Pesquisa usa poemas antigos para apontar queda de golfinhos no Rio Yangtze
Um estudo publicado na revista Current Biology apontou que a população da toninha-sem-barbatana do Yangtze — espécie de golfinho de água doce — sofreu uma redução de 65% nos últimos 1.400 anos. A conclusão surpreendente chama ainda mais atenção por ter vindo da análise de 724 poemas chineses históricos, datados desde o ano 618 d.C.
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Os pesquisadores mapearam a distribuição histórica da espécie com base na data e no local em que os poemas foram escritos. As obras analisadas fazem referência direta à toninha-sem-barbatana do Yangtze (Neophocaena asiaeorientalis), um animal que costuma emergir com frequência para respirar — e que, por isso, chama a atenção e foi retratado com frequência na literatura chinesa clássica.


Segundo o artigo, poetas da época costumavam registrar com riqueza de detalhes os cenários naturais ao redor, incluindo a fauna. A partir disso, os cientistas conseguiram traçar onde e quando a espécie vinha sendo avistada.
Com base nas vidas dos poetas e no conteúdo dos poemas, estabelecemos a presença de toninhas-sem-barbatana durante dinastias específicas e em determinadas regiões geográfica– diz o estudo
A pesquisa identificou poemas desde a Dinastia Tang (618–907), sendo o maior número de registros na Dinastia Qing (1636–1912). Um mapa produzido pelos autores mostra a incidência da espécie ao longo de períodos dinásticos. O período em vermelho da imagem (veja abaixo), se refere à presença do animal atualmente.


Em metade dos poemas, os pesquisadores encontraram informações claras sobre a localização dos animais. Desses, 78% estavam no curso principal do Rio Yangtze, 14% em afluentes e 8% em lagos.
O estudo lembra que a toninha-sem-barbatana está hoje criticamente ameaçada de extinção. Os dados revelaram ainda outros sinais de deterioração ambiental na região, como a retração da área de água doce e o desaparecimento de duas espécies endêmicas do Yangtze: o golfinho baiji (Lipotes vexillifer) e o peixe-espátula chinês (Psephurus gladius), ambos oficialmente extintos.
Para os autores, a principal causa da redução drástica nas populações da toninha foi a ação humana. Um dos fatores determinantes foi a construção de barragens a partir da década de 1950, que passaram a bloquear a movimentação dos animais entre os afluentes, lagos e o leito principal do rio.
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