Enorme rachadura na África pode formar um novo oceano; entenda
Estudo alerta que o movimento das placas tectônicas está "abrindo" a região de Afar, na Etiópia


A família de oceanos pode ganhar mais um membro daqui a alguns milhões de anos. Um grupo internacional de cientistas identificou que o calor vindo da Terra está, aos poucos, empurrando as placas tectônicas e esticando o terreno do nordeste da África. Esse fenômeno pode, muito futuramente, resultar em um novo oceano.
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O estudo foi publicado na prestigiada revista científica Nature Geoscience e mostra que o fluxo de material quente, conhecido como manto, não é contínuo, mas ocorre em intervalos cíclicos que se assemelham a “batimentos de um coração geológico” — de maneira lenta e contínua.


O epicentro dessa transformação ocorre na região de Afar, no nordeste da Etiópia, que está literalmente se abrindo. O local é árido, vulcânico e carrega fissuras que cruzam o chão, funcionando atualmente como um ponto de encontro de três grandes fendas: o Rifte da África Oriental, o Rifte do Mar Vermelho e o Rifte do Golfo de Áden.
Nessa zona, as placas tectônicas — movidas pelo calor interior da Terra — se afastam gradualmente e geram rachaduras cada vez maiores, além das fissuras que se estendem por longas distâncias. Algumas são tão grandes ao ponto de poderem ser observadas em imagens de satélite.


A comunidade científica já tinha conhecimento que o manto da região vinha pressionando a crosta terrestre e fazendo ela se abrir. Entretanto, o novo estudo jogou uma luz sobre o tema e trouxe detalhes de como esse fenômeno acontece.
Como pode nascer um novo oceano?
A principal causa desse evento é o calor que sobe do interior da Terra, que está criando um “coral de magma”. Essa força geológica empurra a placa tectônica lentamente e vai abrindo o solo aos poucos. Portanto, é exatamente essa “abertura” que pode levar à formação de um novo oceano na região.


De acordo com a pesquisa, esse fluxo quente sob Afar não é uniforme. O calor se concentra em canais e pulsa em diferentes intensidades. Logo, é esse desnivelamento que contribui para a forma como o solo está se afastando.
O estudo ainda informa que o afastamento ocorre em proporções diferentes nessas três grandes fendas de Afar.
- Rifte do Golfo de Áden: o afastamento ocorre a uma taxa de 15,5 mm por ano;
- Rifte do Mar Vermelho: o afastamento é de 14,5 mm por ano;
- Rifte da África Oriental: o afastamento é de 5,2 mm por ano.
Como batimentos cardíacos
Esses movimentos muito lentos funcionam como uma “respiração” da Terra. O calor sobe, o solo se abre e, com o tempo — muitos anos, na verdade — o continente se separa. Inclusive, essa força interna é a mesma que está por trás de vulcões e terremotos na região.


Em regiões onde as placas se afastam mais rápido, como o Mar Vermelho, essas pulsações viajam de forma mais eficiente e regular, como o sangue passando por uma artéria estreita-afirmou Tom Gernon, coautor do estudo
O nordeste da África abriga vulcões como o Erta Ale, um dos poucos no mundo com lago permanente de lava e registra tremores com frequência. Tudo por conta das forças internas que remodelam a superfície da Terra.
Segundo a pesquisa, o grupo analisou mais de 130 amostras de rochas vulcânicas coletadas no nordeste da África para o estudo.
E agora?
Por mais assustador que possa parecer a ideia de surgir um novo oceano, os cientistas fazem uma ressalva: esse processo é natural e extremamente lento. Não existe um prazo exato para que a separação seja completa, mas os especialistas apontam que pode levar dezenas de milhões de anos.
Entretanto, acompanhar movimentos como esse ajuda a entender como outros oceanos nasceram há centenas de anos. O Atlântico, por exemplo, surgiu da fragmentação da Pangeia, o supercontinente que começou a se romper há cerca de R$ 150 milhões de anos por conta do mesmo movimento das placas tectônicas.
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