Barco onde a princesa Diana passou suas últimas férias naufraga no Mediterrâneo
Com um passado luxuoso, o barco Cujo — onde algumas das últimas fotos da princesa Diana foram registradas — agora está no fundo do mar. De acordo com a Times, de Londres, a embarcação afundou após atingir um objeto não identificado, a cerca de 29 quilômetros de Beaulieu-sur-Mer, no litoral francês.
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Segundo as autoridades locais, as sete pessoas que estavam no barco foram resgatadas ilesas e levadas até a costa. A embarcação, no entanto, não pôde ser salva e acabou a uma profundidade de quase 2.500 metros. Barcos de resgaste que foram enviados ao local identificaram um vazamento significativo de água no Cujo.


Segundo relatórios franceses, o barco Cujo não estava em boas condições, além de ter problemas de manutenção com frequência. No momento do naufrágio, seu dono havia ativado as bombas e mantido os motores funcionando, mas isso não impediu o naufrágio do barco, afirmou o oficial da polícia.
Barco Cujo ficou famoso 25 anos depois de pronto
Construído na Itália em 1972, o primeiro proprietário do barco Cujo foi John Van Neumann, o empresário que abriu o mercado americano para Porsche e Volkswagen. Neumann queria um iate que fosse mais rápido do que qualquer outro na água, em qualquer lugar do mundo — pedido esse que foi atendido pelo estaleiro italiano Baglietto.


O barco que o empresário encomendou foi entregue com motores que atingiam facilmente 42 nós, ou aproximadamente 78 km/h.
Logo, Neumann vendeu o iate para Adnan Kashoggi, que o negociou com seu primo, Dodi Al-Fayed. Após adquirir a embarcação de luxo, Dodi realizou uma reforma total e transformou o iate no queridinho das estrelas de Hollywood, levando diversas celebridades dos quais eram amigos, como Clint Eatswood, Bruce Willis e a própria princesa Diana, para passear por Saint Tropez, na França.
O barco Cujo ganhou mais fama 25 anos após seu lançamento, quando o dono da embarcação e sua namorada, Lady Di, foram flagrados por paparazzi, em agosto de 1997. O casal aproveitou alguns dias de férias a bordo do Cujo e do Jonikal, outro barco da família de Dodi. Poucos dias depois dos cliques, ambos morreram em um acidente de carro no centro de Paris.
Com a morte de Dodi e Diana, em 31 de agosto de 1997, o Cujo caiu em desuso e ficou parado por anos em um armazém do estaleiro CARM, na Itália. O iate foi resgatado pelo primo de Dodi, Moody-Al-Fayed, que gastou cerca de US$ 1 milhão em sua reforma. Em fevereiro de 2020, a embarcação foi leiloada ao colecionador de automóveis britânico Simon Kidston.
Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.



