JAQ H1 reuniu mais de mil pessoas durante abertura à visitação pública na COP30
Embarcação movida a hidrogênio verde recebeu moradores e participantes da conferência para uma visita guiada nos dias 15 e 16 de novembro


A abertura do JAQ H1, embarcação da JAQ Apoio Marítimo que vai operar com o sistema de hidrogênio, atraiu mais de mil pessoas nesse fim de semana da COP30, na Estação das Docas, em Belém (PA). Nos dias 15 e 16 de novembro, moradores e participantes da conferência lotaram o píer para conhecer por dentro o barco de 36 metros que já tem toda a parte de hotelaria, iluminação, climatização e sistemas internos preparada para operar com hidrogênio verde.
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Durante a visita, os participantes percorreram os ambientes da embarcação, que equivale a cerca de 400 m² de área, e conheceram o auditório para 50 pessoas, que será utilizado para debates, cursos e atividades de educação ambiental. Também puderam entender como funcionam os sistemas de hotelaria do barco, de climatização à iluminação, já preparados para operar com hidrogênio nesta primeira fase da iniciativa.


O projeto, 100% financiado pela iniciativa privada, reserva ainda próximos passos. Em dezembro, em Fortaleza (CE), o barco receberá um motor MAN com propulsão dual fuel, capaz de utilizar até 20% de hidrogênio na mistura e reduzir em até 80% as emissões de CO₂. Também já está confirmada a escala e abastecimento posterior no Porto de Suape (PE), ainda este ano.


No ano que vem, o barco deve percorrer as capitais de portos de todo o Brasil com foco em educação ambiental. Para 2027, será apresentada uma nova embarcação, a JAQ H2, de cerca de 50 metros, projetada para gerar seu próprio hidrogênio a bordo.


“A COP30 é muito importante para a nossa cidade, porque aqui sentimos os efeitos das mudanças climáticas de forma intensa, talvez mais do que em muitas outras regiões. Por isso, considero fundamental conhecer de perto tecnologias como a do JAQ H1, que apontam caminhos reais para melhorar a vida no planeta e o legado que vamos deixar para os nossos filhos”, disse Elaine Brazão, moradora de Belém que visitou o barco.


“É um privilégio acompanhar tantos eventos paralelos na nossa cidade durante a COP30. Tenho vindo para aprender e observar de perto as novas tecnologias. Acredito que o futuro está aí e que precisamos valorizá-lo para incentivar nossas crianças a usar recursos que poluam menos o planeta. Vim com a família e até brinquei que hoje seria um dia para absorver o máximo de conhecimento e visitar vários eventos da COP”, ressaltou Renata Sousa, outra moradora.
Tenho certeza de que, em alguns anos, veremos bons resultados de tanta pesquisa e busca por inovação– destacou Renata
“Ficamos surpresos e muito felizes com o interesse de tantas pessoas em visitar o JAQ H1. Isso mostra que a sociedade quer entender, de perto, as soluções que já existem para uma navegação mais limpa e reforça que não se trata apenas de um barco diferente, mas de um conceito de pesquisa, educação e inovação que nasce no Brasil com potencial de inspirar outros países e acelerar a descarbonização do setor marítimo mundial”, afirmou Ernani Paciornik, idealizador do projeto JAQ, presidente do Grupo Náutica e que atua em parceria com Itaipu Parquetec, GWM, Heineken e Artefacto.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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