Turismo náutico: a urgência de integrar o setor nos instrumentos de planejamento público

Bianca Colepicolo defende o potencial do turismo das águas e sua integração com as linhas de ações institucionais

20/04/2025
Foto: wirestock/ Envato

O Brasil é um país de águas. São mais de 8 mil quilômetros de costa e uma imensidão de rios, lagos e represas navegáveis que se espalham por todo o território nacional.

No entanto, o turismo náutico — essa potente engrenagem de desenvolvimento sustentável, lazer qualificado e geração de empregos — ainda é frequentemente esquecido nos instrumentos que definem o futuro das cidades e regiões: os Planos Plurianuais (PPA), os Planos Diretores e os Planos Municipais de Turismo.

Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Foto: petero31/ Envato

Essa ausência estratégica compromete o avanço do setor e impede que o Brasil aproveite plenamente seu potencial náutico. É hora de mudar isso.

Planejamento é prioridade

O PPA estabelece as metas e prioridades da administração pública para um ciclo de quatro anos. Quando o turismo náutico não está previsto como uma política ou linha de ação, torna-se praticamente impossível captar recursos públicos, firmar parcerias ou executar projetos estruturantes. Sem estar no PPA, o turismo náutico não existe institucionalmente.

Foto: micens/ Envato

Já o Plano Diretor orienta o uso e a ocupação do solo urbano. A inclusão da náutica nesse plano é essencial para garantir áreas destinadas à construção de marinas, píeres públicos, rampas de acesso, clubes náuticos e trilhas aquáticas.

 

Sem previsão legal, esses empreendimentos enfrentam insegurança jurídica, demora em licenciamentos e até resistência social. Planejar a infraestrutura é cuidar do ordenamento territorial, da segurança da navegação e da conservação ambiental.

Nos Planos Municipais de Turismo, a náutica deve aparecer não apenas como um atrativo eventual, mas como eixo estruturante para a criação de roteiros integrados, capacitação de mão de obra, promoção do destino e fortalecimento de uma cadeia produtiva que inclui desde embarcações e combustíveis até hospedagem, gastronomia e experiências culturais.

Infraestrutura e marketing: dois pilares do sucesso

Nenhum destino náutico se consolida sem infraestrutura mínima. Píeres seguros, sinalização náutica, áreas de apoio para barcos e serviços para turistas são fundamentais.

Bahia Marina, palco do Salvador Boat Show 2024. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Mas a infraestrutura precisa vir acompanhada de uma estratégia de marketing territorial bem desenhada: quem é o turista náutico ideal para o seu território? Como atraí-lo? Que experiências únicas você oferece?

 

A resposta para essas perguntas precisa estar conectada a um plano, com metas, cronograma e investimento. E isso só acontece quando o turismo náutico é levado a sério nas esferas de planejamento público.

Oportunidade de desenvolvimento sustentável

Investir no turismo náutico é apostar em um desenvolvimento sustentável público que valoriza a identidade local, fomenta a economia azul e amplia a consciência sobre o uso responsável das águas.

Foto: joaquincorbalan/ Envato

Quando o poder público assume essa pauta, cria oportunidades para pequenos empreendedores, promove inclusão e oferece novas experiências para moradores e visitantes por meio do turismo náutico.

 

É hora de colocar o setor náutico no centro do planejamento. Integrá-lo ao PPA, ao Plano Diretor e ao Plano de Turismo não é apenas uma boa prática — é uma necessidade para quem enxerga o futuro com olhos de navegante: atentos às marés, mas com rumo claro e decidido.

 

Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

 

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