Consultor da Invest/SP ensina caminho para a criação de Distritos Náuticos

A ideia foi defendida pelo economista Gustavo Grisa durante o 9º Congresso Internacional Náutica

13/10/2024
Gustavo Grisa. Foto: Jhony Inácio / Revista Náutica

“Imagine pássaros que não podem pousar”. Com essa metáfora, o economista Gustavo Grisa — consultor da Invest/SP, Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade — defendeu a necessidade de construção de píeres, marinas e estruturas para embarque e desembarque como o básico do básico para a criação de um Distrito Náutico.

Durante o 9º Congresso Internacional Náutica, Grisa apontou o modelo de futuro para que os municípios com vocação para o turismo náutico se desenvolvam, tendo como foco os integrantes do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud) — que prevê a cooperação entre os governos dos estados de Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Gustavo Grisa. Foto: Jhony Inácio / Revista Náutica

Para Grisa, todos os setores são concorrentes quando se trata de Cosud, com exceção do turismo náutico. De acordo com o economista, cada estado é interdependente do outro por conta de “escala e Grid” — ou seja, locais específicos para desenvolver a atividade náutica.

É necessário que o setor cresça em São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina e em todo o Brasil. Não existe sentido concorrencial– Gustavo Grisa

“O grid é único em cada estado. Então, se existe uma política em torno da qual os estados têm de se unir, para construir uma grande indústria de turismo náutico, a política é essa. Foi isso o que aconteceu em vários países da Europa e nos Estados Unidos”, disse o consultor da Invest/SP.

Gustavo Grisa. Foto: Jhony Inácio / Revista Náutica

É aí que entra a metáfora dos pássaros. “É necessário a formação dos Distritos Náuticos, com a construção e o planejamento de píeres, marinas e estruturas para embarque e desembarque, que também podem ser portos fluviais e marítimos. É o básico. Sem a estrutura não há onde parar”, lembrou ele.

Gustavo Grisa. Foto: Jhony Inácio / Revista Náutica

Mas o turismo ocorre em terra, não na água. As vias navegáveis são apenas o meio. “Então é preciso ter bons hotéis, resorts, restaurantes etc., além de uma boa oferta de serviços e de comércio. O Distrito Náutico não pode ser um lugar precário”, defendeu o economista.



Isso significa que é necessário olhar para os nossos destinos, nos quais serão instaladas as principais estruturas náuticas, e organizá-los, para que não haja um crescimento desordenado, mas, sim, sustentável. Segundo ele, dois temas definem essa política: governança e sustentabilidade ambiental.

Governança no sentido de que empresários e o poder público municipal e estadual devem pensar juntos. É isso que fará com que a economia do turismo náutico dê um salto no Brasil– Gustavo Grisa

O Congresso Internacional Náutica é o principal evento do Brasil voltado a prefeitos, secretários de turismo e agentes do setor que buscam o crescimento econômico-social por meio do turismo das águas. As palestras antecederam a abertura ao público do São Paulo Boat Show 2024, que contou com mais de 170 barcos em exposição, 50 lançamentos gerais, além de uma série de produtos e serviços.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Vem aí a 4ª edição do Marina Itajaí Boat Show, o maior evento náutico do Sul do país

    Salão catarinense acontecerá de 2 a 5 de julho, na Marina Itajaí. Ingressos já estão disponíveis com 30% off para o leitor NÁUTICA

    SailGP: equipe australiana se mantém na liderança após etapa em Bermudas

    Time brasileiro finalizou empatado na 12ª colocação do ranking geral, ao lado do time suíço. Próxima etapa acontece em Nova York

    Moon boat: conheça o barco em forma de lua pensado para enfrentar as águas do Golfo de Bengala

    Famosa na costa de Bangladesh, a embarcação artesanal chama atenção pelo formado arqueado do casco, que lembra uma lua crescente

    Teste Ferretti Yachts FY1000: maior Ferretti do mundo

    Testamos o maior barco em fibra de vidro produzido em série no Brasil, a Ferretti FY1000 — com cinco suítes e flybridge de 55 m² — fabricada pelo Grupo Okean em Santa Catarina. Uma embarcação que combina conforto, desempenho e a exclusividade de um iate de alto padrão

    Maior espécie de raia no mundo é vista no litoral de SP e catalogada por especialistas

    Com quase 6 metros de envergadura, fêmea surpreendeu equipe do Projeto Mantas do Brasil em Itanhaém, na Baixada Santista