Teste Victory 348 Ride: vocação oceânica, prazer nos passeios
Com casco para mar aberto, autonomia acima da média e proposta voltada aos passeios, a lancha tem desempenho empolgante e transforma cada saída em uma experiência completa na água


Em atividade desde 2007, o estaleiro paranaense Victory Yachts é reconhecido pela fabricação de lanchas originalmente voltadas à pesca esportiva, mas que vão muito além dessa vocação. A Victory 348 é um retrato claro dessa proposta. Multiuso, o modelo é oferecido em três versões — Ride, Sport e Open Sea. O mesmo casco, com opções variadas de arranjo interno e de potência dos motores (de 2 x 250 a 2 x 400 hp cada), sempre de popa e à gasolina.
A Open Sea é puramente dedicada à pesca oceânica. Na configuração Ride, o barco preserva integralmente o casco, a qualidade da construção e o comportamento marinheiro da versão de pesca, mas adota um arranjo pensado para convivência, descanso e atividades recreativas. Essa característica amplia o leque de possibilidades a bordo, permitindo desde passeios diurnos — função comum em lanchas desse tipo —, além de eventuais pescas costeiras. O conceito — alinhado a uma tendência crescente no mercado americano — é de um barco de console central versátil, capaz de cumprir com eficiência tanto o lazer como a navegação de maior alcance.
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Áreas sociais bem divididas
O projeto privilegia claramente os espaços externos. São três áreas sociais bem definidas — proa, popa e posto de comando — que favorecem a convivência tanto com o barco ancorado como em navegação. Como a motorização é de popa, o espaço na plataforma é reduzido; ainda assim, dá para circular com certa desenvoltura.
Na praça de popa, com cerca de 5m² de área livre (3,30 m x 1,50 m) os bancos têm configuração modular e inteligente, com encostos que podem ficar voltados para o mar ou para o cockpit. Também podem ser reorganizados para criar um espaço funcional para mergulhos e pesca submarina — os mergulhadores conseguem sentar-se com as nadadeiras apoiadas na popa e acessar a água com facilidade.




Para quem chega a bordo com os pés sujos de areia, por exemplo, ou para ligar o convés após uma pescaria, há um chuveirinho de água salgada, com uma longa mangueira e espiral. A bancada de apoio — localizada atrás do posto de comando — reforça o caráter recreativo, com pia, caixas térmicas, gavetas, lixeira e opção de módulo gourmet. Opcionalmente, é possível instalar um toldo e sombrear toda essa área, já que o barco vem preparado com trilho sobre o hard-top.
As amuradas largas (e com vários porta-copos e alguns porta-varas distribuídos sobre ela) acabam funcionando também como assentos informais, ampliando as possibilidades de acomodação e de convivência a bordo, quando o barco estiver parado.


Vale ressaltar que todo espaço nas amuradas é aproveitável. Tem lugar até para um arpão, caso se queira praticar pesca sub. Isso tudo sem que se perca espaço para circulação, outro ponto forte dessa lancha, já que é possível cruzar o posto de comando, pelos dois bordos, entre a popa e a proa, sem nenhum aperto — pelo contrário, já que os corredores laterais são amplos e bem dimensionados, mesmo com o barco em movimento. Já na proa, com sofá em “U” para até seis pessoas — além dos do solário e do banco que fica à frente do posto de comando —, há uma caixa térmica em um dos bordos, uma mesa central, quatro tomadas USB, dois chuveirinhos (um de água doce, outro de salgada) e, claro, pegadores de mão, todos firmes e bem posicionados.
Bordas largas e áreas antiderrapantes reforçam a segurança em navegação. Esse espaço também pode ser usado de forma mais utilitária, seja para pesca eventual ou como plataforma de apoio para mergulho, já que a proa é bem larga.


Comando prazeroso
A Victory 348 Ride permite que três pessoas se acomodem no posto de comando, lado a lado, todos com assentos individuais, com apoios para os braços e para os pés, e possibilidade de pilotagem sentado ou em pé. O painel, amplo e bem organizado, tem duas telas de 12 polegadas cada para os eletrônicos de navegação.
A leitura dos instrumentos é frontal e ergonômica. O para-brisa protege bem contra os respingos de água durante a navegação. Por sua vez, o hard-top tem estrutura sólida (nada balança), suportada por colunas de aço inoxidável. Nessa capota há uma gaiuta, que quando aberta, nos dias mais quentes, atua quase como um aparelho de ar-condicionado sobre o piloto. Para quem gosta de pilotar, eis um posto de comando prazeroso — um dos pontos altos do conjunto.




Maior do que parece
É claro que uma lancha de console central não pode oferecer a mesma cabine de uma embarcação convencional do mesmo tamanho. Ainda assim, o camarote da Victory 348 Ride não faz feio, cumprindo bem sua função dentro da sua categoria.
Com 1,87 m de altura na entrada, conta com uma cama de casal de boas dimensões na proa e acabamento simples, mas bom para o propósito do barco. O banheiro tem pé-direito de 1,82 m, elevado para a maioria dos brasileiros, permitindo uso relativamente confortável, além de contar com ducha higiênica, vaso sanitário com um tampo para banho sentado, pia e lixeira com um armário pequeno, espelho, porta-toalhas e vigia para ventilação natural.


O acesso à cabine é feito por meio de uma porta de acrílico de correr, bem dimensionada. O único porém é que falta uma trava de segurança, para evitar que a porta se movimente quando o barco pega uma marola. No porão, onde fica e o banco de baterias estacionárias, o que se vê é o mesmo capricho, a aplicação de gelcoat com o mesmo brilho que se vê na parte mais visível do casco. E ainda sobra espaço para um estabilizador e para um gerador, pacote opcional oferecido pelo estaleiro.




Como ela navega
Levamos a Victory 348 Ride para o Canal de Bertioga (e em seguida para mar aberto), no litoral de São Paulo, em um dia de mar calmo e ventos de 10 nós. A bordo quatro pessoas, 600 litros de gasolina e 140 de água. Estava equipada com dois motores de popa de 300 hp cada, conjunto que se mostrou plenamente adequado ao porte e à proposta da lancha.
Sem dúvida, trata-se de uma das lanchas mais bem acertadas desse porte já testadas por NÁUTICA. Ao contrário do que ocorre em muitas lanchas de passeio, não há necessidade de ajustes constantes de trim ou dos flapes. A lancha entra em planeio rápido e responde com docilidade ao timão. Acima da média, o acerto entre casco, centro de gravidade e motorização é um dos pontos altos do projeto.


Os dois motores de popa de 300 hp entregam desempenho mais do que suficiente para a proposta da lancha. Na aceleração, da marcha lenta aos 20 nós, um bom número: cerca de 7,5 segundos, tempo típico de embarcações menores. Mas o grande trunfo está na autonomia. A cerca de 3.500 rpm, a lancha navega na casa dos 25,6 nós, podendo atingir, com mar calmo e ventos fracos, 333 milhas náuticas — mais de 50% acima da média do segmento, que gira em torno de 200 milhas. Tranquilamente, é possível encher o tanque no Rio de Janeiro e navegar até Santos sem escala, o que é excelente!



Em resumo, a Victory 348 Ride se posiciona como uma lancha de passeio atípica: menos focada em cabine ampla e mais orientada à navegação, à segurança e ao uso intenso das áreas externas. Em troca, entrega um conjunto equilibrado, com autonomia rara, robustez estrutural e comportamento dinâmico exemplar. É uma escolha interessante para quem valoriza passeios seguros e a tranquilidade de contar com um casco oceânico — pensado para o litoral brasileiro e suas condições nem sempre calmas.
Saiba tudo sobre a Victory 348 Ride
- Velocidade máxima: 44 nós (a 5 500 rpm);
- Cruzeiro econômico: 25,6 nós (a 3 500 rpm);
- Aceleração: 7,5 segundos (até 20 nós);
- Autonomia: 333 milhas (a 3 500 rpm);
- Potência: 2 x popa 300 hp cada;
- Preço: a partir de R$ 1,43 milhão, com dois motores de popa de 300 hp cada.
Pontos altos
- Casco robusto e com construção insubmersível;
- Navegação estável e confortável;
- Autonomia muito acima da média.
Pontos baixos
- Falta trava na porta da cabine;
- Alguns puxadores de tampas do piso difíceis de manusear;
- Falta armário maior no banheiro.
Características técnicas
- Comprimento máximo: 10,84 metros;
- Boca máxima: 3,32 m;
- Calado: 60 cm;
- Tanque de combustível: 1.100 litros;
- Tanque de água: 140 litros;
- Capacidade (dia): 16 pessoas;
- Capacidade (noite): 2 pessoas;
- Ângulo de V na popa: 19°;
- Altura da cabine: 1,87 m;
- Peso sem motor: 3.000 kg;
- Motorização: popa;
- Potência: 2 x 250, 300 ou 400 hp.


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