Maior navio elétrico do mundo está próximo de operar na América do Sul

11/03/2026

Anunciado em maio de 2025, o China Zorrilla, considerado o maior navio elétrico do mundo, deve entrar em operação ainda no primeiro semestre de 2026. A serviço da operadora de balsa sul-americana Buquebus, a proposta é que a embarcação atue na América do Sul ligando Buenos Aires, na Argentina, a Colonia del Sacramento, no Uruguai, até maio deste ano.

Conforme apuração da Forbes, o ferry, construído pela australiana Incat, sairá do estaleiro na Tasmânia — sede da empresa e onde foi produzido — , entre 15 e 25 de março. Espera-se que a viagem até a América do Sul leve entre 30 e 32 dias, logo, a previsão é de que o barco chegue ao Rio da Prata, no Uruguai, até o fim de abril, para que pouco tempo depois já comece a operar.

China Zorrilla durante fase de testes. Foto: Incat/ Divulgação

Dona de incríveis 462 pés (140 metros) de comprimento, a embarcação encerrou com êxito a fase de ensaios há apenas duas semanas, após dois meses e meio de testes intensivos, como descreveu Pablo Francisco López, gerente da Buquebus Colonia, à Forbes.

Não é liberado se não estiver 100% perfeito– explicou López ao veículo

Como era de se imaginar, uma obra desse tamanho não passaria ilesa aos cofres. Ao todo, o investimento para que o China Zorrilla chegasse a esse estágio girou em torno de US$ 200 milhões (aproximadamente R$ 1,05 bilhão em valores convertidos em março de 2026).

O que falta para o China Zorrilla entrar em ação?

Trazer um barco como esse para águas latinas não é tão simples, principalmente por conta do seu tamanho. Para realizar essa tarefa, foi contratado um navio especializado em heavy lift, uma categoria de barcos de transporte pesado capaz de mover estruturas desse porte, dos quais existem menos de 10 unidades no mundo. O frete custou em torno de US$ 6 mil (cerca de R$ 31 mil).

Foto: Incat/ Divulgação

Assim que chegar ao seu destino, no Rio da Prata, e ser liberado para atuar nas águas, a embarcação ainda passará por um processo que deve durar cerca de seis dias para que a operação, de fato, comece. Embora nesse estágio o Zorrilla já seja considerado tecnicamente funcional, ele precisará ser carregado de mercadorias, a exemplo do alto volume itens de free shop e cafeterias.

 

Além do barco em si, a infraestrutura para recebê-lo está praticamente concluída. Os capitães que comandarão o ferry, inclusive, já passam por treinamento. Caso o cronograma seja cumprido, o maior navio elétrico do mundo poderá começar a operar no eixo Buenos Aires-Colonia nos primeiros dias de maio de 2026.

O futuro é elétrico

O barco foi nomeado em homenagem à atriz uruguaia China Zorrilla (1922-2014), que desenvolveu carreira no teatro e no cinema tanto na Argentina, quanto no Uruguai, atuando como representante da cultura rioplatense. À altura desse legado cultural, a embarcação que leva seu nome não impressiona apenas pelo simbolismo, mas também pela engenharia.

Robert Clifford, presidente da Incat, durante o primeiro teste do China Zorrilla. Foto: Incat/ Divulgação

Não bastasse ser o maior navio elétrico do mundo, o China Zorrilla vem para quebrar mais recordes: ter o maior espaço para compras entre todas as balsas do mundo, com 2,3 mil metros quadrados — ao todo, serão 3 mil metros quadrados de lazer. Ele também será responsável por transportar até 2.100 passageiros e 225 veículos.

 

A singularidade técnica do projeto ficou perceptível nos rígidos testes comandados pela Buquebus. Uma das particularidades está na parte da motorização, que não corresponde ao padrão e utiliza o sistema de armazenamento de energia especialmente projetado para otimizar o desempenho em condições de frio.

Foto: Incat/ Divulgação

Adaptado especialmente para o Rio da Plata, a perda de densidade energética do Zorrilla foi reduzida de 30% para apenas 2% em temperaturas abaixo dos 7 ºC. Além disso, o ferry possui um calado de apenas 2,75 metros e pode navegar tranquilamente mesmo em águas rasas.

Nos planos iniciais do estaleiro, o navio deveria ser movido a gás natural liquefeito (também conhecido em sigla como GNL). Porém, uma mudança de rumo durante sua construção o fez partir para as baterias elétricas — 250 toneladas delas, para ser mais exato.

Foto: Incat/ Divulgação

Ao todo, as baterias do maior navio elétrico do mundo podem armazenar um total de 40 megawatts-hora (MWh) de energia. Para ter uma noção, tal quantidade equivale a 487 carros elétricos da Tesla, além de ser “quatro vezes maior do que qualquer instalação marítima anterior no mundo”, segundo comunicado da fabricante na época do lançamento.

 

Por sua vez, a energia das baterias alimentará um esquadrão de oitos jatos d’água, o que se imagina ser o bastante para impulsionar o barco a 46 km/h. A distância máxima que o China Zorrilla pode percorrer com uma única carga é de 185 km (115 milhas) — mais do que o suficiente para o serviço.

 

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