Após 40 anos desaparecida, coleção de conchas do século 18 é encontrada na Inglaterra

24/03/2024

Colecionar conchas é quase como um evento canônico na vida de todos que têm o costume de ir à praia, mas Bridget Atkinson (1732–1814) foi além, e criou um acervo com mais de 200 desses itens ao longo de toda sua vida — algumas vezes, sem mesmo sair de casa. Considerada perdida por 40 anos, sua coleção, repleta de itens raros, foi finalmente encontrada.

Com conchas de várias partes do mundo — incluindo algumas da última viagem marítima do lendário Capitão Cook (explorador, navegador e cartógrafo inglês que viveu de 1728 a 1779) — , Atkinson reuniu uma coleção datada do século 18, que ficou desaparecida por 40 anos e foi recentemente devolvida à organização britânica English Heritage.

Foto: English Heritage / Divulgação

Para se ter uma ideia, acreditava-se até que a coleção composta por itens raros, como a Epitonium scalore (encontrada no Indo-Pacífico) e a Tridacna squamosa (distribuídas nas Filipinas, pelo Oceano Índico e pelo Mar Vermelho), havia ido para o lixo.

Epitonium scalore. Foto: English Heritage / Divulgação
Tridacna squamosa. Foto: English Heritage / Divulgação

Em um tempo no qual as mulheres geralmente pegavam conchas para decoração, Bridget as coletava mais por interesses científicos e geográficos do que estéticos– Frances McIntosh, curadora do English Heritage, em comunicado

Muito mais que apenas conchas

Apesar de não ter sido “uma duquesa ou alguém da alta sociedade de Londres”, como afirma McIntosh, Atkinson construiu um acervo com conchas de várias partes do planeta, muitas vezes, sem precisar ir ao encontro delas.

Astraea heliotropium. Foto: English Heritage / Divulgação

Além das outras espécimes raras já citadas, um dos itens mais notáveis de sua coleção é a Astraea heliotropium (concha endêmica da Nova Zelândia), vinda da última viagem marítima do Capitão Cook pelo mundo. Para conseguir essa proeza, ela contou com a ajuda de George Dixon, um explorador britânico que navegou, justamente, ao lado de Cook em sua última aventura.


O fato de ter vindo de uma família rica também colaborou para que o acervo de Atkinson se tornasse único. Isso porque seus filhos, por exemplo, se tornaram donos de plantações de açúcar na Jamaica, além de fornecerem serviços para a Companhia Britânica das Índias Orientais.

Spondylus americanus. Foto: English Heritage / Divulgação

Dessa forma, Atkinson escrevia para eles pedindo que procurassem por conchas específicas, como a Spondylus americanus, para completar seu acervo. Assim, de acordo com a English Heritage, ela foi capaz de reunir cerca de 1.200 conchas de várias partes do mundo.

Foto: English Heritage / Divulgação

“Bridget Atkinson foi uma das primeiras mulheres a acumular uma coleção de conchas cientificamente significativa de todo o mundo”, afirmou Tom White, curador do Museu de História Natural que auxiliou na catalogação das conchas de Atkinson.

Do desaparecimento ao museu

Se o acervo de Atkinson era tão importante, como, então, ele desapareceu? Essa história começa ainda em 1930, quando parte da coleção foi vendida, enquanto outras 200 conchas foram emprestadas ao departamento de Zoologia da atual Universidade de Newcastle.

 

Em 1980, houve uma mudança de escritório, e, até então, acreditava-se que as conchas poderiam ter sido jogadas no lixo durante esse processo. Felizmente, na verdade, a coleção foi devidamente guardada por John Buchanan (professor e zoólogo marinho já falecido), a fim de, justamente, evitar que o acervo se perdesse.

 

Foi somente em 2022 que a família do professor se deu conta que as conchas guardadas por ele eram da coleção de Atkinson. A partir daí, o acervo foi devolvido ao English Heritage e, agora, a ideia é que fiquem em exibição no Chesters Roman Fort and Museum, na Inglaterra, até novembro de 2024.

 

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