Mais de 24h de prova: 55ª Regata Volta à Ilha Troféu Floripa tem Terroso como Fita Azul
Cerca de 300 velejadores participaram da 55ª Regata Volta à Ilha Troféu Floripa 350 NDTV no último sábado (9), em uma das maiores edições da principal regata de vela oceânica do estado de Santa Catarina. Ao todo, 40 barcos participaram da competição, que teve o Veleiro Terroso conquistando o troféu Fita Azul após mais de 24h de uma prova ainda mais desafiadora devido ao mau tempo.
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O evento, que encerra o calendário náutico do ICSC-Veleiros da Ilha, ficou marcado pelo desafio de percorrer 67 milhas náuticas ao redor da Ilha de Santa Catarina com condições climáticas nada favoráveis. Para se ter uma ideia, dos 40 barcos participantes, menos da metade conseguiu concluir o percurso.


A tripulação do barco modelo Carabelli 54 foi a primeira a completar a regata, com um tempo de 11h33min46s. Navegando sempre em direção ao sul da ilha, o Terroso liderou a regata do início ao fim.
Outros três barcos, dos mais rápidos da flotilha, buscaram a liderança: Zeus Team, Katana/Portobello e Catuana Kim. Poucos minutos depois do Fita Azul, o Katana/Portobello completou o percurso, confirmando a vitória na classe C30 e também na ORC, superando o Terroso no tempo corrigido. Quase uma hora depois, chegaram Catuana Kim e Zeus Team.
Regata superou 24 horas de duração
A prova teve início no sábado, às 10h, na Baía Sul, em frente à Sede Central do Veleiros da Ilha. Contudo, apenas quatro embarcações conseguiram completar o percurso no mesmo dia. Ao longo da tarde e início da noite, as primeiras desistências foram anunciadas.
Com a falta de vento — especialmente na parte sul da ilha — e as ondas altas devido ao forte vento da sexta-feira, alguns veleiros optaram por retornar à Sede Central.


O quinto barco a completar a Volta à Ilha foi o Ponta Firme, no início da madrugada. Logo depois, veio o Esperança, confirmando o título da classe Bico de Proa. Seguiu o Pangea, que chegou na Baía Norte para receber o sinal de chegada quando já se passavam 16 horas de regata, conquistando o título da classe RGS.
Durante a madrugada de domingo, chegaram Cavalo Loko e O. Zetta, enquanto nas primeiras horas da manhã os veleiros Bruxo e Kraken completaram o percurso de 67 milhas náuticas.
Os três últimos barcos da classe RGS Cruzeiro a chegarem foram o Lady Cris, Da Vinci e Açores III. Separados por minutos, a tripulação do Da Vinci venceu a classe no tempo corrigido.
Campeões da 55ª Regata Volta à Ilha Troféu Floripa 350 NDTV
Geral | Fita Azul: Terroso (Carabelli54);
ORC e C30: Katana/Portobello (Carabelli30);
RGS Geral: Pangea (Fast390);
RGS Cruzeiro Geral: Da Vinci (Schaefer31);
Bico de Proa: Esperança (Delta465).
A premiação da 55ª Regata Volta à Ilha Troféu Floripa 350 NDTV acontecerá nesta quarta-feira (13), às 20h, na Sede Central do Veleiros da Ilha.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
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