Abertura oficial da 36ª Refeno acontece neste sábado (20)

Partida do Marco Zero do Recife, rumo a Fernando de Noronha, será no dia 27. Regata de 300 milhas náuticas já soma 100 barcos inscritos

20/09/2025
Foto: Refeno / Divulgação

Mais uma edição da Regata Internacional Recife Fernando de Noronha já pintou no horizonte. A abertura oficial da 36ª Refeno, maior regata oceânica da América Latina acontece neste sábado (20), enquanto a partida, do Marco Zero do Recife, rumo a Fernando de Noronha, está marcada para a semana seguinte, no dia 27.

Na última quarta-feira (17), o Cabanga Iate Clube de Pernambuco realizou a Coletiva de Imprensa do evento, onde foram detalhadas as informações de mais uma edição da regata. Neste ano, a Refeno já soma mais de 100 barcos confirmados e 12 pré-inscritos. São veleiros de 16 estados do Brasil e mais quatro países estrangeiros.

Foto: Tsuey Lan Bizzocchi / Refeno / Divulgação

As embarcações vão percorrer 300 milhas náuticas (560 km), em um percurso que promete paisagens deslumbrantes e aprendizados marcantes. Entre os barcos estará o Cisne Branco, emblemático navio-veleiro da Marinha do Brasil.

 

O Aviso de Regata (AR), que reúne todas as informações e regras do evento, já foi publicado. As inscrições, por sua vez, estão abertas no site oficial da Refeno. A programação segue até 3 de outubro, com atrações durante todos os dias.

Mais categorias em 2025

Neste ano, a Refeno ampliou o número de categorias participantes, passando de 10 para 12. Poderão competir as classes ORC, IRC, VPRS, RGS, Mocra, Catamarã, Trimarã, Aço, Alumínio, Bico-de-Proa, Aberta e Turismo. Os critérios de participação estão detalhados no AR.

Recordes em alto-mar

Na edição de 2024, o título ficou com o Adrenalina Pura, comandado pelos pernambucanos Avelar Loureiro, Humberto Carrilho e Cecília Peixoto. Eles completaram a travessia em 18 horas, 49 minutos e 25 segundos — o quinto melhor tempo da história da Refeno.


O recorde absoluto segue com a edição de 2007, quando o Adrenalina Pura, sob comando de Georg Ehrensperger, completou o percurso de 300 milhas náuticas em impressionantes 14 horas, 34 minutos e 54 segundos.

Sobre o navio-veleiro Cisne Branco

Símbolo da Marinha do Brasil, o Cisne Branco é um imponente veleiro de 76 metros de comprimento, inspirado nos elegantes clippers do século 19. Construído na Holanda pelo estaleiro Damen Oranjewerf, foi presenteado à Marinha do Brasil e incorporado à Armada em março de 2000.

Foto: Marinha do Brasil / Divulgação

Desde então, a embarcação atua como uma verdadeira embaixada flutuante, representando o Brasil em eventos náuticos pelo mundo e promovendo a cultura marítima.

 

Com três mastros e 25 velas brancas, o Cisne Branco impressiona por sua imponência e beleza exterior. Por dentro, ainda guarda peças históricas, como candelabros do século 19 e um vitral que retrata a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

 

Além da missão diplomática, o navio também marca presença na formação de militares, sendo utilizado no treinamento de aspirantes da Escola Naval e alunos do Colégio Naval.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Tags

    Relacionadas

    Contagem regressiva! Salvador Boat Show chega à 3ª edição

    Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão

    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

    Formando novas gerações: Mubadala Brazil SailGP Team treina jovens mulheres para o futuro da vela

    Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!

    Pirelli 44 Ducati Edition: nova lancha de alta performance tem DNA de MotoGP

    Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades

    NX Boats e Suassuna Fernandes conectam os universos náutico e imobiliário através da Pininfarina

    Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina