Soberania do Brasil passa pelo resgate da vocação marítima, defendem especialistas
Painel do 2º Fórum Náutico destacou a importância estratégica da Amazônia Azul, o potencial da economia do mar e os desafios para fortalecer o poder naval brasileiro


A importância da Amazônia Azul para a soberania e o posicionamento estratégico do Brasil foi tema debatido no 2º Fórum Náutico Internacional da ANB. Henrique Trindade, vice-presidente da Sociedade Amigos da Marinha (Soamar) Salvador, abordou o assunto durante o painel Oceanos, Economia e Geopolítica Mundial. O evento terminou nesta quinta-feira (17), após dois dias de palestras.
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Na oportunidade, os painelistas defenderam que o país precisa resgatar e fortalecer sua vocação marítima, uma vez que passou a se considerar um país continental nos últimos anos. Para eles, Salvador, como a primeira capital do Brasil, tem agora a missão de honrar o título de capital da Amazônia Azul.


O economista Eduardo Athayde, do Worldwatch Institute, ressaltou que a economia do mar começa no município, portanto, cabe à cidade assumir este papel. Ele também ressaltou a potência do setor que, segundo dados apresentados, já emprega cerca de 21 milhões de pessoas entre formais e informais, e gera mais de R$ 530 bilhões em salários.
Isso representa oportunidades para Salvador que, além da extensão da Baía de Todos os Santos, possui 66 km de orla. “Ainda achamos que o mar é apenas para diversão e é preciso tornar isso economia”, afirmou.
O comandante do 2º Distrito Naval, Vice-Almirante Carlos Henrique Zampieri, ressaltou a defesa da soberania, citando como exemplo os Estados Unidos. Ele acredita que o Brasil pode se inspirar no país norte-americano, onde embarcações são construídas, registradas e tripuladas por estadunidenses. “Isso é soberania nacional”, frisou.
O Vice-Almirante afirmou também que só a Marinha faz no Brasil o que diferentes órgãos fazem nos EUA: proteger o poder naval, garantir a segurança marítima e orientar a marinha mercante, entre outras funções. Citou ainda os avanços desde 2019, como o lançamento de navio-patrulha e das Fragatas classe Tamandaré, com duas já em operação e mais outras duas iniciando as atividades até 2028. Nós somos imparáveis nos nossos sonhos”, disse.
Para finalizar, alertou para os novos desafios da Marinha: se preparar para combates autônomos com drones — o que já é uma realidade no mundo — e aquisição de navios mercantes autônomos.
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