“Revolução”: diretor da Itaipu Parquetec comenta sobre barcos a hidrogênio apresentados na COP30

Mais que veículos com potencial de emissão zero, embarcações como o JAQ H1 e o BotoH2 permitem silêncio total

Por: Nicole Leslie -
12/11/2025
Irineu Mario Colombo, diretor superintendente da Itaipu Parquetec. Foto: Geovani Pantoja / Revista Náutica

O debate global sobre a transição energética encontrou na COP30 um palco estratégico para anunciar projetos de embarcações movidas a hidrogênio verde. O JAQ H1, inaugurado na véspera do evento, e o BotoH2, lançado nesta quarta-feira (12), carregam tecnologias desenvolvidas pela Itaipu Parquetec. À NÁUTICA, o diretor superintendente da empresa de tecnologia, Irineu Mario Colombo, falou sobre essa revolução nos barcos.

Enquanto o barco-escola JAQ H1 é parcialmente alimentado a hidrogênio, o barco-conceito BotoH2 é totalmente movido pela tecnologia limpa. Para Irineu, as embarcações representam uma “vitória tremenda”, fruto de uma jornada de desenvolvimento tecnológico importante não apenas para os investidores do projeto, mas para o meio ambiente a nível global.

Estamos dando a nossa contribuição para o planeta […] e a contribuição é gigantesca-disse Colombo

Irineu Mario Colombo, diretor superintendente da Itaipu Parquetec. Foto: Geovani Pantoja / Revista Náutica

A parceria entre o Projeto JAQ e a Itaipu Parquetec surgiu em conversas entre Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica, com a própria empresa de tecnologia. Dali veio o JAQ H1, primeiro barco-escola do mundo movido a hidrogênio, e virá o JAQ H2, em 2027, com a promessa de ser 100% autossuficiente, utilizando apenas o hidrogênio extraído da própria água como combustível para navegar.

JAQ H1 na COP30. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Já o barco-conceito da Itaipu, o BotoH2, foi apresentado ainda em outubro, em evento fechado, e lançado estrategicamente durante a COP30. Com menor porte que o JAQ H1, a embarcação já consegue navegar utilizando apenas hidrogênio. Irineu conta que a tecnologia não apenas elimina a poluição, como inverte o processo ambiental da navegação tradicional.

Boto H2. Foto: William Brisida / Itaipu Binacional

Quem hoje navega soltando gás carbônico pelo diesel ou gasolina, com hidrogênio vai soltar água puríssima — na própria água. Veja que maravilha-destacou

Além do benefício ambiental, a navegação com esse sistema é muito silenciosa. A mudança é considerada disruptiva, pois permite que a embarcação navegue com pouco barulho de motor, deixando de contaminar a água e beneficiando, inclusive, a parte de hotelaria, por não gerar ruídos.


Como hidrogênio verde vira combustível?

Irineu Mario Colombo, além de diretor superintendente da Itaipu Parquetec, é professor. Em entrevista à NÁUTICA, ele explicou como a tecnologia que transforma água em combustível funciona no BotoH2.

  1. Primeiro o hidrogênio é gerado através de uma eletrólise alimentada por energia solar (que vem do sol), que quebra a molécula de água (H2O).
  2. Esse hidrogênio é enviado para cilindros a bordo da embarcação, onde o gás hidrogênio é transformado em energia elétrica, a partir da separação próton/elétron
  3. A energia elétrica alimenta tanto o motor quanto uma bateria, que serve para garantir a estabilidade energética dos sistemas do BotoH2.
  4. No barco, o sistema se comporta como uma “espécie de usina produtora de energia elétrica”, utilizando o sol, a bateria e, sobretudo, o hidrogênio.
Motor do barco é alimentado por um sistema desenvolvido inteiramente pelo Itaipu Parquetec que utiliza gás hidrogênio armazenado em cilindros. Foto: Revista Náutica

Embora agora mais fácil de explicar, Irineu relembra que o processo de desenvolvimento de novas tecnologias não foi, não é e nem será fácil. O caminho envolve tempo, altos custos, divergências técnicas e tecnológicas, e opiniões diferentes — o que não deixa de ser “absolutamente natural”. Não à toa, o início da pesquisa sobre hidrogênio verde começou na empresa há 11 anos e os primeiros resultados foram apresentados agora, no contexto da COP30, em 2025.

Hidrogênio verde e missões sociais

Enquanto o JAQ H1 é o primeiro barco-escola do mundo movido a hidrogênio, com objetivo de contribuir de forma sustentável para a pesquisa no Brasil, o BotoH2 terá uma missão social específica na Amazônia.

Maquete do JAQ H1. Foto: Geovani Pantoja / Revista Náutica

A solução foi encomendada pela Itaipu Nacional para que os catadores e coletores de resíduos recicláveis de Belém pudessem se deslocar entre ilhas, de forma que busquem e levem recicláveis para a unidade de valorização que a própria Itaipu está patrocinando.

Brasil líder na indústria náutica sustentável

Irineu relembra que o Brasil é “cheio d’água e com muito sol”, o que o torna ideal para a produção de hidrogênio verde. O cenário posiciona esse viés tecnológico como um ativo estratégico para ser trabalhado no país, seja no continente ou embarcado.

Maquete do JAQ H2. Foto: Geovani Pantoja / Revista Náutica

Colombo não tem dúvidas de que a solução do hidrogênio verde “chegou para ficar” na indústria náutica. “As empresas que trabalham poluindo vão ter que pensar em começar lentamente mexer na sua frota de colocar as soluções do hidrogênio”, afirma.

 

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