Barcos nazistas podem ter sido encontrados na costa da Argentina

Tese é de pesquisador que há 30 anos investiga fuga de Hitler e outros nazistas ao país por submarinos

16/04/2025
O jornalista argentino Abel Basti há 30 anos investiga a fuga de nazistas por submarinos rumo à Argentina. Foto: Abel Basti / Reprodução

O pesquisador argentino Abel Basti é um grande defensor da tese de que, ao final da 2ª Guerra Mundial, uma fuga em massa teria levado oficiais nazistas pelo mar à costa Argentina — incluindo Adolf Hitler. Assim, quando ele soube que barcos de metal haviam sido encontrados abandonados em uma praia da região de Camarones, na província de Chubut, na Patagônia argentina, não pensou duas vezes para ir averiguar.

Espalhados pela costa estavam cinco embarcações semelhantes entre si: casco de metal com quatro metros de comprimento e fundo liso e chato. As características são típicas de barcos feitos para encalhar na areia e desembarcar cargas e pessoas.

 

Segundo o pesquisador, as embarcações estão “desfiguradas”, uma vez que foram usadas por anos pelos pescadores da região, antes de serem abandonadas. “Em qualquer país que preze a história, estes botes já estariam em museus”, afirma.

Foto: Abel Basti / Reprodução

Para ter a certeza de que os barcos encontrados foram os mesmos que deram apoio aos nazistas na fuga em massa, Basti coletou fragmentos dos cascos e enviou para laboratórios na Europa, que estão analisando e comparando as ligas metálicas com os materiais utilizados pelos alemães à época.

 

Embora os resultados ainda não tenham sido revelados, ele afirma que “esses botes foram barcos de apoio dos submarinos nazistas e eram transportados dentro deles, como comprovam as plantas daquelas naves de guerra que eu tenho em meus arquivos. Tenho certeza que o resultado será positivo”. Vale ressaltar que Basti é autor de 12 livros sobre o assunto.

Teremos a confirmação oficial disso em breve, porque o governo argentino acaba de ‘desclassificar’, ou seja, deixar de tornar secretos, documentos que estavam guardados desde aquela época– garante Basti

Uma nova história?

Se a tese de Basti se confirmar, a história do nazismo como conhecemos deve ganhar novos rumos. Isso porque acredita-se que Hitler teria se suicidado em 30 de abril de 1945, em Berlim. Para o pesquisador, contudo, o ditador morreu 28 anos depois, em 1973, aos 84 anos de idade, de morte natural, em uma localidade do Paraguai.

 

Basti afirma ter documentos soviéticos que indicam a participação de até 15 submarinos no comboio da fuga em massa, apesar de o governo argentino reconhecer oficialmente apenas dois, que se renderam em agosto de 1945 em um episódio um tanto quanto mal explicado.


Segundo o pesquisador, esses dois submarinos serviram como distração para encobrir a chegada dos demais, que teriam sido afundados para apagar provas — de acordo com Basti, um deles está localizado próximo ao porto de Quequén.

 

Além disso, outros episódios envolvendo submarinos misteriosos ocorreram nas décadas seguintes. Em 1958, um deles, desconhecido, invadiu um exercício militar argentino. Em 1960, outro permaneceu por 17 dias sendo perseguido por forças argentinas, sem jamais ser identificado — situações possivelmente ligadas à Guerra Fria.

 

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    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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