Estudo com âmbar milenar sugere tsunamis em larga escala no passado do Japão

Amostras foram encontradas na Pedreira Shimonakagawa, em Hokkaido, no norte do país; Entenda a linha da pesquisa

Por: Nicole Leslie -
09/06/2025
Estudo com âmbar milenar revela tsunamis em larga escala no passado do Japão. Foto: Envato / photobalance

Um estudo recente sugere que o Japão pode ter enfrentado uma sequência de tsunamis em larga escala há cerca de 115 milhões de anos. A hipótese surgiu a partir da análise de amostras de âmbar coletadas na Pedreira Shimonakagawa, em Hokkaido, ao norte do país, que estavam mais bem preservadas do que o esperado, indicando que teriam sido arrastadas repentinamente da terra para o oceano.

Neste trabalho, publicado em maio pela revista científica Scientific Reports, os cientistas utilizaram o âmbar como base da investigação. O método é alternativo ao tradicional, que costuma focar em evidências geológicas costeiras. No entanto, essas evidências mais comuns podem ser confundidas com marcas deixadas por tempestades severas, o que dificulta conclusões mais precisas.

Imagem mostra detalhes do local onde amostras de âmbar foram retiradas. Foto: Scientific Reports / Reprodução

As amostras de âmbar analisadas foram retiradas de um depósito datado entre 116 e 114 milhões de anos atrás, quando o local integrava o fundo do mar. Segundo os pesquisadores, o material apresentava as chamadas “estruturas de chama”, formações que ocorrem quando sedimentos moles se deformam antes de endurecer.

 

Esse tipo de deformação sugere que o âmbar foi repentinamente transportado da terra para o mar, sem tempo de exposição ao ar ou para solidificação. E, uma vez submerso, o material foi soterrado por sedimentos e mantido preservado por milhões de anos.


Essa dinâmica indica que um evento de grande magnitude — como não um, mas uma sequência de tsunamis — pode ter sido responsável pelo deslocamento súbito de materiais para o fundo do mar.

Ilustração da pesquisa representa tese de que sedimentos foram arrastados da terra para o fundo do mar, subitamente. Foto: Scientific Reports / Reprodução

Apesar do avanço da hipótese, os cientistas destacam que o âmbar, isoladamente, não seria suficiente para confirmar o cenário. Por isso, a análise foi combinada a estudos de campo, que precisavam apontar para uma origem comum.

 

A confirmação veio com a identificação, na mesma camada geológica de onde o âmbar foi extraído, de sinais de deslizamentos de terra, que poderiam ter sido causados por terremotos, além de grandes blocos de lama e troncos fossilizados. Esses elementos corroboram a tese de que os sedimentos foram arrastados por um fenômeno rápido e intenso.

 

O estudo propõe que o âmbar, que preserva insetos e material orgânico fossilizado, também pode funcionar como um registro sensível ao tempo de eventos geológicos extremos. Os autores ressaltam que essa resina milenar tem potencial para revelar novos detalhes sobre a história geológica da Terra — e, futuramente, pode até ajudar a prever eventos naturais semelhantes.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Guardiãs do Mar: liderado por mulheres, projeto de combate a poluição plástica é retomado

    Iniciativa retorna com ações em São Paulo e em Pernambuco. Saiba como ajudar!

    Guarujá, no litoral de SP, terá o 1º centro de visitação subaquático da América Latina

    A praia do Gauiúba recebeu 15 esculturas do artista plástico Adelio Sarro, que formarão uma espécie de “museu” debaixo d’água

    Vacas de Berchida: animais aproveitam praia paradisíada de Sardenha, na Itália

    Registro feito pelo fotógrafo Gianluca Nonnis, que mostra fenômeno natural na região, já soma 4,3 milhões de visualizações

    Interiores náuticos sustentáveis: como novos materiais transformam o design de barcos

    Uso de revestimentos vinílicos adesivos e práticas de economia circular ganham espaço na indústria náutica; JAQ H1 é exemplo da tendência

    Veleiro Lelei: a história do andarilho que construiu a própria casa flutuante

    Vanderlei Becker precisou de cinco anos e muitos sacrifícios para tirar do papel um barco de alumínio de 36 pés