Nunca existiu: estudo nega presença de grande plataforma de gelo que cobria o Ártico

24/07/2025

Por muito tempo, perpetuou-se um debate sobre a existência de uma imensa camada de gelo que cobria completamente o Oceano Ártico. Agora, um novo novo estudo promete colocar um fim nessa discussão. Segundo a pesquisa, a enorme plataforma gelada nunca esteve lá — nem em lugar nenhum.

De acordo com o artigo, publicado na Science Advance, a plataforma continental de mais de 14 milhões de km² não ficou completamente coberta de gelo em nenhum momento dos últimos 750 mil anos — período que engloba as duas últimas eras glaciais. Ou seja, as águas do Ártico estiveram abertas o tempo todo.

Foto: Image-Source/ Envato

Pesquisadores da Into the Blue (i2B) analisaram a bioprodutividade da superfície da água, para estudar a quantidade de vida marinha presente na região. Afinal, se uma plataforma de gelo gigante pairasse por ali, o local seria pouco próspero — ou até inabitável — para as espécies aquáticas.

 

Os resultados surpreenderam: em vez de gigantes camadas geladas contínuas, houve, na verdade, gelo marinho sazonal (que se forma e derrete em diferentes épocas do ano). Além disso, os pesquisadores detectaram floração de fitoplâncton, tanto em períodos glaciais quanto interglaciais.

Foto: kiraliffe/ Envato

Por meio de um biomarcador químico, os estudiosos ainda identificaram a presença contínua de gelo marinho sazonal nos últimos 750 mil anos. Logo, mesmo durante as eras glaciais “recentes”, houveram períodos de águas abertas, que permitiam a prosperidade da vida marinha.

Pode ter havido plataformas de gelo de curta duração em algumas regiões do Ártico durante fases de frio especialmente intenso– Jochen Knies, autor do estudo, ao site da Universidade Ártica da Noruega

Porém, há uma exceção: durante o Estágio Isotópico Marinho (MIS) 16 — por volta de 676 mil a 621 mil anos — , os níveis de gelo marinho e fitoplâncton foram extremamente baixos, o que sugere condições particularmente severas. Logo, especula-se que existiu plataformas maiores ou de curta duração.

Estava ali o tempo todo

Para a pesquisa, os cientistas usaram o Modelo do Sistema Terrestre (AWI-ESM2), que simulou as condições climáticas do Ártico em alta resolução. Também foram analisados núcleos de sedimentos coletados no fundo do mar, que possuem minúsculas químicas de algas que viveram no oceano há milhares de anos.

Foto: Image-Source/ Envato

Segundo o estudo, a massa de água levava gelo marinho o ano todo, até mesmo durante o auge glacial dos últimos 750 mil anos. Inclusive, os Mares Nórdicos, que também foram analisados no artigo, apresentavam gelo marinho sazonal por conta da persistência de águas quentes do Atlântico.

Mesmo nessas glaciações extremas, a água quente do Atlântico ainda fluía para o Ártico. Isso ajudou a evitar que partes do oceano congelassem completamente– afirmou Knies

“Isso nos diz que deve ter havido luz e água aberta na superfície. Você não veria isso se todo o Ártico estivesse coberto por uma camada de gelo com um quilômetro de espessura”, completou o principal autor do estudo.

Para entender a complexidade do clima ártico há milhares de anos, a pesquisa enfatiza a diferença entre plataformas de gelo e gelo marinho: a primeira é composta por grandes massas de gelo flutuantes conectadas a geleiras, enquanto a outra é uma formação que se dá pela congelação da água do mar.

 

Contudo, Jochen Knies é categórico sobre a existência de uma enorme plataforma de gelo no Ártico, conforme se debatia: “não encontramos evidências de uma única plataforma de gelo maciça que cobrisse toda a região por milhares de anos”, e ponto final.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Iniciativa aposta no DNA ambiental para encontrar soldados perdidos no mar

    Projeto testa uso de eDNA para localizar restos de mais de 40 mil militares americanos desaparecidos no mar desde a Segunda Guerra Mundial

    Casco expansor que se acopla ao jet será uma das atrações do Rio Boat Show 2026

    O Raptor Boat é fabricado pela Edy Jet's Náutica, que detém parque fabril próprio em Magé (RJ). Evento acontece de 11 a 19 de abril

    Filhote de tubarão gravemente ameaçado de extinção nasce em aquário no Paraná

    Tubarão-galha-branca-oceânico nasceu ao final de janeiro de 2026 no recém-inaugurado AquaFoz, em Foz do Iguaçu

    Novidade: Grupo OKEAN passa a produzir a recém-lançada Ferretti Yachts 940 no Brasil

    Iate de 28,97m é tido como o 2ª maior barco em fibra de vidro produzido em série no país. Modelo será desenvolvido na fábrica da OKEAN em Itajaí (SC)

    Florestas marinhas, essenciais no combate à crise climática, passam por "desmatamento" silencioso

    Formadas especialmente pelos sargaços, elas exercem papel ecológico e econômico nos ecossistemas costeiros, incluindo sequestro de carbono