Falkirk Wheel: conheça o elevador gigante para barcos que virou ponto turístico

Construção na Escócia foi feita para driblar desnivelamento maior que um prédio de dez andares

14/06/2024
Foto: Scottish Canals/ Divulgação

Uma das maiores e mais criativas soluções da engenharia. Assim pode ser descrita a Falkirk Wheel, uma espécie de elevador gigante apenas para barcos. A estrutura, localizada na Escócia, liga o Forth & Clyde Canal ao Union Canal. O detalhe é que os dois canais são separados por 35 metros de altura.

Primeiramente, é preciso saber como era a vida no local antes desta gigante roda. Os dois canais (Forth & Clyde e Union) se cruzam, em meio a duas valas artificiais cheias de água. Mesmo que nada impedisse a passagem dos barcos, havia um porém: um enorme desnível, maior do que um prédio de dez andares.

Foto: Instagram @falkirkwheel/ Reprodução

Para driblar essa situação, os dois canais eram conectados por 11 eclusas. Essas espécies de “degraus hidráulicos” até permitiam a passagem das embarcações, mas até que os barcos descessem todo o desnivelamento, se perdia quase um dia inteiro.

Foto: Scottish Canals/ Divulgação

Pensando em agilizar esse processo, o elevador gigante para barcos foi criado. Logo, além de substituir as 11 eclusas, a engenhoca elimina 32 obstruções de navegação. Com essa “roda gigante”, as dezenas de horas perdidas antigamente se transformaram numa economia de tempo absurda. Confira!

 

Caminho até o elevador rotativo

A jornada até que esse elevador para barcos nascesse foi longa e cheias de contratempos. Dos anos 30 até meados dos anos 90, os canais foram renovados e fechados mais de uma vez, além de viver uma época de muita burocracia e poucos planos que, de fato, facilitassem a vida dos navegantes.

Foto: Instagram @falkirkwheel/ Reprodução

Reconstruir ou tentar consertar as eclusas estava fora de cogitação. E em meio ao vácuo de ideias, a British Waterways, órgão britânico fundado nesse meio tempo, criou um plano para reabrir os canais. Assim, em parceria com outras instituições, nascia a ideia do elevador rotativo.

 

O design atual, porém, só surgiu em 1999, após consultoria com uma equipe de 20 arquitetos. E, após muitas projeções, em 2002 finalmente era inaugurado — e com presença da Rainha Elizabeth II — a roda de Falkirk, de vão único, capaz de descer uma carga enquanto outra sobe, simultaneamente.

Lembra que os antigos viajantes levavam horas para essa missão? Com essa enorme roda, o transporte de um canal a outro dura apenas quatro minutos.

 

E mais um ponto positivo do elevador para barcos é seu consumo mínimo de energia, já que o peso do barco (ou quantidade de água) que desce ajuda a levantar o que está na outra ponta.

Foto: Visit Scotland/ Divulgação

O processo de montagem ainda exigiu uma escavação de um túnel e o levantamento de um aqueduto “impossível de ser construído” — pelo menos, era o que se dizia na época. Mas graças a utilização de técnicas bem inovadoras, mais esse obstáculo foi derrubado pela engenharia.

Deu a volta por cima

Como uma roda gigante, este elevador para barcos também já viveu seus altos e baixos — com muito mais altos. Pouco antes da sua cerimônia de abertura, vândalos forçaram os portões da Falkirk Wheel, causando um dano de 350 mil euros (quase R$ 2 milhões em conversão realizada em junho de 2024).

Foto: Instagram @falkirkwheel/ Reprodução

Mas hoje, a gigantesca roda de Falkirk é um verdadeiro sucesso e virou até um ponto turístico na Escócia. Mais de 500 mil pessoas visitam o elevador para barcos todos os anos. Além de lindo de se ver, o local oferece um passeios a bordo de barcos, stand-up paddle, canoagem e muito mais atrações.

Foto: Instagram @falkirkwheel/ Reprodução

É claro que uma obra tão engenhosa como essa não poderia ficar sem premiações. Por conta dos esforços dos idealizadores em fazer um projeto eficiente, com pouco uso de energia e impacto quase zero no meio ambiente, a Falkirk Wheel é multipremiada pela Green Tourism Business Scheme (GTBS), organização britânica ligado ao turismo verde.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Tags

    Relacionadas

    Maromba até debaixo d’água, mergulhador bate recorde inusitado

    O egípcio Ramy Abdelhamid, de 36 anos, realizou 33 barras a 9 m de profundidade e entrou para o Guiness

    Megaiate se espreme para cruzar canais holandeses: assista

    Modelo da Feadship tem quase 80 m e é o mais novo barco de Lawrence Stroll, presidente executivo da Aston Martin

    Aguapés formam "campos de futebol" no Rio Tietê e afetam desde turismo náutico até a pesca

    Jornalista Carlos Nascimento, que faz passeios de barco na região, explica como problema afeta navegação no interior de SP

    Cinco motores, muitas funções: Mercury atracará no Rio Boat Show 2025 com novidade

    Equipamento estará de "cara nova" na Marina da Glória. Evento acontece de 26 de abril a 4 de maio

    Imagens de satélite e IA revelam milhares de navios fantasmas nos oceanos

    Pesquisa mostra que 75% dos navios pesqueiros industriais do mundo estão ocultos a olho nu. Entenda os impactos