“Dança das borboletas”: tradicional corrida de canoas encanta com velas coloridas; assista
Disputada anualmente por diferentes barcos no Rio São Francisco, a competição antecede a procissão fluvial de Bom Jesus dos Navegantes


A 145 km da capital Maceió, o município de Penedo, em Alagoas, abriga uma cultura onde os barcos são muito mais que um meio de transporte. Por lá, as embarcações artesanais de madeira tornam-se artes em movimento que colorem o Rio São Francisco anualmente na tradicional “Corrida de Canoas”, competição ribeirinha que parece mais uma grande “dança das borboletas”.
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O evento antecede a tradicional procissão fluvial que celebra Bom Jesus dos Navegantes — uma manifestação religiosa católica, tradicional na cidade de Salvador — , embora também faça parte dos festejos alusivos da celebração. A competição geralmente acontece na manhã do segundo domingo do mês de janeiro.


A proposta é simples: os canoeiros competidores se encontram com suas “canoas de corrida” — é estritamente proibido alguma motorização — em frente ao porto da comunidade Ponta Mofina. De lá, largam com destino à Orla Ribeirinha de Penedo, especificamente nas proximidades da Praça 12 de Abril, no Centro Histórico.
Quem chega nas melhores colocações é premiado em dinheiro. A última edição (2026), promovida pela Prefeitura de Penedo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Lazer e Juventude (SEMCLEJ), distribuiu R$ 9,5 mil aos competidores com as principais colocações.
A dança das borboletas
A Corrida de Canoas é uma tradição das comunidades ribeirinhas do Baixo São Francisco, com participação de pessoas de diferentes localidades. Por lá, as águas são passarelas para os barcos mais coloridos do Nordeste desfilarem vida e tradição local.


No entanto, se eles quiserem alcançar velocidades dignas de corrida, não basta apenas um remo. Para “turbiná-los”, os competidores transformam as embarcações em “canoas a vela”, com um grande mastro e, obviamente, as velas (chamadas de “panos” entre os ribeirinhos). Assim, o que era para ser uma simples disputa torna-se um espetáculo. Assista!
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Do alto, as velas coloridas quase beijam o Rio São Francisco por conta da inclinação, o que dá a sensação de que os céus estão assistindo a “dança louca das borboletas” — como diria Zé Ramalho.


Mas, por trás dessa festa de cores, há também uma competição de alto nível, que une fé, força e habilidade náutica — tudo isso acompanhado de perto por equipes da Marinha e do Corpo de Bombeiros. Ao todo, o trajeto de cerca de 12 km até a linha de chegada leva quase 2 horas.
Como funciona a Corrida de Canoas?
Para participar dessa festa, competidores de diferentes regiões e com tamanhos distintos de embarcações disputam em classes separadas. São quatro categorias — ou, popularmente, “páreos”. Entenda como funciona:
Primeiro páreo
Esse é a categoria em que navegam os barcos mais simples, utilizados no dia a dia para a pesca artesanal. Trata-se de um modelo mais “gordo” (bojudo) e pesado, projetado para ter estabilidade enquanto o pescador lança as redes, não sendo feito para velocidade pura. Na disputa, a embarcação fica com apenas uma vela.


Justamente por não ser uma canoa de corrida e os modelos serem parecidos entre si, a disputa é bem mais parelha. Geralmente, costuma vencer quem conhece melhor as correntes do rio e os “segredos” das águas. Afinal, o barco, por melhor que seja, não é um grande fator no quesito velocidade.
Segundo páreo: barco fino (1 pano/vela)
Aqui o nível aumenta consideravelmente. O “barco fino” pode ser considerado mais apropriado para corrida, com um casco visivelmente mais estreito e longo do que o de pescaria. A canoa também se limita a um pano, mas a vela costuma ser maior e mais leve.


Por ser muito fino, ele é instável. O segredo técnico aqui é o uso da tripulação como lastro vivo. Os competidores ficam na borda oposta ao vento; se o vento parar de repente, o barco vira para dentro; se aumentar, vira para fora. A equipe tem que ser ágil para equilibrar o peso.
Terceiro e quarto páreo
A diferença entre um e outro é estritamente o comprimento do casco. Os barcos são medidos pela equipe técnica antes da largada. O terceiro páreo aceita canoas de até 9,10 metros de comprimento, enquanto o 4º abriga até 12 metros de comprimento. Se algum tiver 9,15 m, por exemplo, será obrigado a competir na última categoria.


Diferente dos barcos de um pano, nesses páreos é comum o uso de duas velas (mastro principal e mezena), exigindo uma coordenação impecável da tripulação. A embarcação chega a ter de 4 a 5 pessoas para ajudar no equilíbrio. Porém, a premiação mais do que dobra nessas categorias.
Confira as premiações de cada categoria!
Primeiro páreo – barco pescaria (1 pano/vela)
- 1º lugar: R$ 500,00;
- 2º lugar: R$ 400,00;
- 3º lugar: R$ 300,00;
- 4º lugar: R$ 200,00;
- 5º lugar: R$ 150,00.
Segundo páreo – barco fino (1 pano/vela)
- 1º lugar: R$ 500,00;
- 2º lugar: R$ 400,00;
- 3º lugar: R$ 300,00;
- 4º lugar: R$ 200,00;
- 5º lugar: R$ 150,00.
Terceiro páreo – canoas de 9m até 9,10m
- 1º lugar: R$ 1.200,00;
- 2º lugar: R$ 900,00;
- 3º lugar: R$ 700,00.
Quarto páreo – canoas até 12 metros
- 1º lugar: R$ 1.500,00;
- 2º lugar: R$ 1.200,00;
- 3º lugar: R$ 900,00.
Na edição de 2026 (mesmo ano em que a procissão de Bom Jesus dos Navegantes completou 142 anos), o vencedor do quarto páreo, categoria mais valiosa, foi a embarcação Madona, de Josevaldo dos Santos. O evento reuniu outros nomes criativos de barcos, como Léo Santana, Nubank, Mercenário e UFC — este último, inclusive, tendo ganhado o “cinturão” do terceiro páreo.


A inscrição para o evento é gratuita, o que valoriza ainda mais a tradição ribeirinha do local, onde a cultura náutica é o coração do município. Por lá, o barroco domina a arquitetura, enquanto o Rio São Francisco é a alma da história penedense. Mas isso é assunto para outros Carnavais.
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