivo o perdeu com o tempo. Sendo assim, a verdade é que as raias-mantas são inofensivas para os humanos, desde que não se sintam ameaçadas.

Raias-mantas: sua foto pode colaborar com a ciência

O Projeto Mantas do Brasil recebe registros de mergulhadores que tiveram a sorte e o privilégio de se deparar com um desses animais no litoral brasileiro. Essas imagens com detalhes do avistamento podem ajudar no monitoramento e na proteção dessa espécie gigante e gentil.

Foto: Instagram @mantasdobrasil / Reprodução

O que você precisa saber

Para contribuir com informações, basta enviar as imagens com dados do avistamento, que a equipe receberá o conteúdo de bom grado. Para o contexto, entram dados como data e horário do avistamento; localização ou ponto de referência; condições do mar e clima; comportamento observado; e marcas, lesões ou parasitas visíveis na raia.

Foto: Instagram @mantasdobrasil / Reprodução

Como identificar o sexo da raia-manta

Também é possível identificar o sexo da raia manta de forma descomplicada. Enquanto as fêmeas possuem a região próxima à cauda sem protuberâncias, os machos têm estruturas reprodutivas visíveis próximas à nadadeira pélvica (os chamados clásperes), que apresentam formato de “W”. Essa informação é igualmente importante no contexto do avistamento.

Foto: Instagram @mantasdobrasil / Reprodução

“Impressão digital” da raia-manta fica na barriga

Outra orientação do Projeto Mantas do Brasil é registrar o animal de baixo para cima, da forma mais nítida possível e com a região ventral (a “barriga”) bem enquadrada. Isso porque é justamente ali que a raia-manta carrega um padrão de manchas único, que serve como sua impressão digital.

Foto: Instagram @mantasdobrasil / Reprodução

Dessa forma, a equipe pode conseguir identificar se a raia-manta já foi catalogada ou mover ações para registrá-la oficialmente. Ou seja, esses registros ajudam a monitorar a trajetória dos animais e auxiliam a equipe a entender as melhores formas de protegê-los.

 

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