Poluição sonora no mar pode ser catastrófica para as baleias

Barulhos provenientes da navegação de barcos, extração de recursos e outras atividades marítimas afetam a circulação dos animais que se comunicação pelo som

20/04/2024

Se a poluição sonora é capaz de desencadear uma série de problemas para os humanos que convivem com ela, a situação não é diferente com as baleias no mar. Ao enfrentarem barreiras para se comunicar, os animais podem sofrer impactos de leves a extremos no que diz respeito à migração para outros locais.

Isso acontece por conta do barulho proveniente de diversas atividades marítimas, incluindo a grande concentração de embarcações nos oceanos. Para se ter uma ideia, de 1950 para cá, os níveis de ruído aumentaram mais de 20 decibéis — o que representa um acréscimo de cem vezes em intensidade. Tudo indica que, no futuro, a situação pode ser ainda pior.

Como as baleias se comunicam por meio de vocalizações — ou seja, pelo som — o excesso de poluição sonora no mar pode afetá-las de várias formas, desde a geração de estresse até incapacitando-as de encontrar comida.

 

Para entender melhor esse impacto, pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, criaram uma ferramenta capaz de simular cenários e prever o que pode acontecer por conta dos ruídos no oceano.

Modelo matemático

Diante da impossibilidade de manter os animais em um laboratório para testar a sensibilidade deles ao ruído, os cientistas criaram um algoritmo capaz de prever alterações no comportamento migratório das baleias, conforme os dados inseridos.

 

Esse modelo reúne diversas informações sobre os ambientes em que as baleias navegam — como correntes oceânicas, ruído do vento e tráfego de barcos — e permite a realização de testes. Por exemplo: é possível visualizar como a migração das baleias se altera caso haja um aumento de 50% no fluxo marítimo — algo que seria muito difícil de simular na vida real.


Como há uma grande quantidade de dados sobre o tráfego no Mar do Norte, bem como atividade de extração de recursos e avistamento de baleias, os pesquisadores concentraram seus estudos nessa região.

Como a poluição sonora no mar afeta as baleias

Os estudiosos apontaram três problemas que podem ser provocados pelo barulho: solidão — quando as baleias evitam se comunicar –, esquiva — quando o estresse faz com que elas evitem certas áreas — e confusão — quando o ruído reduz a capacidade delas de identificar o ambiente.

 

Por meio do algoritmo, eles concluíram que, se o impacto primário da poluição sonora no mar for por solidão, o efeito é moderado: a migração ainda ocorre, mas de forma mais lenta. Já por confusão, varia de leve a grave, já que a migração pode ser mais vagarosa ou falhar, caso o ruído seja intenso.

 

Mas se o impacto principal provocar a esquiva, é possível que o efeito seja leve, mas chegue a extremo. Isso porque, em um cenário mais positivo, as baleias fugirão das regiões de alto ruído e irão contorná-las até o destino da migração. Mas se o barulho aumentar demais, os ambientes estressantes se tornarão cada vez maiores e mais difíceis de escapar, o que pode fazer com que o caminho de migração seja interrompido e falhe completamente.

Na natureza, isso seria catastrófico para as baleias, já que um dos motivos da migração é que, em águas mais quentes, as baleias acasalam e dão à luz os filhotes.

 

O estudo, publicado na revista científica Movement Ecology, aponta que, felizmente, não há indícios de que as falhas na migração afetem populações inteiras. Por enquanto, o modelo prevê o que pode acontecer no futuro, caso a poluição sonora no mar aumente ininterruptamente.

 

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