Recorde: trio de irmãos atravessa o Pacífico em barco a remo em 139 dias
Ewan, Jamie e Lachlan Maclean remaram quase 15 mil km e superaram marca anterior por 20 dias de diferença


No último sábado (30), três irmãos escoceses fizeram história ao completar a travessia mais rápida, sem apoio e sem escalas, do Oceano Pacífico — o maior oceano do mundo — em um barco a remo. O recorde anterior, de 159 dias, foi “varrido” pelo trio, que finalizou a viagem em apenas 139 dias.
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Ewan, Jamie e Lachlan Maclean remaram 14.500 km do Peru até a Austrália, tornando-se também a primeira equipe registrada a remar com sucesso partindo da América do Sul.


O retorno à terra firme, em Cairns, foi triunfante. Os irmãos chegaram tocando gaitas de fole e tremulando as bandeiras da Escócia, Austrália e Reino Unido. Em seguida, foram recebidos por familiares emocionados, incluindo a mãe, Sheila.
Ainda estamos nos acostumando com o mar, então, para ser sincero, estamos cambaleando por todo lado, mas muito felizes por estarmos em terra– disse Ewan à ABC
Depois de quatro meses e meio apenas remando, os irmãos só pensavam em uma coisa ao finalizar a travessia: comer e beber. “Você tem pizza e cerveja? Repito, você tem pizza e cerveja? Câmbio”, perguntou Ewan à marina de Cains, momentos antes de completar a viagem.


O feito histórico foi realizado a bordo do Rose Emily, nome dado em homenagem à irmã do trio, que morreu durante a gravidez. O barco, feito em fibra de carbono, foi construído por eles mesmos em parceira com o velejador Mark Slats. Inspirado na Fórmula 1, o modelo é tido como a embarcação a remo oceânica mais rápida e leve já produzida.
Escassez e quase morte
Não foram poucos os desafios enfrentados pelos três. Para bater duas marcas de uma só vez, tiveram que sobreviver a base de peixe fresco e refeições liofilizadas (alimentos que foram desidratados a frio, por isso, quase sem água), além de superar enjoo, escassez de comida e tempestades tropicais.


A jornada começou em Lima, capital peruana, em meados de abril, com o objetivo de chegar à Sydney em 2 de agosto. O mau tempo, porém, redirecionou o trio para Cairns. “Nossas expectativas foram frustradas quando pensamos que iríamos chegar e, de repente, fomos atingidos por tempestade após tempestade, sendo simplesmente jogados para trás, para o norte” contou Jamie à ABC.
Inclusive, o momento mais tenso de toda a travessia foi quando um dos irmãos, Lachlan, foi arrastado para o mar por uma onda enorme durante a noite. Ele foi resgatado por Ewan.


Para Jamie, o irmão do meio, os últimos dias foram os mais desafiadores. Ele revela a apreensão de ficar sem comida e conta que, mesmo exaustos, tiveram que acelerar o ritmo para os suprimentos não acabarem antes da hora.


Entretanto, apesar das dificuldades, o vínculo familiar foi o principal pilar para completarem a missão. Os irmãos conseguiram se manter positivos e encontrar momentos de alegria mesmo nos dias mais duros da travessia.
Conseguimos falar muito diretamente um com o outro. Uma boa comunicação tem sido fundamental nesta jornada– relatou Jamie à CNN
Assim, o antigo recorde foi superado. A marca pertencia ao russo Fedor Konyukhov, que remou sozinho do Chile até a Austrália em 2014, em 159 dias, 16 horas e 58 minutos. Os três irmãos quebraram o recorde com 20 dias de diferença.
Água limpa para todos
Além do recorde mundial, o trio navegou de ponta a ponta com um outro objetivo nobre: arrecadar 1 milhão de libras (cerca de R$ 7,3 milhões, conforme conversão feita em setembro de 2025) para financiar projetos de água limpa em Madagascar.


A travessia do Pacífico visa conscientizar e arrecadar fundos para a construção de poços artesianos em todo o município de Ambohimanarina, em Madagascar, onde atualmente apenas 14% da população tem acesso a água potável segura e limpa. O objetivo dos irmãos é ajudar mais de 40 mil pessoas.
Até o momento, foram arrecadadas mais de 800 mil libras (aproximadamente R$ 5,9 milhões). Em 2020, para apoiar instituições de caridade que lutam por água potável, eles tornaram-se o primeiro trio de irmãos a remar qualquer oceano juntos e o trio mais jovem e rápido a cruzar das Ilhas Canárias até Antígua.
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