Vela e educação como ponte para transformar o futuro: conheça a Escola Social Náutica da Ilha Grande
Projeto gratuito usa o esporte para ampliar horizontes de crianças e jovens de comunidades caiçaras


Quando se diz que sonhar alto dá o mesmo trabalho que sonhar baixo, o que muitas vezes se ignora é o peso da falta de referências. Em comunidades onde o horizonte parece sempre o mesmo, imaginar outros caminhos pode ser mais difícil do que tentar alcançá-los. Foi a partir desse pensamento que nasceu a Escola Social Náutica da Ilha Grande, criada para apresentar a crianças e jovens caiçaras e de comunidades pesqueiras uma nova relação com o mar — desta vez, por meio da vela.
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Idealizado pela Comunidade Náutica da Ilha Grande, o projeto surgiu em um contexto de pouca valorização da cultura local e da necessidade de oferecer proteção e perspectivas a crianças e adolescentes. A resposta veio da própria identidade da região: ocupar o tempo dos pequenos com uma atividade tipicamente náutica, conectada ao local onde vivem e à tradição do lugar.


Gratuita, a iniciativa se consolidou na Vila do Abraão, em Angra dos Reis, e hoje atende crianças e jovens entre 5 e 17 anos. A vela — seja olímpica ou oceânica — funciona como ferramenta de educação, integração social e formação, indo além da prática esportiva.


A Escola atua em parceria com iniciativas locais, como o Grupo de Escoteiro Florestal da Ilha Grande e o VAA Ilha Grande, e oferece aulas regulares de vela e canoagem. O aprendizado é complementado por conteúdos de educação ambiental, meteorologia básica e oceanografia costeira, ampliando o repertório dos alunos e fortalecendo a relação entre esporte, natureza e conhecimento.
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Impacto em números
Segundo levantamento da própria Escola Social Náutica da Ilha Grande, os reflexos do projeto vão além da água. Entre as famílias com crianças atendidas, 94% relataram melhorias nos laços familiares, enquanto 82% perceberam avanços na saúde física dos participantes após o início das atividades com vela ou canoagem.


A atuação da Escola também busca enfrentar desafios ambientais e sociais da Ilha Grande, como o enfraquecimento das tradições culturais e a atração de jovens para formas precárias de trabalho ligadas ao turismo predatório. Não por acaso, parte das ações do projeto dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) na Agenda 2030.
Ao combinar capacitação para o mercado náutico com desenvolvimento físico, mental e emocional em ambientes naturais, a Escola reforça seu papel como agente de transformação social e valorização da cultura caiçara. A ideia não é romper com as raízes locais, mas ampliar as possibilidades.


Reconhecida pela Confederação Brasileira de Vela (CBVela) e pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), a Escola Social Náutica da Ilha Grande mantém suas atividades de forma totalmente gratuita. O projeto aceita contribuições a partir de serviços e produtos adquiridos online, que vão de ecobags até passeios em veleiros oceânicos, disponíveis para consulta no site oficial da organização.
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