Jarros, pratos e canhões: naufrágio do século 16 surpreende com itens intactos; veja fotos

Itens de pelo menos 500 anos constituem boa parte da carga encontrada na França, que foi incrementada com lixo

26/06/2025
Alguns dos artefatos encontrados levam o monograma “IHS”, as três primeiras letras do nome grego de Jesus. Foto: Facebook Drassm / Reprodução

Registros da história nos ajudam a entender como a vida acontecia no passado e a traçar planos para o futuro. Nesse sentido, um naufrágio descoberto por acidente na França traz vestígios conservados do século 16 — embora com um toque do presente, representado por um assunto que não poderia ser mais atual: a poluição dos mares.

Na costa sudeste da França, perto de Saint-Tropez, a 2.642 metros de profundidade, o que parece ser um possível navio mercante italiano do século 16 representa uma verdadeira viagem ao passado. A embarcação, descoberta por acidente, está carregada de artefatos da época: cerca de 200 jarros, 100 pratos amarelos, um par de caldeirões, uma âncora e seis canhões.

Foto: Facebook Drassm / Reprodução

Observando os detalhes, a carga fica ainda mais intrigante. Alguns dos itens carregam o monograma “IHS”, as três primeiras letras do nome grego de Jesus, enquanto outros foram aprimorados por padrões geométricos ou inspirados em plantas. Para os arqueólogos, esses fatores são evidências que sustentam a tese de que a carga era originária da região da Ligúria, no atual noroeste da Itália.

 

O naufrágio, contudo, não traz apenas recordações do passado. Junto aos objetos históricos, foram encontrados, também, itens contemporâneos. As fotos feitas por robôs subaquáticos revelam ao menos dois artefatos que se parecem com latas de alumínio de bebidas.

Latas metálicas encontradas em meio à carga pode representar o lixo humano no fundo do mar. Foto: Facebook Drassm / Reprodução

A tese, embora não confirmada, não surpreende, já que não é incomum exploradores identificarem sacolas plásticas em alguns dos pontos mais profundos dos oceanos ao redor do mundo todo. Ainda assim, um futuro modelo digital 3D da embarcação deve revelar com mais exatidão os detalhes sobre os itens descobertos.


Naufrágio do século 16 foi descoberto por acidente

O “naufrágio mais profundo já encontrado em águas territoriais francesas”, como define Arnaud Schaumasse, chefe do Departamento de Arqueologia Subaquática, foi descoberto por acidente.

Foto: Facebook Drassm / Reprodução

Em março deste ano, militares franceses faziam uma expedição de rotina usando um drone subaquático, que visava monitorar potenciais recursos oceânicos e rotas de cabos em águas profundas. O que eles não esperavam era que o equipamento sinalizaria algo consideravelmente maior no mar.

 

Para entender melhor do que se tratava, a equipe voltou ao local mais preparada, desta vez com um robô subaquático equipado com uma câmera. Assim foi identificado o navio, registrado com 30 metros de comprimento por 7 metros de largura, posteriormente batizado de “Camarat 4”.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Conheça o megaiate ligado a bilionário russo que cruzou o Estreito de Ormuz em meio ao bloqueio

    Embarcação de 464 pés atravessou rota bloqueada pelo Irã mesmo não sendo um navio cargueiro. Veja mais detalhes do barco!

    De ameaça a oportunidade: peixe-sapo invasor pode virar fonte de renda no litoral do Paraná

    Novo projeto pretende avaliar se a carne do animal é boa para consumo e envolver os pescadores no monitoramento dessa espécie

    Da Antártica ao Brasil: navio Bandero, da operação internacional Krill Wars, pode ser visitado em Ilhabela

    Embarcação da Captain Paul Watson Foundation esteve envolvida em ações diretas para interromper a pesca industrial de krill. Visitas são gratuitas

    Tubarão é registrado a 500 metros de profundidade na Antártica e surpreende cientistas

    Registro de janeiro de 2025 mostra tubarão-dorminhoco desajeitado que pode chegar a medir 3 metros de comprimento

    158 anos depois, navio naufragado em lago dos EUA é encontrado

    Cargueiro Clough tinha 38 metros de comprimento e afundou em 1868 no Lago Erie após uma forte tempestade