Potencial oculto no Pacífico: cientistas descobrem campo hidrotermal gigante
Local libera hidrogênio em grandes quantidades e tem explosão que equivale a bilhões de toneladas de TNT


Um achado recente no Oceano Pacífico pode mudar a forma como entendemos o potencial energético do planeta. A cerca de 4.300 metros de profundidade, pesquisadores chineses descobriram um campo hidrotermal colossal próximo à Fossa de Mussau e o nomearam de Kunlun. O local chamou a atenção por liberar grandes quantidades de hidrogênio.
O Gigante Azul: por que o Oceano Pacífico é o maior e mais profundo do mundo?
Apenas 0,001% do oceano profundo foi estudado, aponta pesquisa internacional
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
O que viria a se tornar a primeira parte do estudo foi publicada em agosto na revista Science Advances. Na ocasião, a pesquisa feita por cientistas do Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciências (IOCAS) apresentou esse sistema inédito encontrado nas profundezas do Pacífico.


São 20 enormes crateras circulares ou ovais, com até 1,8 km de diâmetro e 130 metros de profundidade, que lembram tubos de kimberlito — formações geológicas de origem vulcânica e fonte primária de diamantes. Nesse caso, porém, o destaque é o hidrogênio resultante e não o minério.
Movidos pela curiosidade por trás dessa formação, os cientistas mergulharam com o Veículo Operado Remotamente (ROV) Fendouzhe novamente para um novo estudo, este publicado em 5 de setembro na mesma revista científica.


A pesquisa revelou altas concentrações de gás hidrogênio em fluidos que jorram dos tubos de Kunlun. O processo que explica esse fenômeno é a serpentinização: quando a água do mar se infiltra em fraturas da crosta terrestre e reage com rochas do manto, formando novos minerais e liberando hidrogênio.
Os cientistas calcularam que o Kunlun corresponde, sozinho, por cerca de 5% do hidrogênio liberado anualmente nos oceanos do mundo. Isso o torna o maior campo hidrotermal desse tipo já identificado no planeta.


Além da dimensão energética, o local também chama atenção pelo ecossistema ativo próximo a ele, apesar da distância da luz. Por lá foram observados camarões, lagostas, anêmonas, peixes e até vermes tubícolas, que se aproveitam das fontes de calor e nutrientes que emergem na região.
A segunda parte da pesquisa também revelou como essas estruturas se formaram. Os cientistas concluíram que bilhões de toneladas de hidrogênio foram produzidos por serpentinização e ficaram aprisionados em fraturas profundas, seladas por lama e carbonato, e que parte desse gás acabou se misturando ao oxigênio da água do mar que circula pelo subsolo.


O resultado é explosivo — e comparável a um barril de pólvora submarino. Quando a pressão se torna grande demais, a mistura de gases explode com uma energia equivalente a bilhões de toneladas de TNT, abrindo crateras gigantes no leito oceânico. Sismômetros instalados na região registraram mais de 800 pequenos tremores em apenas 28 dias, sinais de que o processo segue ativo até hoje.
Os cientistas destacam que o Kunlun amplia o conhecimento sobre os processos geológicos do planeta e pode ajudar a entender o potencial energético e os riscos ligados a reservas naturais de hidrogênio escondidas no fundo do mar.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Iniciativa da Sailing Sense, criada em 2007 pelo velejador Miguel Olio, está com inscrições abertas. Primeira aulas devem começar ainda em maio
Pintura representa a "segunda alma" da Ferrari, já estampada em clássico dos anos 1960
De acordo com os arqueólogos, as peças são datadas de 980 a 1040 d.C. e originárias de vários países da Europa
Andrea Bunar entrega correspondências pelos rios e canais ao redor de Lehde, em um percurso de 8 km por dia
De 3 hp a 1200 hp, confira mais de 10 modelos que prometem atender aos mais variados tipos de embarcação




