Missão cumprida: tripulação de NÁUTICA completa travessia de catamarã da África ao Brasil
Depois de mais de um mês em alto-mar e 4.453 milhas náuticas percorridas, a tripulação do catamarã de “Uma Aventura no Atlântico” chegou, enfim, ao seu destino, na catarinense Itajaí. Você pode conferir o trecho final dessa emocionante jornada no último episódio da série, que estreia nesta quinta-feira (23), no Canal Náutica.
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Antes, os fãs da série poderão acompanhar os quatro viajantes em uma live especial no Instagram @revistanautica. A tripulação de Náutica irá responder perguntas dos espectadores e contar mais sobre os bastidores da saga a partir das 19h30.
Durante toda viagem, os tripulantes Guilherme Kodja, Murilo Novaes, Lúcio Júnior e Fábio Borges puderam vivenciar momentos de contemplação da natureza, inclusive avistando baleias jubarte e uma espécie rara de golfinho.

Uma Aventura no Atlântico: missão cumprida
No último episódio da série “Uma Aventura no Atlântico”, o comandante Guilherme Kodja explica o percurso final da viagem, que proporcionou a ele e sua tripulação muitos momentos marcantes pela vastidão do oceano Atlântico, dentro de um Leopard 46 Powercat.
A chegada da fase final oceânica deu início à fase costeira até Itajaí — o destino final. Neste percurso, a tripulação do catamarã se deparou com algumas surpresas.
Por mais de uma vez, atravessaram o mesmo resquício de uma frente fria que havia passado há alguns dias pelas regiões sul e sudeste do Brasil. Segundo o meteorologista Giovanni Dolif, responsável por dar suporte à tripulação, isso acontece devido a um fenômeno raro. E as surpresas não pararam por aí!


Ao encostarem por Cabo Frio, para tomar a proa de Itajaí após mais de 25 dias navegando, o catamarã se encontrou em meio a um exercício militar da Marinha do Brasil e da Marinha dos Estados Unidos, com vários navios e até aviões.


Além disso, o último episódio da série mostra que a passagem pelo Arquipélago dos Alcatrazes deu um toque especial à viagem. Ele é de suma importância para a preservação da vida marinha e do ecossistema costeiro. As ilhas estão em uma área de proteção ambiental federal, e sua conservação é crucial para a sobrevivência de várias espécies marinhas.
Um novo desafio no último episódio da série
A tripulação, que já havia superado vários obstáculos, de repente, se deparou com mais um: um navio cargueiro, lotado de containers que navegava rumo à Navegantes, em Santa Catarina.
Segundo Kodja, em momentos como esse a navegação se torna ainda mais desafiadora. A experiência fica perigosa, já que essas embarcações têm visibilidade reduzida e manobrabilidade limitada, o que aumenta o risco de colisões, além da possibilidade de um container cair.


Em uma situação desse tipo, “é necessário manter a velocidade baixa, ter uma equipe treinada e estar muito ciente dos riscos para garantir a segurança da navegação”, explica o comandante.
A travessia chega ao fim
Depois de quase 4.500 milhas náuticas, a tripulação, enfim, chegou até Itajaí. Para se ter uma ideia da distância do percurso, o comandante Kodja compartilhou uma curiosidade no último episódio da série. “Uma navegação costeira do través do Chuí até o través do Oiapoque (sem paradas), equivale a 3.300 milhas náuticas”, explicou.


Após muitos dias rodeados pela água do mar, em uma jornada desafiadora, a épica travessia chega ao fim, e catamarã a motor atraca em terras catarinenses. O último episódio da série mostra que, com certeza, as experiências vividas nesta aventura jamais serão esquecidas pela tripulação, que conseguiu realizar o percurso com sucesso e foi presenteada com muitas maravilhas da natureza.
Concluir uma travessia tão desafiadora nos ensinou muito sobre nós mesmos, nossas habilidades, limitações…e mostrou a importância de trabalhar juntos, em equipe, para alcançar reais objetivos – Guilherme Kodja, comandante
Saiba mais sobre “Uma Aventura no Atlântico”
Um catamarã a motor com quatro tripulantes encara o desafio de cruzar 4.455 milhas náuticas pelo oceano Atlântico. Com todo o trajeto documentado em vídeo, a viagem deu origem à série de NÁUTICA: “Uma Aventura no Atlântico”.


Sucesso de público, a produção recebeu centenas de elogios dos espectadores desde que seu lançamento. “Prevejo que essa série será a melhor do ano. Isso sim é conteúdo náutico de primeira”, foi um dos comentários que o primeiro episódio recebeu.
A emocionante jornada durou cerca de um mês e incluiu paradas em ilhas remotas e avistamento de baleias e golfinhos. Nos sete episódios da série, divulgados semanalmente no Canal Náutica, você pode conferir os detalhes desta navegação, rotina a bordo, lugares e as experiências incríveis.


A travessia começou na Cidade do Cabo, a bordo de um catamarã de 46 pés com dois motores Yanmar 8LV370 biturbo — extremamente silenciosos e eficientes, como atestou a equipe nesta navegação. O destino final é a catarinense Itajaí.
Inscreva-se no canal para acompanhar essa aventura e o melhor conteúdo náutico do Brasil.
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!




