Vermes, moluscos e crustáceos: cientistas registram 14 novas espécies marinhas

Entre as descobertas, tem "parasita-pipoca", invertebrados exóticos e seres encontrados a mais de 6 mil metros de profundidade

29/11/2025
Ferreiraella charazata, uma das criaturas descobertas em nova pesquisa. Foto: Senckenberg Ocean Species Alliance/ Divulgação

Mesmo com séculos de exploração, a biodiversidade de invertebrados marinhos permanece pouco documentada. Para mitigar esse problema, pesquisadores da Senckenberg Ocean Species Alliance (SOSA) anunciaram a descoberta de 14 novas espécies marinhas, incluindo dois novos gêneros.

A pesquisa encontrou seres inéditos em diferentes regiões do planeta, baseando-se em coleções recentes e históricas e incluindo espécies recém-descritas. O trabalho foi publicado na revista Biodiversity Data Jornal e teve parceria do novo Laboratório de Descobertas do Instituto de Pesquisa e Senckenberg.

 

Entre os organismos identificados, estão crustáceos translúcidos, vermes de aparência “exótica” e parasitas que lembram um emaranhado de grãos. Segundo os pesquisadores, as profundidades de algumas dessas criaturas chegam a mais de 6 mil metros.

De pouquinho em pouquinho

Uma das novas espécies que agora faz parte do “caderninho” dos biólogos é o molusco Veleropilina gretchenae, localizado na Fossa das Aleutas — a incríveis 6.465 metros de profundidade.

Veleropilina gretchenae. Foto: Senckenberg Ocean Species Alliance/ Divulgação
O genoma do Veleropilina gretchenae é um dos primeiros da classe Monoplacophora a ser publicado com alta qualidade diretamente do espécime. Essa classe é composta por moluscos marinhos que se destacam por ser um exemplo de ‘fóssil vivo’. Acreditava-se que estivessem extintos até a redescoberta de um espécime vivo em 1952.

Outro molusco registrado pela primeira vez foi o bivalve Myonera aleutiana, encontrado a 5.280 metros, tornando-se o membro mais profundo do seu gênero.

Myonera aleutiana. Foto: Senckenberg Ocean Species Alliance/ Divulgação

O Macrostylis peteri foi outra criatura descoberta pela pesquisa. A nova espécie é um isópode minúsculo, porém complexo, que marca o primeiro registro de sua família em águas australianas.

Documentar espécies tão pequenas e complexas exige preparação meticulosa e ilustração microscópica precisa– destacou o grupo

Macrostylis peteri. Foto: Senckenberg Ocean Species Alliance/ Divulgação

O Spinther bohnorum, da Polinésia Francesa, é um verme minúsculo de cor vermelho-alaranjada. Sua posição evolutiva ainda permanece um mistério. Uma das principais características que os diferenciam são as cerdas (eixos que lembram espinhos e servem para locomoção).

Spinther bohnorum. Foto: Senckenberg Ocean Species Alliance/ Divulgação

Já o crustáceo Apotectonia senckenbergae foi identificado em um banco de mexilhões nas fontes hidrotermais da Fenda de Galápagos, a 2.602 metros da superfície.

Apotectonia senckenbergae. Foto: Senckenberg Ocean Species Alliance/ Divulgação

Descobertas peculiares

Como a natureza é cheia de surpresas, o fundo do mar não poderia ser diferente. Os pesquisadores encontraram, por exemplo, o isópode Zeaione everta, um parasita avistado na zona entremarés da Austrália. As fêmeas apresentam protuberâncias nas costas que lembram grãos de pipoca estourados — não à toa, seu apelido é “parasita-pipoca”.

Zeaione everta, o “parasita-pipoca”. Foto: Senckenberg Ocean Species Alliance/ Divulgação

Presa a mais de 5 mil metros de profundidade, o Laevidentalium wiesei foi outra nova espécie encontrada pelo SOSA. Ele estava com uma anêmona-do-mar aderida à sua concha — o primeiro registro desse tipo para este gênero.

As descobertas relatadas nesta segunda edição são numeradas de 13 a 27, dando continuidade ao ponto em que o primeiro artigo parou. Muitas outras devem ser descobertas em breve– informou a SOSA em comunicado

Laevidentalium wiesei. Foto: Senckenberg Ocean Species Alliance/ Divulgação

Um novo jeito de pesquisar

Preocupados com o ritmo de descoberta superando o processo formal de descrição de espécies, o SOSA foi fundado para promover esse desafio: ter uma abordagem simplificada e escalável para a taxonomia (ciência que organiza e classifica os seres vivos hierarquicamente).

Foto: Senckenberg Ocean Species Alliance/ Divulgação

De acordo com o grupo, cerca de 91% das espécies oceânicas ainda não foram classificadas e mais de 80% do oceano permanece inexplorado.

Cada número representa não apenas uma espécie, mas também uma prova de conceito: que, com o apoio adequado, os taxonomistas podem acelerar a descrição da vida nos oceanos sem sacrificar a qualidade– ressaltaram os cientistas em nota

Metharpinia hirsuta. Foto: Senckenberg Ocean Species Alliance/ Divulgação

Nove das novas espécies e um dos inéditos gêneros deste estudo foram processados parcial ou totalmente por meio do Laboratório de Descobertas do Instituto de Pesquisa e Senckenberg, ressaltando seu valor e importância da estrutura para o avanço da taxonomia.

Em uma era de perda de biodiversidade, o trabalho de descrever espécies pode ser mais urgente do que nunca– ressalta o site  

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