Fabricante dos motores Renault anuncia motor híbrido-flex para barcos de lazer

19/03/2025

O melhor da potência de um motor a combustão com a autonomia da propulsão elétrica. É isso o que promete o novo Hybdor Duotech 200E, o primeiro motor híbrido para barcos do Brasil. A novidade é fruto de uma parceria entre a Horse Powertrain, fabricante dos motores Renault e Geely, e da Hybdor, parte do paranaense Grupo Espadarte.

Na prática, a Horse, fornecedora global de soluções inovadoras de propulsão, entra no projeto justamente como a fornecedora dos motores para o sistema de propulsão do Hybdor Duotech 200E. O equipamento escolhido para adaptação náutica foi o motor que equipa carros como Duster e Oroch, ambos Renaut. Trata-se do ‘HR13’, um Turbo Flex Fuel de 1.3 litro e 4 cilindros, já produzido em alta escala pela Horse.

HR13. Foto: Rodolfo Buhrer / Divulgação

Em entrevista à NÁUTICA, Matias Giannini, CEO da Horse Powertrain, explicou que a empresa “investe muito na parte de motores, de tecnologia, e foi aí que veio a conversa com a Hybdor: ‘será que a gente consegue pegar um dos motores supereficientes que temos e adaptar para ser colocado no barco?’”.

Matias Giannini, brasileiro CEO da Horse Powertrain. Foto: Divulgação

A resposta, claro, foi sim. Dessa forma, o Hybdor Duotech 200E chega utilizando um sistema de propulsão híbrido plug-in pioneiro, projetado para uso em embarcações de Classe 2 (de 25 a 40 pés de comprimento). A tecnologia promete melhorar o alcance dos barcos, ao passo que deve reduzir o consumo de combustível e as emissões. Outros destaques incluem redução de vibração e ruído.

O desenvolvimento de motores no setor marítimo não está no nível em que estamos nos veículos a passeio. A ideia foi: vamos pegar algo que é a última tecnologia, já com alto volume, e colocar no setor– destacou Giannini 

Os primeiros testes do equipamento foram realizados nem uma lancha do estaleiro paranaense Triton Yachts. Foto: Hybdor / Divulgação

Nasce um motor híbrido e a combustão flex

Produzido localmente na planta da Horse no Paraná, o HR13 pode entregar uma potência de pico de 163PS (120W) e um torque máximo de 250Nm a 1.600rpm. Os motores elétricos do Hybdor Duotech 200E complementarão essa força com 25PS (18kW) de potência de pico e 60Nm de torque máximo.

Foto: Hybdor / Divulgação

O sistema completo de propulsão, da motorização até o hélice, passando pela rabeta, é de fabricação nacional, com elevados critérios de engenharia garantidos pela Espadarte Group, para uma manutenção simples e rápida – Thiago Sielski Marquardt, CTO do Grupo Espadarte

A promessa é que o barco equipado com o novo motor seja capaz de operar tanto à combustão quanto 100% à eletricidade. Na combustão, o equipamento funciona com combustíveis flex (gasolina e etanol), o que o torna um dos primeiros sistemas de propulsão marítima comercial do mundo projetados para operar com combustíveis comercialmente vendidos — além de também ser compatível com etanol puro.


A bateria do sistema de propulsão, por sua vez, pode ser carregada enquanto a embarcação se move no modo a combustão. Outra opção de carregamento é via uma tomada elétrica — quando conectado, o motor pode ser completamente carregado em apenas 1 hora e 30 minutos.

 

Há ainda o modo “boost”, que combina as potências elétrica e a combustão para fornecer maior potência contínua. Segundo a Hybdor, esse sistema “aumenta consideravelmente a autonomia do barco, pois permite combinar a capacidade do tanque de combustível com a autonomia das exclusivas baterias a lítio WEG”.

É o único no mercado brasileiro que o seu motor a combustão é flex, o que permite estar melhor adaptado ao combustível vendido no Brasil, em que a gasolina possui até 35% de presença de etanol na composição– destaca a marca

Confira imagens do equipamento sendo testado na lancha da Triton Yachts:

 

Manutenção garantida

No mercado náutico, uma das maiores preocupações dos consumidores é a manutenção. Nesse sentido, Giannini garante que “o HR13 é de alta qualidade, tem baixa manutenção e, quando tem, é normal, super fácil, com componentes de baixo custo”.

São componentes que se encontram em qualquer oficina do mercado automotivo. A rede de distribuição já é estabelecida. É muito simples estendê-la ao mercado náutico também– afirma Matias 

Um dos motivos para essa facilidade é que a base para o Hybdor Duotech 200E , o HR13 da Horse, “é produzido em altas quantidades”, segundo Giannini. Além de facilitar a manutenção, a alta escala de produção promete também apresentar um valor final atraente aos consumidores.

Uma transição sustentável

Estimativas endossadas por Giannini apontam que, em 2040, metade da indústria [automotiva] vai ser convertida para veículos 100% elétricos. Assim, a junção do uso do etanol, que é um combustível limpo, com a eletrificação, torna o Hybdor Duotech 200E uma alternativa muito atrativa.

Do ponto de vista econômico, de performance, de benefício pro ambiente, é só ‘plus’. Não vejo por que essa ideia não ser abraçada em alto no setor– opina Giannini

O CEO ainda revelou que mais modelos podem surgir em breve. “Se você olhar o portfólio de produtos da Horse hoje, temos desde 1.0 de 3 cilindros até motores de altíssima performance, 2.0 de 4 cilindros, utilizados até no mercado de corridas.”

Acreditamos muito nessa transição para uma mobilidade sustentável– destaca

Quanto a garantias, Giannini aponta que o recurso é dado pela Horse à Hybdor, que estende isso ao consumidor, como parte da garantia do barco como um todo.

 

De acordo com Jeanne Botelho, diretora de marketing do Grupo Espadarte, o novo motor estará disponível ainda este semestre. “Já estamos com uma lista de espera para as primeiras unidades”, conta.

 

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