Após 7 anos de proibição, ICMBio libera turismo ecológico com barcos na Ilha dos Lobos
Principalmente no inverno, a Ilha dos Lobos, ao norte do Rio Grande do Sul, se torna o lar de lobos-marinhos e leões-marinhos, que migram até o local em busca de águas quentes, alimento e descanso. Ver esses animais de perto foi proibido por 7 anos, até que, agora, o ICMBio, responsável pela área, aprovou que o turismo ecológico com barcos volte a acontecer na ilha.
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Passeios desse tipo estavam proibidos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) desde 2018, para preservar a fauna. A ideia era manter o veto até até que o instituto elaborasse planos de manejo e de uso público para avaliar os impactos do turismo nos animais.


A previsão é que os passeios de barco em torno da ilha sejam regulados e autorizados ainda no primeiro semestre. Os turistas, porém, só poderão observar os animais de longe, sem desembarque nem interação.
A relação da Ilha dos Lobos com o turismo
A Ilha dos Lobos fica a 1,8 km de Torres, cidade mais próxima. O local, caracterizado por uma área de rochas basálticas, anualmente recebe em suas dependências lobos-marinhos-sul-americanos (Arctocephalus australis) e leões-marinhos-do-sul (Otaria flavescens), além de diferentes espécies de aves.
Esses animais, que vivem em colônias de reprodução na Argentina e no Uruguai, partem para o destino, principalmente, no começo do inverno no Hemisfério Sul.
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Assim, a ilha é protegida como reserva ecológica desde 1983. Em 2005, foi transformada em Refúgio de Vida Silvestre (Revis), e teve seus limites de proteção ampliados para a água, em um raio de 500 metros. Em 2007, a área passou a ser gerida pelo ICMBio, autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.
Até 2018, embarcações eram autorizadas a se aproximar da ilha para que turistas observassem as espécies. Naquele ano, contudo, o ICMBio vetou passeios como esse para avaliar os impactos do turismo nos animais.
O “prazo” da proibição se baseava no tempo que o instituto levaria para elaborar planos de manejo e de uso público na região. Por fim, o plano de manejo foi aprovado em 2023, enquanto o de uso público foi finalizado em dezembro de 2024.
Para Juliano Rodrigues Oliveira, atual chefe do Revis da Ilha dos Lobos, “atividades públicas trazem mais apoio à conservação da ilha”. Ele explica que “as pessoas vão defender mais a unidade de conservação quando puderem conhecê-la. Além do mais, essas atividades vão gerar renda, desenvolvendo o ecoturismo”.
As pessoas têm direito ao meio ambiente, isso está na Constituição. O ICMBio tem clareza de que, havendo preservação, temos o dever de dar esse retorno para a sociedade– destaca
A aprovação levou em conta pesquisas do projeto Torres para o Mar, que não apontaram impactos aos lobos e leões-marinhos com a aproximação dos barcos.
Quem poderá se aproximar da Ilha dos Lobos
De acordo com Juliano, serão permitidos dois tipos de passeios embarcados: o comercial, com embarcações credenciadas, responsáveis por vender passeios, e o particular, para proprietários de lanchas e botes, com experiências que deverão ser agendadas — sem custo. O chefe do Revis destaca que “as autorizações podem ser cassadas a qualquer momento se o autorizado não cumprir as regras”.
O ICMBio também deve regular e autorizar atividades como caiaque e de stand up paddle. O mergulho e o surfe de tow-in, este último uma demanda antiga de surfistas da região, ainda estão em análise. A nova distância a ser respeitada e o número de passeios diários é uma decisão que ainda cabe ao instituto.
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