Aumenta o número de pessoas que moram em barcos no Reino Unido

Com imóveis cada vez mais caros, viver a bordo tem se tornado uma boa opção para quem vive no país

Por: Beatriz Lia -
13/11/2024
Foto: SteveAllenPhoto999 / Envato

Viver a bordo é o sonho de muita gente, mas no Reino Unido as pessoas estão morando em barcos por conta dos altos preços dos imóveis. Segundo o último censo, de 2022, 35 mil barcos eram usados como moradia na Inglaterra e no País de Gales — um aumento de 30% em 20 anos.

Os dados são ainda mais surpreendentes no recorte da capital britânica, Londres. A quantidade de pessoas que optaram por esse tipo de habitação praticamente dobrou desde o último levantamento, também de 2022.

Por que as pessoas estão optando por viver a bordo?

Os altos preços dos imóveis estão entre os principais motivos que levam os britânicos a viver a bordo. Isso porque uma embarcação considerada “razoável” custa em média 50 mil libras no país (cerca de R$ 374 mil, em conversão realizada em novembro de 2024).

 

Por outro lado, o custo médio de um apartamento em Londres é de aproximadamente 440 mil libras (cerca de R$ 3,3 milhões).

Foto: SteveAllenPhoto999 / Envato

Além disso, a geografia local favorece quem deseja morar em barcos. As vias fluviais britânicas foram essenciais durante a Revolução Industrial do Reino Unido, quando as estradas estavam apenas começando a existir.

 

Para se ter uma ideia, os canais britânicos se estendiam por cerca de 6,4 mil quilômetros. Mas, com o “boom” das ferrovias, o uso desses canais diminuiu. Desde então, alguns foram abandonados e muitos destruídos. Hoje, esse sistema é mais utilizado como forma de lazer.

Desafios de se morar em um barco

Apesar de parecer vantajoso — financeiramente falando –, morar em um barco também tem seus obstáculos.

Foto: SteveAllenPhoto999 / Envato

O custo de manutenção de uma rede de hidrovias de 250 anos, como no caso do Reino Unido, é alto — e vem aumentando cada vez mais por conta do clima extremo e da poluição.

 

Em 2023, a Canal and Rivers Trust (CRT) — associação que cuida de uma rede de 3.200 quilômetros de canais no país — gastou 40 milhões de libras (cerca de R$ 300 milhões) em manutenção e aproximadamente 30 milhões de libras (aproximadamente R$ 225 milhões) na modernização de reservatórios. Essas despesas são arcadas pelos usuários dos barcos.

Foto: SteveAllenPhoto999 / Envato

Além disso, as licenças de navegação são caras — elas compõem, aproximadamente, 11% da renda da CRT.

Como é viver a bordo no Reino Unido?

Como mencionado anteriormente, a geografia do Reino Unido facilita a navegação pelos canais. Uma das formas mais comuns de moradia a bordo no país são os narrowboats (um tipo de barco estreito). A embarcação foi desenhada especialmente para caber nas eclusas do país.


Apesar do tamanho, as “casas flutuantes” costumam ter todos os cômodos comuns de uma moradia: banheiro, quarto, sala e cozinha. Além disso, viver a bordo possibilita conhecer vários lugares da Grã-Bretanha.

Foto: SteveAllenPhoto999 / Envato

A equipe de NÁUTICA já mostrou a história de Michaela Cordes, que faz sucesso no Tik Tok ao mostrar sua vida a bordo de um narrowboat, e de Adam Lind e Lauren Coley, que também viralizaram ao exibir o estilo de vida morando em um barco.

 

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    Recém-chegada ao mercado, a Tank Boats foi inaugurada em abril, e escolheu o evento para o lançamento de sua embarcação primogênita, do tipo center console, com referências internacionais.
    É um barco que traz muitas referências internacionais, principalmente no acabamento, que é extremamente fino e difícil de encontrar em embarcações nacionais. Também temos muita tecnologia embarcada, com uma interface própria da Tank Boats - destacou Fábio Bisolatto, fundador da Tank Boats
    [caption id="attachment_210486" align="alignnone" width="920"] Fábio Bisolatto. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption] Segundo Inara Bisolatto, gerente de marketing da marca, a T36 pode ser configurada tanto para pescadores quanto para quem busca passeios, lazer e uso familiar.   A lancha  tem casco construído por infusão a vácuo, motorização de popa e uma cabine considerada pelo estaleiro uma das maiores da categoria. Na unidade exposta no salão, a motorização é composta por três motores Mercury de 425 hp, totalizando 1.275 hp. [caption id="attachment_210485" align="alignnone" width="920"] Motores da T36. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption]

    Barco conta com ‘caixa-preta’

    De acordo com Victor Tadano, um dos sócios da Tank Boats, a empresa desenvolveu uma interface própria para centralizar informações que normalmente ficam espalhadas entre diferentes equipamentos e telas da embarcação.   A T36 exposta possui sete telas, mas a proposta do sistema é permitir que as informações consideradas essenciais sejam acompanhadas de maneira centralizada. [caption id="attachment_210484" align="alignnone" width="920"] Center console da T36. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption] O executivo ainda destacou que o software armazena dados sobre o funcionamento da embarcação e acompanha parâmetros dos sistemas ao longo do tempo. Assim, a partir desses registros, é possível identificar desvios em relação ao padrão de funcionamento e indicar possíveis problemas.   Alterações de rotação, temperatura ou consumo do motor podem gerar alertas antes que uma falha efetivamente aconteça.
    Temos muita tecnologia e muitas telas no barco, mas não adianta ter sete telas e não conseguir acompanhar todas. Por isso, é importante ter, em pelo menos uma delas, as informações essenciais da embarcação. Não é apenas uma tela: é um sistema que armazena os dados, como uma espécie de caixa-preta que trouxemos para dentro do barco para ajudar no gerenciamento - afirmou Tadano
    [caption id="attachment_210483" align="alignnone" width="920"] T 36. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption]

    Manual de instruções

    Fábio Bisolatto e Victor Tadano explicaram que o proprietário receberá, junto com a embarcação, um manual de instruções, projeto elétrico e projeto hidráulico, além das especificações e códigos dos componentes utilizados.   Segundo eles, os itens empregados durante a fabricação são rastreados para facilitar futuras manutenções e substituições.   A empresa também afirma possuir um documento de ensaios de 51 páginas, com os testes realizados durante a fabricação e a entrega da embarcação. [caption id="attachment_210480" align="alignnone" width="920"] T36. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption] [caption id="attachment_210479" align="alignnone" width="920"] Canine da T36. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption]

    Fundo de investimentos

    O estaleiro foi aberto em abril de 2026. Os sócios afirmam que a marca conta com o respaldo de um fundo de investimento e que os recursos previstos permitem sustentar a operação pelos próximos três anos durante a ampliação da linha de produtos, independentemente das vendas. [caption id="attachment_210478" align="alignnone" width="920"] Center console da T36. Foto: Alexandre Battibugli / Revista Náutica[/caption]

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    O São Paulo Boat Show foi palco da estreia oficial da Tank Boats diante do público, e a empresa montou um estande de aproximadamente 370 m² para apresentar a marca.   Para Inara, a recepção superou as expectativas e a Tank Boats já havia fechado vendas antes mesmo da metade do evento. [caption id="attachment_210481" align="alignnone" width="920"] T36. Foto: Victor Santos / Revista Náutica[/caption]

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