Eike Batista desafia seguidores a quebrarem seu recorde na travessia Santos-Rio

Nas redes sociais, empresário provocou público a bater marca de 3 horas e 1 minuto, estabelecida por ele ainda em 2006

Por: Redação -
08/08/2024
Foto: Arquivo Revista Náutica

Foi a bordo do Spirit of Brasil, um supercatamarã de 46 pés que, em 2006, o empresário Eike Batista estabeleceu um novo recorde para as 194 milhas da travessia mais famosa do Brasil, a Santos-Rio. Em apenas 3h1min47s, ele e os colegas Gilberto Sayão (ao volante) e Paulo Melo (na navegação) concluíram o trajeto, desbancando o então recordista Paulo Renha (3h29min50s).

Agora, Eike busca um navegador tão fanático quanto ele para bater a marca, conforme expressou através de um vídeo em seu Instagram, posteriormente republicado por NÁUTICA. “Tô desafiando quem queira passar esse recorde”, mencionou ele.

 

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por NÁUTICA (@revistanautica)


A tarefa, contudo, não deve ser nada fácil. O empresário chegou ao número expressivo em sua segunda tentativa de realizar a travessia, visto que na primeira “o mar não estava para recordes”, conforme contou a edição 209 da Revista Náutica.

Foto: Arquivo Revista Náutica

No mar é assim mesmo. É preciso paciência e respeitar a lei do mais forte– expressou Eike à época

Nos testes da Spirit of Brasil: Luciano Huck, Ernani Paciornik (presidente do Grupo Náutica) e Eike Batista. Foto: Arquivo Revista Náutica

Na ocasião, as ondas chegavam a quase dois metros de altura na saída da barra, e o comandante Eike Batista abortou a missão. Na segunda tentativa, contudo, o sucesso foi absoluto — mesmo com percalços.

Foto: Arquivo Revista Náutica

A bordo da Spirit of Brazil, uma superlancha catamarã de 46 pés e 1,5 milhão de dólares, construída nos Estados Unidos e equipada com dois motores de 1.800 cv cada, Eike, Gilberto e Paulo reduziram em expressivos 28 minutos o recorde de Paulo Renha, presidente da Real Powerboats na época.

Paulo Renha detém o 2º melhor tempo da travessia, com um barco construído por ele mesmo, o Go Pulga. Foto: Arquivo Revista Náutica

Não à toa. A superlancha era também superveloz. Para se ter uma ideia, durante um bom tempo, a velocidade média da travessia foi de 70 nós (com um pico de 114 nós, ou 211 km/h), chegando a ser mais rápida que o helicóptero que acompanhava o percurso.

Foto: Arquivo Revista Náutica

O tempo do trajeto só não foi ainda mais rápido porque, no lugar das ondas que atrapalharam a primeira tentativa da travessia, o obstáculo, naquele momento, foi outro — ou melhor, outros, já que foram dois.


No primeiro imprevisto, na chegada à Ilhabela, Eike, acidentalmente, desligou o cabo de força do barco com os joelhos, por duas vezes. “Foi um susto danado. De repente, o barco simplesmente parou de funcionar. E para descobrir que tinha sido só um cabo solto?”, relatou Eike na ocasião.

 

O incidente roubou precisos cinco minutos do trio, entre a perda de aceleração e a identificação da falha. Já o outro problema foi bem mais sério: na saída da Baía de Ilha Grande, um dos motores passou a funcionar a, no máximo, 3.000 rpm, quando o normal seria o dobro disso. O problema estava na alimentação de combustível.

Foto: Arquivo Revista Náutica

Resultado: a potência do conjunto, equivalente a cinco motores de Fórmula 1 juntos, despencou, e a velocidade média, que até então vinha na casa dos 70 nós, baixou para menos de 50 nós. Na chegada à
Barra da Tijuca, na Zona Sul carioca, a Spirit of Brazil chegou a arrastar-se a míseros 35 nós, quando, naquele instante, as condições de mar permitiriam acima de 100.

Para equilibrar o barco, eu tinha que ficar compensando a rotação no outro motor, sem poder dar tudo o que eles tinham– explicou Eike à NÁUTICA naquele ano

Não fosse isso, o novo recorde poderia facilmente ter chegado a impressionante marca de 2h40m, conforme as previsões da época.

Foto: Arquivo Revista Náutica

Confira os melhores tempos da Santos-Rio

1974

Com uma Carbrasmar 32, a Pangaré Trio, Wallace Franz e mais dois tripulantes vão de Santos ao Rio sem parar, e estipulam o primeiro recorde: 5h38min23s.

2002

Com a Go Pulga, uma lancha Real de 26 pés equipada com dois motores Mercury Promax, de 376 hp cada, Paulo Renha baixa esta marca em quase uma hora: 4h40min11s.

2005

Sabendo que poderia ser bem mais rápido, Paulo Renha volta a disputa e com a mesma Go Pulga e baixa em mais de uma hora o recorde anterior, que era seu mesmo: 3h29min50s.

2006

Disposto a conquistar mais um título na motonáutica, Eike Batista manda construir a Spirit of Brazil, nos Estados Unidos, equipa-a com dois super-motores e crava 3h01min47s.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Tags

    Relacionadas

    Habilitação de Arrais Amador gratuita: concurso abre inscrições em Cabedelo, na Paraíba

    Jovens de 18 a 29 anos poderão concorrer à formação com cursos teórico e prático pagos pela prefeitura

    Modelo de barco utilizado por Cleópatra há 2 mil anos foi encontrado na costa do Egito

    Embarcação de 35 metros era considerada de luxo e exigia ao menos 20 remadores para navegar

    Design de iate chinês foge do convencional e chama atenção; conheça o Allegro Flybridge 98

    Em seus quase 30 metros estão ambientes que fogem do padrão e uma motorização que pode chegar aos 2800 hp

    Clima natalino? Fenômeno natural faz areia de praia em SP "brilhar no escuro"; assista

    Bioluminescência chegou a Itararé, em São Vicente, no último sábado (6). Registro mostra o brilho se formando de perto

    Há 5 anos, Aleixo Belov cortava o mastro do histórico veleiro Três Marias para inaugurar o Museu do Mar

    Mastro do barco construído por ele mesmo, com o qual deu 3 voltas ao mundo, era maior que o teto do casarão tombado onde está exposto; veja como foi o processo