Quase 1.500 anos: cientistas identificam a planta marinha mais antiga do mundo

25/06/2024

Um estudo recente revelou que a planta marinha mais antiga do mundo tem nada menos que 1.400 anos de idade. De acordo com cientistas, essa velha senhora surgiu no Mar Báltico no período das Invasões Bárbaras, que duraram de 375 d.C. a 700 d.C.

Trata-se de uma planta marinha tida como uma espécie “clone”. Isso significa que ela é capaz de produzir uma prole geneticamente similar ao se ramificar, chegando a alcançar o tamanho equivalente a um campo de futebol.

Foto: Uli Kunz / Reprodução

A descoberta se deu a partir de um estudo liderado por Thorsten Reusch, professor do Centro Helmholtz de Pesquisa Oceânica, na Alemanha. Ele e uma equipe composta por especialistas internacionais encontraram a planta a partir do uso de um relógio genético, em um estudo publicado na Nature Ecology & Evolution.

 

Nesse processo, a acumulação de mutações da planta desenvolve um relógio molecular, capaz de determinar a idade de qualquer clone com precisão. A técnica foi aplicada em uma base de dados de algas das espécie Zostera marina, do Pacífico ao Atlântico e Mediterrâneo.

A reprodução vegetativa como um modo alternativo de reprodução é difundida nos reinos animal, fungi e plantae– explica Reusch

Mais do que a planta marinha mais antiga

A idade e longevidade de espécies clone, como a da planta marinha mais antiga do mundo, são importantes para o conhecimento sobre habitats marinhos, uma vez que muitas espécies como essa podem se reproduzir vegetativamente e tornar seus clones ainda maiores.

 

Um ponto importante é que a produção contínua de fragmentos do “clone original” — que são iguais geneticamente, mas separados fisicamente — pode indicar que idade e tamanho são dissociados nessas espécies.

 

No norte da Europa, por exemplo, foram encontrados clones de capim-enguia com centenas de anos, sendo que o mais velho tinha 1.402 anos de idade e também pertencia ao Mar Báltico.


Esse capim-enguia mostrou ser resiliente mesmo em um ambiente rigoroso. De acordo com Reusch, “esses dados são um pré-requisito para resolver um dos maiores quebra-cabeças de longo prazo na conservação genética, isto é, por que grandes clones podem persistir apesar de ambientes variáveis e dinâmicos”.

 

Com o genoma da alga disponível, cientistas começaram análises, incluindo um clone mantido por 17 anos como referência. Iliana Baums, professora doutora de ecologia molecular no Instituto Helmholtz para Biodiversidade Marinha Funcional na Universidade de Oldenburg, na Alemanha, destaca que essas ferramentas podem ser usadas, por exemplo, para conservar corais ameaçados pelas ondas de calor.

 

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