Barreira invisível: corrente submarina isola populações de água-viva no fundo do mar

Pesquisa revela o papel das correntes profundas do Oceano Atlântico na distribuição de uma espécie

Por: Nicole Leslie -
29/08/2025
Água-viva Botrynema brucei (à esq.) e Botrynema brucei ellinorae. Fotos: Aino Hosia / University Museum of Bergen / Wikimedia Commons / Reprodução

Nas profundezas do oceano, uma espécie de água-viva esconde um segredo que tem intrigado cientistas: a criatura marinha se apresenta em duas formas morfológicas distintas. Mas enquanto uma delas é encontrada em todos os oceanos, a outra parece respeitar uma fronteira invisível.

A curiosidade motivou um estudo publicado na revista Deep Sea Research Part I: Oceanographic Research Papers. Nele, cientistas mergulharam na distribuição das águas-vivas da espécie Botrynema brucei, que tem o subgênero Botrynema brucei ellinorae, utilizando dados genéticos e registros históricos.

 

Embora parecidas, a B. brucei tem uma protuberância no topo, que a pesquisa chama de “botão apical”. Essas criaturas podem ser encontradas em todos os oceanos e latitudes. Já as B. brucei ellinorae, que não possuem o botão, são encontradas apenas nas águas frias do Ártico e do Subártico.

Ilustração mostra, em verde, águas-vivas B. brucei e, em vermelho, as B. brucei ellinorae. Foto: Deep Sea Research Part I: Oceanographic Research Papers / Reprodução

A pesquisa aponta que essa divisão geográfica é tão delimitada que é como se uma “barreira invisível” impedisse a água-viva sem o volume extra de se dispersar para outras regiões. O estudo sugere que o obstáculo não seja físico, mas sim a Corrente do Atlântico Norte, especificamente a Corrente de Limite Ocidental Profunda (DWBC, na sigla em inglês), que atua como um “corredor” subaquático.

Imagem mostra diferenças morfológicas entre espécie e subespécie da água-viva. Foto: Deep Sea Research Part I: Oceanographic Research Papers / Reprodução

Essa corrente funciona como uma divisória mesopelágica — uma fronteira natural que restringe o movimento de animais de águas profundas. A descoberta mostra que, mesmo em um ambiente aparentemente sem barreiras como o fundo do mar, grandes correntes podem moldar a distribuição de espécies.


Em um cenário de mudanças climáticas a níveis globais, entender melhor o fluxo das correntes oceânicas se torna ainda mais importante. Dessa forma, a ciência pode monitorar e proteger comunidades marinhas.

 

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