Robert Scheidt será o embaixador da 51ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela

Maior medalhista da história olímpica do Brasil estará no evento patrocinado pela Mitsubishi de 20 a 27 de julho

22/05/2024
Foto: Fred Hoffmann / SIVI/ Divulgação

A tradição de Ilhabela na vela e a expertise dos mais de 40 anos de dedicação de Robert Scheidt à modalidade estarão juntos na 51ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela (SIVI). Isso porque o atleta olímpico que mais medalhas trouxe ao Brasil (com cinco) foi escolhido o embaixador da competição que acontece de 20 a 27 de julho, no Yacht Club de Ilhabela (YCI).

A 51ª edição da maior competição de vela oceânica da América Latina promete ser inesquecível para os amantes do mar. Além do nome de peso de Scheidt, as regatas na Capital da Vela terão uma homenagem especial aos atletas olímpicos da modalidade — o esporte soma 19 medalhas nos Jogos e é um dos mais vitoriosos do país. As regatas ainda devem reunir mais de 100 barcos e 900 velejadores pelas águas da ilha.

Foto: Fred Hoffmann / SIVI/ Divulgação

Morador de Ilhabela desde o final de 2023, Robert Scheidt participa da SIVI desde 1982, quando navegava de Optimist na Semana de Monotipos, em um barquinho de madeira. O atleta venceu em duas oportunidades a bordo de barcos grandes: 2011 com o HPE-25 Atrevido e 2022 com o C-30 Caballo Loco.

 

Nesta temporada, Scheidt já correu a Copa Mitsubishi e deve estar na lista de presença do evento náutico. Apesar de ainda não ter definido em qual barco vai correr o campeonato, uma coisa é certa: o velejador olímpico estará prestigiando a competição e as ações da regata, como o Vela do Amanhã e o Desfile dos Barcos.

Não é só a parte de água, tem muitas atividades dentro e fora do clube. É diferente da Europa, lá eles terminam as regatas e vão para casa. Aqui temos grandes eventos, uma programação extensa– destacou Robert Scheidt sobre a SIVI

O velejador ressaltou ainda que a SIVI é “um evento bem organizado num local privilegiado para se velejar. No inverno brasileiro temos condições maravilhosas, com vento na Ponta das Canas ou no Canal. Aqui tem uma quantidade enorme de barcos participando, que dão a chance para velejadores se testarem uns contra os outros. Tem gente de todas as idades”.


O diretor de vela do Yacht Club de Ilhabela, Demian Pons, comemorou a escolha de Robert Scheidt que, na avaliação dele, não é apenas um nome reconhecido no mundo da vela, mas, sim, uma “lenda viva”.

Ao selecionar Scheidt como embaixador da SIVI buscamos não apenas alguém com um currículo impressionante, mas também alguém que personificasse os valores de excelência, paixão e dedicação que este evento representa– Demian Pons, sobre a escolha de Scheidt

Maior medalhista da história olímpica do Brasil, Robert Scheidt soma cinco pódios na competição: duas medalhas de ouro (Atlanta 1996 e Atenas 2004), duas de prata (Sydney 2000 e Pequim 2008) e uma de bronze (Londres 2012).

A vela está no meu sangue! Depois de Atlanta 1996, será a primeira olimpíada que não vou participar. É uma sensação estranha, mas eu nunca tive tão relaxado, tão calmo… Fica a torcida para a Equipe Brasileira de Vela– declara Robert Scheidt 

Neste ano, Robert Scheidt receberá uma biografia intitulada “Robert Scheidt – O Amigo do Vento”. Escrita pelo jornalista Rafael De Marco, a história narra a jornada do velejador que começou a contar as primeiras milhas ainda aos 9 anos em 396 páginas, e está prevista para ser lançada no início de junho.

Inscrições para a 51ª edição SIVI

As inscrições para a 51ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela — que acontece de 20 a 27 de julho, no Yacht Club de Ilhabela (YCI) — foram abertas em maio por meio do site oficial da competição. A regata terá barcos das classes ORC, BRA-RGS, RGS Cruiser, C-30, Clássicos e VPRS.

 

O acesso ao sistema de inscrições estará disponível até o dia 19 de julho, sendo que o valor da taxa de inscrição do veleiro será definido no momento do cadastro.

 

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    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

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    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

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    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

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      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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