Expedição a um dos locais mais letais da 2ª Guerra encontrou 13 naufrágios das batalhas
Missão de 22 dias no Estreito de Iron Bottom, no Oceano Pacífico, utilizou robôs subaquáticos para localizar as embarcações


A Segunda Guerra Mundial não fez vítimas somente em terra. No mar, as batalhas também custaram vidas, muitas delas a bordo de embarcações — especialmente no Estreito de Iron Bottom, no Pacífico. Foi justamente por lá que uma expedição encontrou, a partir do uso de robôs subaquáticos, 13 naufrágios do período.
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A missão de 22 dias foi liderada pela organização americana Ocean Exploration Trust (OET) a bordo do navio de pesquisa E/V Nautilus, próximo a Guadalcanal, nas Ilhas Salomão. Usando tecnologia de ponta, pesquisadores conseguiram filmar e mapear destroços de naufrágios de embarcações americanas, australianas e japonesas que participaram da Segunda Guerra.
Essas descobertas mostram quantas histórias ainda estão escondidas nas profundezas do mar, esperando para serem contadas– ressaltou o Dr. Daniel Wagner, cientista-chefe do OET
Além da descoberta notável, o trabalho é tido como a primeira documentação visual de quatro desses naufrágios. Um deles ficou marcado por ser a proa do cruzador americano USS New Orleans, mas a lista ainda inclui o contratorpedeiro japonês Teruzuki, o USS Vincennes, USS Astoria, USS Quincy, USS Northampton, USS Laffey, USS DeHaven, USS Preston, HMAS Canberra, USS Walke, Yudachi e uma barcaça de desembarque.
Tecnologia e história caminham juntas
Estima-se que as batalhas navais no Estreito de Iron Bottom tenham custado ao menos 20 mil vidas, entre o naufrágio de 111 embarcações e a queda de 1.450 aeronaves. Logo, a expedição vai muito além da curiosidade e amplia o conhecimento do que aconteceu por ali à época, de modo a relembrar o sacrifício de quem lutou em guerras.


Para isso, duas tecnologias de ponta foram essenciais: os Veículos Operados Remotamente (ROVs) e um Veículo de Superfície não Tripulado (USV) DriX, controlado remotamente a partir de Honiara, capital das Ilhas Salomão.


Juntos, eles mapearam mais de 1.000 km² do fundo do mar, o que resultou nos mapas mais detalhados já feitos da região. Além disso, o trabalho tecnológico viabilizou mais de 138 horas de inspeções subaquáticas, em profundidades de até mil metros.
Os resultados foram compartilhados em uma transmissão ao vivo diretamente no site Nautilus Live. Além dos milhões de curiosos, a live teve a participação remota de arqueólogos e especialistas de mais de 130 instituições, em países como Japão, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos.
Juntos, eles contextualizaram o público sobre os naufrágios da Segunda Guerra Mundial que foram encontrados, ajudando o público a entender a importância do feito.
Conseguimos filmar os locais com qualidade sem precedentes e compartilhar tudo ao vivo com o mundo– destacou Robert Ballard, oceanógrafo e presidente do OET
Com o apoio da NOAA Ocean Exploration e do Ocean Exploration Cooperative Institute, a missão representa um considerável avanço na ciência, mas, mais do que isso, é uma importante ferramenta para imergir a população na história marítima.
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