Relembre como foi a comemoração de 50 anos da Semana de Vela de Ilhabela

Com homenagens, disputas e atrações encantadoras, evento náutico contou com grandes nomes do mundo náutico

21/12/2023
Foto: Matias Capizzano/ Divulgação

Em 2023, a Semana de Vela de Ilhabela chegou aos 50 anos em uma edição especial, que contou com uma homenagem ao velejador Eduardo Souza Ramos. Nesta quinta-feira, o portal NÁUTICA aproveita o clima de #TBT para relembrar esse aniversário tão especial.

A 50ª SIVI aconteceu entre os dias 23 e 29 de julho. Comandante da Mitsubishi Motors, Eduardo participou do evento pela primeira vez em 1973, é dono de 11 títulos, além de ser patrocinador, incentivador e apaixonado pelo esporte. Em sua homenagem, a primeira das 10 regatas disputadas dentro do Canal de São Sebastião recebeu o nome do empresário e velejador.

Eduardo Souza Ramos, ex-velejador olímpico. Foto: Flávio Perez | On Board Sports / Divulgação

Outra homenagem foi a grande parceira da competição, batizada de Regata Mitsubishi. Tributo mais que merecido. A história do velejador, atleta olímpico, empresário e comandante de alguns dos veleiros mais regateiros do país é a própria história da Semana de Vela de Ilhabela.

Fazer uma homenagem como esta, colocando o nome de uma pessoa ainda viva, é algo muito raro. Então, me sinto muito honrado– Eduardo Souza Ramos

O evento foi realizado pelo Yacht Club Ilhabela. Com a Prefeitura da cidade como parceira histórica, a competição é o maior encontro da modalidade na América do Sul.

Sucesso nos negócios e nos esportes

Filho e neto de apaixonados pelo mar e pelos barcos, Souza Ramos entrou para o mundo das regatas aos 9 anos, quando ganhou um Optimist. E nunca mais parou de competir. São 70 anos de vela, com um currículo invejável — e incríveis 50 da Semana de Vela de Ilhabela.

 

Destaca-se a participação em duas edições dos Jogos Olímpicos (Moscou 1980 e Los Angeles 1984, quando, inclusive, teve a honra de carregar a bandeira brasileira na abertura da Olimpíada), além da conquista de três títulos internacionais nas classes Soling e Star.

Fotos: ClubSwan Racing | Studio Borlenghi / Divulgação

Mas já em 1973, quatro anos depois de Carlos Cyrillo (dono do primeiro hotel de Ilhabela) e Mario Volcoff terem organizado a primeira edição da Semana de Vela, então apenas com monotipos, ele já estava na disputa, a bordo de um barco da classe Snipe.

 

Assim, ele nunca mais abandonou a Semana de Ilhabela, especialmente quando os veleiros de Oceano entraram na raia, passando a ser os protagonistas. Conciliando o sucesso nos negócios com as vitórias nos esportes, Souza Ramos decidiu energizar com patrocínio de sua marca ao evento.

Flotilha. Foto: Matias Capizzano / Divulgação

Com investimento da Mitsubishi Motors, os barcos ganharam novos equipamentos e estrutura, que resultou numa disputa de vela invejável para qualquer esporte, e ainda mais competitivo — que acabou por refletir na própria evolução da vela oceânica brasileira.

Mais do que vencer, meu interesse, como incentivador e patrocinador, era tornar o esporte que eu tanto gosto cada vez melhor- Eduardo Souza Ramos

Sempre crescente, a Semana tornou-se internacional e chegou a reunir na mesma raia nada menos que 200 barcos e 1600 velejadores. Neste ano, comemorando jubileu de ouro, a competição teve 132 barcos inscritos (incluindo dez vindos da Argentina), divididos entre oito classes.

Disputa alucinante na Semana de Ilhabela

Disputada no domingo, dia 23 de julho, a prova nomeada de “100 anos Atrevida Alcatrazes por Boreste”, a longuíssima prova teve como Fita-Azul o veleiro Crioula 52, de Eduardo Plass e do atleta olímpico Samuel Albrecht, com quase 11 horas de percurso.

Phoenix. Foto: Matias Capizzano / Divulgação

Em seguida chegaram o argentino Sandokan, de Carlos B. Costa, e o Phoenix 44, antigo barco de Eduardo Souza Ramos, agora comandado por Mauro Dottori, diretor de vela do iate clube, e por Fábio Cotrim, com uma tribulação recheada de atletas olímpicos, como Jorge Zarif e André Fonseca Bochecha.

 

Enquanto na água os veleiros davam um grande espetáculo, em terra, antes e depois das regatas, os velejadores estavam em cada esquina, especialmente no centro da ilha. Por lá, foi erguida mais uma vez a tradicional Race Village, com telões, shows musicais, ciclos de palestras e mais entretenimento.

Experiências em Ilhabela

Destaque para o estande da Mitsubishi Motors, em que os visitantes, além de conhecerem os detalhes do Eclipse Cross, que estava ali exposto, podiam viver uma experiência de realidade virtual. Na praça ao lado, toda a sua linha de veículos estava disponível para test-drive.

Foto: Marco Mendéz/ Sail Station/ Divulgação

Além disso, a marca dos três diamantes apresentou a nova unidade do Eclipse Cross — SUV compacto de alta tecnologia que foi colocado no meio do canal entre Ilhabela e São Sebastião para marcar a linha de largada dos barcos durante a regata de abertura.

O mais popular

Definitivamente, a competição rompeu os limites do Yacht Club. Nunca se viu, no Brasil, uma integração tão grande entre uma cidade com os velejadores. Para participar desta festa, que acontece todo ano no mês de julho, basta ter um veleiro a partir de 21 pés.

Foto: Matias Capizzano/ YCI/ Divulgação

O barato de fazer a inscrição é poder contar para todo mundo, depois, que você estava lá, dividindo a raia com campeões olímpicos. O que significa que a competição continuará bombando por longo tempo. Não deixar os competidores amadores de fora é um dos segredos do sucesso da Semana de Vela.

 

Mais do que pela quantidade de participantes, a competição se destaca pela competitividade dos barcos e pela qualidade técnica dos velejadores. São, predominantemente, veleiros de alta performance, como o Crioula, um TP52, e o Phoenix 44, um Botin 44.

 

Duas tripulações participantes eram exclusivamente femininas: a do veleiro Bossa Nova, comandado por Valéria Ravani, na classe Bico de Proa–A; e a do Asbar II, da capitã Isabela Malpighi, na RGS–B, o que garantiu um charme a mais para a competição.

Equipe 100% feminina do Velas Sailing Team. Foto: Instagram @velas_sailing_team / Divulgação

Antes disso, com patrocínio da Mitsubishi Motors, o Yacht Club de Ilhabela promoveu com um grupo de velejadoras e ativistas de causas ambientais um painel de ESG. Participaram do encontro Andrea Grael, Mia Morete, Isabela Malpighi, Valéria Ravani, Denise Rangel e Danny Lisboa.

A vela feminina está crescendo e tudo tem conexão, mulheres no esporte e meio ambiente. Vejo que todos estão fazendo alguma coisa para o mar– Andrea Grael

Em 2023, foram tomadas medidas como o descarte de lixo orgânico em sacos biodegradáveis, redução do uso de papel e de plástico, eliminação de canudos não-orgânicos e limpeza e conservação do mar.

Ainda dentro da agenda positiva, o Yacht Club Ilhabela abriu a Semana de Vela com a realização da regata Vela do Amanhã, ação social que reuniu 160 crianças, de 15 projetos de ensino de vela em São Paulo e no Rio de Janeiro, e que teve o Crioula 52 como Fita-Azul.

O que mais vale, e para mim não tem preço, é ver o sorriso das crianças quando vai a bordo. Tudo isso vai marcar a vida deles. Temos uma grande equipe que proporcionou isso– Mauro Dottori, diretor de vela do Yacht Club Ilhabela

Durante a Regata 100 anos — Atrevida por Boreste, alguns competidores, como o S40 Phytoervas, foram acompanhados por grupos de golfinhos — e não faltou quem testemunhasse a exibição das baleias-jubartes, que chegam bem próximos da costa — varias entrando até o Canal de São Sebastião.

Foto: Acervo/Sectur / Divulgação

Semana de Ilhabela: 50 anos de maravilhas

A Semana de Vela ocorre em um dos lugares mais bonitos do Brasil e cheios de atrações na linha da natureza, com praias, matas, cachoeiras, muitos pássaros e uma enorme reserva de mata atlântica. Fácil, fácil, está entre os melhores lugares do país para se conhecer antes de morrer.

Praia de Castelhanos, em Ilhabela. Foto: Paulo Stefani – Sectur Ilhabela

Sediar a Semana Internacional de Vela, que em 2023 comemorou 50 anos, foi apenas mais um componente no extenso rol de atrações da ilha. Mas, para quem respira o esporte, como Souza Ramos e os mais de 1.300 velejadores que competiram este ano, um ingrediente faz toda diferença.

 

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