Dia da Marinha é marcado por solidariedade ao povo do Rio Grande do Sul

Por: Redação -
11/06/2024

Manter viva a memória dos atos heroicos do passado é o que guia o Dia da Marinha, celebrado todo 11 de junho. Neste ano, contudo, a data ganha um significado mais especial, já que a Força Naval está na linha de frente das ações de resgate e apoio às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

Desde 30 de abril, oficiais da Marinha estão empenhados em prestar assistência ao povo gaúcho por meio de resgates de pessoas e animais, transporte e entrega de donativos, reconstruções de escolas, assistência médica, psicológica e humanitária, entre outras atividades logísticas.

Foto: Marinha do Brasil/ Reprodução

Em respeito aos afetados pela tragédia, a Marinha cancelou todas as comemorações que costuma realizar na sua data magna. A determinação foi feita uma única vez na história recente do Brasil: em 2020, durante a pandemia de Covid-19.

Foto: Marinha do Brasil/ Reprodução

A história por trás do Dia da Marinha

A vitória na Batalha Naval do Riachuelo, em 1865, inspirou a criação do Dia da Marinha. O combate aconteceu durante a Guerra do Paraguai, maior e mais letal conflito da América do Sul, que durou mais de cinco anos (1864 a 1870). Na época, Brasil, Argentina e Uruguai se voltaram contra o país vizinho por motivos comerciais e territoriais.

 

Na manhã de 11 de junho de 1865, a esquadra paraguaia tentou um ataque surpresa à Força Naval brasileira, atracada na cidade argentina de Corrientes. O que estava em jogo era o controle dos rios Paraná e Paraguai, de suma importância para os países envolvidos.

 

A batalha não foi fácil, já que os navios nacionais, ideais para navegação em oceanos, estavam nas águas rasas da Bacia do Prata — o que aumentava o risco de encalhes e tornava os combatentes alvos fáceis. Ainda assim, com muita garra, o Brasil garantiu a vitória e a Batalha Naval do Riachuelo é considerada um dos maiores trunfos da história das Forças Armadas nacionais.

Foto: Marinha do Brasil/ Reprodução

Atuação heroica também no presente

Com a mesma determinação do passado, os atuais militares da Marinha estão empenhados em defender a população do Rio Grande do Sul dos impactos das enchentes. É por isso que está em vigor desde 1º de maio a Operação Taquari 2.

 

À NÁUTICA, o Comandante do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Sul, Capitão de Fragata Glaucio Alvarenga Colmenero Lopes, conta que, inicialmente, as aeronaves eram os únicos meios capazes de resgatar pessoas em telhados e áreas isoladas — o que ampliou o desejo de atuar rapidamente e salvar o quanto antes quem se encontrava em necessidade.

Sem dúvidas, o resgate de crianças nos sensibilizou bastante. Mas a emoção a cada resgate, a cada vida içada pelo guincho da aeronave nos proporcionava a sensação de que estávamos cumprindo nossa missão– Capitão de Fragata Glaucio Colmenero Lopes

Um dos momentos mais marcantes que presenciou foi quando descobriu, por meio de um voluntário, que um dos meninos resgatados havia feito um desenho, como forma de agradecimento, de um helicóptero da Marinha do Brasil, cuja frota agora atua no apoio logístico à região.

 

“Cada pouso em um campo de evacuação trazia um grande alívio para nossa equipe. As pessoas eram acolhidas por voluntários, que auxiliavam no controle do desembarque. Durante nossos breves pousos, testemunhamos o reencontro de alguns familiares e amigos” relata.

Foto: Arquivo Pessoal

Além das aeronaves, foram enviadas diversas embarcações, dentre elas o Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) “Atlântico”, o maior navio de guerra da América Latina. Todo o contingente sediado no Rio Grande do Sul foi mobilizado, bem como efetivos de outros estados.

 

O trabalho da Marinha também envolveu outros tipos de atividades, como a retirada de recipientes químicos levados pelas enchentes, celebração de ações religiosas — de forma a proporcionar conforto humanitário às vítimas — e aulas de primeiros socorros a crianças desabrigadas.

Foto: Marinha do Brasil/ Reprodução
Foto: Marinha do Brasil/ Reprodução

Confira abaixo alguns números* da atuação da Marinha no Rio Grande do Sul:

  • mais de 400 toneladas de donativos transportados;
  • 78 barcos de resgate empregados;
  • 11 helicópteros;
  • 227 viaturas para transporte de donativos;
  • Hospital de campanha com 40 leitos e 45 profissionais da saúde;
  • 2.070 militares mobilizados para resgate, apoio logístico, remoção de escombros, desobstrução de vias e outros;
  • 04 escolas atendidas, com 2.100 alunos beneficiados;
  • 146,5 mil litros de água mineral distribuídos.

* dados atualizados em 5 de junho de 2024

Foto: Marinha do Brasil/ Reprodução
Foto: Marinha do Brasil/ Reprodução
Foto: Marinha do Brasil/ Reprodução
Foto: Marinha do Brasil/ Reprodução

 

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