Atum carrega alto nível de mercúrio há décadas; entenda o motivo

01/04/2024

Peixe de água salgada presente em variados pratos culinários, o atum esbanja benefícios: ajuda o coração, melhora do sistema imunológico, fortalece a saúde dos olhos e dos ossos, melhora a pele, constrói músculos e traz ainda uma série de outras qualidades. Em contrapartida, o animal carrega consigo, também, altos níveis de mercúrio.

Esse é um assunto que há décadas intriga os cientistas, visto que esse elemento tóxico, liberado principalmente pela queima de carvão, teve seu nível na atmosfera reduzido em até 90% desde 1990 — mas segue estável no atum desde 1971.

Como o atum é contaminado pelo mercúrio

Seguindo a ordem natural das coisas, o mercúrio liberado no ar não some, simplesmente. Ele vai para algum lugar. E um desses destinos é o oceano, habitat desses peixes.

 

Quando solto na natureza pela queima do carvão, por exemplo, essa substância é nomeada como mercúrio inorgânico. Já no mar, o material é depositado em sedimentos que posteriormente se tornam alimento para certos micro-organismos.

 

O consumo da substância por esses agentes transforma o metal em uma nova variante, indo de mercúrio inorgânico para o metilmercúrio, a forma mais perigosa do material químico, que acaba sendo consumido por outros seres marinhos — como crustáceos, peixes de pequeno porte e plânctons. Dessa forma, quando o atum se alimenta de presas contaminadas, acumula mercúrio em seu próprio organismo.


Legado de mercúrio nos peixes

Dentre as principais fontes de liberação de mercúrio na atmosfera estão a mineração de carvão e ouro, a queima de carvão, atividades da indústria e o processamento de resíduos. Tendo essa informação, atividades como essas passaram a ser restritas, o que resultou em uma queda de 90% nas emissões do metal na atmosfera desde 1990.

Assim, pesquisadores buscaram entender se essa queda havia afetado os níveis de mercúrio no peixe. Para isso, analisaram dados de quase 3 mil amostras de músculo de atum, de animais dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico, incluindo gaiado/bonito, patudo e albacora, que, juntos, representam 94% das pescas globais da espécie.

 

No estudo, publicado na revista acadêmica Environmental Science & Technology Letters, os pesquisadores mostram que os níveis de mercúrio no atum permaneceram constantes entre 1971 e 2022, e o fato pode estar ligado ao “legado enorme de mercúrio que está nas profundezas do oceano“, conforme explicou Anaïs Médieu, do Instituto Nacional Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável e autora do estudo, à BBC News.

 

De acordo com os cientistas, os níveis constantes podem ser causados por emissões de muitas décadas — ou até séculos atrás. Esse “legado” de mercúrio acumulado no fundo do mar “se mistura com a superfície do oceano, onde os atuns nadam quando se alimentam”, comenta Médieu, que completa: “é por isso que temos um fornecimento contínuo deste mercúrio histórico que foi emitido décadas ou séculos atrás”.

Mesmo com uma redução massiva nas emissões de mercúrio, nossos resultados mostram que vamos ter de ser pacientes até vermos uma mudança nos níveis de mercúrio do atum– Anne Lorrain, coautora do estudo à BBC News

Como o mercúrio no atum afeta os humanos

Entre os danos causados à saúde humana devido ao mercúrio presente no atum estão, principalmente: danos ao sistema nervoso, impactos cardiovasculares, dificuldade de excreção dos resíduos pelos rins e danos a um feto ou bebê em desenvolvimento durante a gravidez.

 

As consequências, porém, vão depender da quantidade de metal consumido e da frequência. Em caso de suspeita por envenenamento, o recomendado é buscar ajuda médica o mais rápido possível.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    3º dia de São Paulo Boat Show: veja as fotos de quem passou no Lounge NÁUTICA!

    Espaço é o ponto de encontro de personalidades do setor durante o salão náutico, que segue até 29 de setembro no São Paulo Expo

    Pontoons em alta: Fluvimar atualiza linha com foco em mais conforto e sofisticação

    No São Paulo Boat Show, marca apresenta três embarcações, incluindo o carro-chefe da linha, que recebeu mudanças na área gourmet, no banheiro e nos acabamentos

    "Virada de chave": Azov estreia Z440 HT, lancha com proa espaçosa e feita para a família

    Estaleiro pernambucano apresentou barco de 44 pés, que acomoda até 20 passageiros e seis para pernoite; evento segue até dia 29

    Catamarã 99: como barco menos potente que o de Eike Batista quer quebrar recorde da Santos-Rio

    Embarcação de 39,6 pés aposta em fibra de carbono, baixo peso e dois motores Mercury 500 Racing para tentar reduzir a marca atual em quase 1h

    Quarto dia do São Paulo Boat Show 2026 tem live da NÁUTICA

    Transmissão acompanha a movimentação do evento neste domingo no São Paulo Expo