Última etapa da The Ocean Race tem colisão entre veleiros; assista
As duas embarcações envolvidas sofreram danos e uma delas tenta voltar à competição


Dois veleiros se envolveram em uma colisão na The Ocean Race, na largada da etapa final da regata de volta ao mundo. Cerca de 15 minutos após o início da perna 7, em Haia, na Holanda, o barco 11th Hour Racing Team foi atingido pelo veleiro GUYOT environnement – Team Europe, em um acidente que raramente se vê em competições deste tipo.
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Apesar do estrago causado em ambos os barcos, ninguém saiu ferido.


O GUYOT assumiu a responsabilidade pelo acidente e abandonou a etapa. “O barco deles apareceu na minha frente e era tarde demais”, admitiu o capitão do GUYOT, Benjamin Dutreux. “Foi impossível evitar o contato (depois que os vi). Assumo toda a responsabilidade. A culpa é nossa, com certeza”, completou ele.
O 11th Hour Racing Team, por sua vez, tenta voltar à competição em que estava na liderança, antes da colisão.
Acidentes acontecem e eu sei que eles não gostariam de terminar nossa corrida, assim como nós não gostaríamos de terminar a corrida deles. Teremos que ver o que acontece a seguir. Definitivamente, não está acabado até que termine. – Charlie Enright, capitão da 11th Hour Racing Team
Assista, abaixo, ao momento da colisão.
At the start of the Leg 7, @11thHourTeam was forced to suspend racing after suffering extensive damage after being hit by #GUYOTTeamEurope
Watch the first reactions as the skippers stepped back on the dock and started to assess the damage sustained to their boats.#TheOceanRace pic.twitter.com/eHNcuDuG6u
— The Ocean Race (@theoceanrace) June 15, 2023
Como aconteceu a colisão na The Ocean Race
No momento da colisão, a 11th Hour havia dobrado no layline para a próxima marca de virada, ficando com o “direito de passagem”.
A tripulação do GUYOT, obrigada a ceder nesta situação, aparentemente não viu o outro barco, o que resultou no choque. Com danos em ambas as embarcações, as duas precisaram voltar ao porto. O vídeo abaixo mostra a câmera do 11th Hour no momento da colisão na The Ocean Race.
Incredible and scary footage captured by fixed cameras on board 11th Hour Racing Team… The most important information is that no one was hurt, everyone is safe.#TheOceanRace pic.twitter.com/2rXpfq0fAr
— The Ocean Race (@theoceanrace) June 16, 2023
De acordo com informações divulgadas pela The Ocean Race nesta sexta-feira (16), a equipe 11th Hour Racing Team está no cais de Haia, na Holanda, “trabalhando para determinar a extensão dos danos, iniciar os reparos e avaliar suas opções para um retorno”.
A equipe retirou-se oficialmente da perna 7 da competição e entrou com um Pedido de Reparação. Desistir da etapa e entrar com o pedido dá à equipe a melhor chance, dentro das regras do evento, de garantir os pontos necessários para vencer a corrida geral.
Em comunicado, a equipe diz que “enviou um pedido de reparação ao júri internacional. Este é um procedimento sob as Regras de Regata à Vela para compensar um barco quando ‘a pontuação ou posição de um barco em uma regata ou série foi ou pode ser, sem culpa própria, piorada significativamente’.”


Conheça o percurso da The Ocean Race
Considerada a maior regata transoceânica do mundo, a The Ocean Race teve sua largada no em 15 de janeiro, na cidade espanhola de Alicante. A competição de volta ao mundo na vela teve, inclusive, uma parada no Brasil, em Itajaí, cidade catarinense que é referência náutica no Brasil.
As paradas foram realizadas nessa sequência: Cidade do Cabo (África), Itajaí, New Port (EUA), Aarhus (Dinamarca) e Haia (Holanda). Os velejadores seguem para Genova (Itália), local da grande final, prevista para 25 de junho.
Para conferir mais informações acerca das paradas e de todo o evento, acesse o site oficial da The Ocean Race.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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