Já nas bancas e no app: confira destaques da edição 394 da Revista NÁUTICA
Material conta com o teste de 4 lanchas, conteúdos exclusivos e histórias imperdíveis de nomes conhecidos do setor. Veja!


A edição 394 da Revista NÁUTICA promete levar seus leitores a uma imersão náutica repleta de histórias impressionantes. O conteúdo chega recheado, com direito a quatro testes detalhados de lanchas, a história de um veleiro “de grife”, detalhes do trabalho do fotógrafo “amigo das baleias” e muito mais.
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Já disponível nas bancas e no aplicativo de NÁUTICA, a edição 394 está imperdível. Para baixar gratuitamente o app, basta acessar a App Store (iOS) ou o Google Play (Android). Lembrando: por lá, assinantes têm acesso antecipado às matérias e as edições podem ser adquiridas de forma avulsa.
Veja os destaques da edição 394 de NÁUTICA
Beto e Thaís fora de série
Estrelas da série “A Europa como você nunca viu”, do canal de NÁUTICA no YouTube, o casal desliza pelos canais holandeses com a mesma desenvoltura de quem passeia pela Baía de Guanabara, a bordo de um barco centenário. Junto, vão o pequeno Domenico e o cachorro Google.


O barco voador
A bordo de um monocasco da classe IMOCA60, o francês Charlie Dalin demoliu o recorde de velocidade da Vendée Globe, completando a volta ao mundo em 64 dias – dez a menos que a marca anterior.


O veleiro mais belo do mundo
Preciosidade marítima, o quase centenário Creole, com casco de madeira, estava a ponto de virar sucata quando foi comprado e restaurado pelo herdeiro do império da moda Gucci, há 40 anos. E continua navegando, bonito como antigamente


Brasileiro de coração
Na E1 Series — a competição de barcos elétricos –, em meio a uma constelação de estrelas do esporte e das artes (Tom Brady, Rafael Nadal e Will Smith estão entre eles), o boliviano Marcelo Claure rouba a cena como dono da equipe Team Brazil.


Desbravando o Lago de Itaipu: um guia para navegar e explorar
Um manual para orientar os proprietários de barcos a explorar todo o potencial do reservatório da usina hidrelétrica — e na medida para levar a bordo. O guia navega por todas as cidades lindeiras — as que estão às margens do Lago de Itaipu –, indicando o que fazer em cada um dos 16 destinos, que englobam municípios do Paraná e Mato Grosso do Sul.


Piloto por um dia
O passeio Guiado é uma emocionante e divertida opção para quem deseja comandar uma moto aquática sem ainda ter habilitação de motonauta. A reportagem de NÁUTICA se jogou na nova modalidade para conseguir a autorização temporária para pilotar um jet — válida por 30 dias — e acelerou sobre as águas da Represa Billings, em São Paulo.


Adeus, cracas
Respeitado pela inovação, o JRG Group oferece uma linha de produtos exclusiva para impedir a aderência desses bichinhos infernais tanto no fundo do casco como nas superfícies móveis de metais, como hélice, eixo e leme.


Alma de navegante
Theodora Prado era executiva do mercado financeiro, em São Paulo, e dedicava quase todo seu tempo ao trabalho, quando decidiu mudar o rumo da vida. Em apenas quatro anos, começando do zero, está prestes a completar sua terceira travessia do Atlântico!


O amigo das baleias
Há oito anos o fotógrafo Rafael Mesquita Ferreira dedica sua vida a captar o balé de baleias, arraias e outros animais marinhos. Celebrado como “o fotógrafo das baleias”, por suas belas imagens dos cetáceos, ele prefere outra referência: a de “cientista cidadão”.


Na Bahia, até o rali é uma festa
Com roteiro caprichado, emoldurado por alguns dos cartões-postais mais festejados da costa baiana, o Rally dos Mares reúne, todo ano, 100 pilotos de jet. Na edição deste ano, se a disputa foi boa, a comemoração foi melhor ainda.


O protetor: uma nova esperança para a Guarapiranga
Dia 22 de março, Dia Mundial da Água, faz aniversário de 6 anos uma entidade civil, sem fins lucrativos, criada para promover e preservar o manancial que, mesmo tão maltratado, continua a abastecer quase a metade da cidade de São Paulo.


Conheça a missão da ANGua e descubra quem está por trás desse projeto que combina preservação ambiental, cultura, educação e esporte, mantendo viva a esperança de uma Guarapiranga revitalizada e acessível a todos.
Testes Náutica na edição 394
Schaefer V33 Sport Fish: Pesca com classe
No disputado segmento das lanchas de console central, a Schaefer V33 Sport Fish oferece recursos de sobra para encarar pescarias em jornadas até 20 milhas distantes da costa. E ainda tem ótimo desempenho.


Azimut Fly 56: Sotaque italiano
Equipada com motorização IPS 950 e com design irretocável, a nova Azimut 56 Fly tem três camarotes. Na suíte de meia-nau, que normalmente desafia os projetistas a entregar altura, o pé-direito chega a 1,94 metro! E ainda há um closet de bônus.


Focker 300 Gran Turismo: Uma lancha para a família
A Focker 300 GTS tem belo design, acabamento de primeira, cabine para até seis pessoas e ótimo aproveitamento de espaço no cockpit. Sem contar aquele nível de construção, típico da Fibrafort.


Ross SLR 260 Fusion: Pequena grande lancha
A Ross 260 Fusion tem um bom espaço no cockpit, é bem-feita e vem equipada com banheiro, mesmo tendo a proa aberta. Mas seu maior trunfo é a navegação: rápida, firme e segura.


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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!




