Novo motor Rotax Ghost é proposta ousada que promete revolucionar navegação

Mistura de motor de popa com centro-rabeta, criação da BRP lança nova categoria de motores náuticos

Por: Redação -
08/02/2023

A canadense BRP (fabricante dos jets Sea-Doo) lançou no ano passado um novo conceito de motor para barcos de lazer. Apelidado de Ghost — ou fantasma, em inglês —, o motor Rotax cria uma nova categoria de motores náuticos.

Rotax Ghost é um misto de motor de popa com centro-rabeta. Ele fica escondido sob a plataforma de popa, preso à parte externa do espelho de popa e quase totalmente submerso, desimpedindo totalmente a área da plataforma de popa dos barcos.

É fascinante a simplicidade com que certos milagres são feitos. Essa inovação da BRP surgiu para conquistar espaço no mercado de barcos em que vem investindo nos últimos anos, com a aquisição de três marcas de barcos de alumínio — as americanas Alumacraft e Manitou Pontoon e a australiana Quintrex.

 

A notícia, após a interrupção pela BRP da fabricação dos tradicionais motores de popa Evinrude, soou como música àqueles que consideravam a marca um verdadeiro símbolo de motor de popa — até hoje há uma legião de fãs pelo mundo, inclusive no Brasil.

 

Em termos técnicos, o novo Ghost é um motor de três cilindros, dois tempos, com injeção direta e está disponível nos modelos de 115 e 150 hp.

A maior diferença do motor Rotax Ghost para um motor de popa e centro-rabeta convencionais está na posição: o bloco do motor fica fixado na parte externa do espelho de popa, quase desaparecendo sob a plataforma traseira. Dessa forma, o Ghost trabalha na posição horizontal, formando um “L” com a rabeta.

 

Para evitar a entrada de águas no conjunto engrenagens/motor quando submerso, o novo Rotax recebeu reforço na estrutura do espelho de popa, além de proteção na carenagem contra corrosão e impactos.

Sua carcaça foi projetada e fabricada para atuar como uma caixa estanque usada para a proteção — como a das câmeras de fotografia sub —, o que impede a entrada de água. A entrada de ar na parte frontal superior da carenagem lembra a entrada de um snorkel, ou um submarino funcionando na superfície.

 

Mas, o que esperar do novo motor Rotax Ghost? “A ideia é desobstruir a área de traseira do convés, deslocando o motor para baixo da plataforma de popa, onde ficará fora de vista”, conta Fernando Alves, diretor da BRP no Brasil.

 

O visual fica muito mais bonito, aproveita-se melhor o espaço para o lazer, e a experiência a bordo se torna ainda melhor – Fernando Alves

 

Segundo o diretor, o novo motor se destaca também pelo contexto ambiental, oferecendo melhor desempenho com menos emissões e menos ruído.

“Nos testes, o Ghost foi 20% mais eficiente em termos de consumo de combustível que os motores de popa concorrentes da mesma potência e apresentou redução de 12% nas emissões em geral, sendo que em marcha lenta foi registrada uma redução de até 98% nas emissões de monóxido de carbono”, finaliza Fernando.

 

Por conta da localização (fica quase totalmente submerso abaixo da plataforma de popa), esse propulsor também produz baixo nível de ruído, melhorando o conforto a bordo.

Outro propósito da empresa com o lançamento desse projeto é aumentar o foco e os investimentos em novas tecnologias, oferecendo ao mercado algo diferente e inovador. Porém, esse motor não tem data para chegar ao Brasil, nem a garantia de que isso vai acontecer.

 

“Por questões logísticas e de volume global de produção atual, entendemos que a fabricação local seria mais viável para atender a demanda no Brasil. Mas este não é um projeto para o curto prazo”, esclarece Fernando.

 

Na prática, o que o motor Rotax Ghost promete deve fazer uma senhora diferença. Mesmo quem usa a lancha apenas por lazer tem ótimos motivos para comemorar a chegada do motor que abre espaço na plataforma de popa.

Afinal, é nela que as pessoas preferem ficar quando o barco está parado, em contato com a água, pescando, tomando sol ou entrando e saindo da embarcação para um mergulho.

 

Com o barco em movimento, todos querem ir para a frente. Quando para, acontece o contrário: todos vão para a popa, porque é ali que o barco é mais espaçoso e mais gostoso.

 

A má notícia: o novo motor de popa Rotax não será vendido separadamente. Por enquanto, o “Ghost” equipará apenas as embarcações das marcas Manitou, Alumacraft e Quintrex, que foram redesenhadas para receber a máquina. Ou seja, permanece exclusivo dos barcos de alumínio do grupo BRP.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Charles Leclerc recebe seu mais novo iate de luxo em cerimônia na Itália

    Piloto de Fórmula 1 comprou um Riva 102' Corsaro Super, marca do Grupo Ferretti. Embarcação foi entregue em 7 de maio e consolidou a 20ª do modelo nas águas

    Vem aí a 4ª edição do Marina Itajaí Boat Show, o maior evento náutico do Sul do país

    Salão catarinense acontecerá de 2 a 5 de julho, na Marina Itajaí. Ingressos já estão disponíveis com 30% off para o leitor NÁUTICA

    SailGP: equipe australiana se mantém na liderança após etapa em Bermudas

    Time brasileiro finalizou empatado na 12ª colocação do ranking geral, ao lado do time suíço. Próxima etapa acontece em Nova York

    Moon boat: conheça o barco em forma de lua pensado para enfrentar as águas do Golfo de Bengala

    Famosa na costa de Bangladesh, a embarcação artesanal chama atenção pelo formado arqueado do casco, que lembra uma lua crescente

    Teste Ferretti Yachts FY1000: maior Ferretti do mundo

    Testamos o maior barco em fibra de vidro produzido em série no Brasil, a Ferretti FY1000 — com cinco suítes e flybridge de 55 m² — fabricada pelo Grupo Okean em Santa Catarina. Uma embarcação que combina conforto, desempenho e a exclusividade de um iate de alto padrão