Apenas 4km de distância e fuso horário de 21h: conheça as Ilhas Diomedes

09/01/2024

Tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe. Apesar de dividirem o mesmo arquipélago e estarem a apenas 4 km de distância uma da outra, as Ilhas Diomedes (Pequena e Grande Diomedes) tem um fuso horário de incríveis 21h.

Isso se deve pelo fato de que as ilhas são politicamente separadas, entre Estados Unidos e Rússia. Enquanto a Pequena Diomedes fica no Alasca (EUA), a Grande Diomedes pertence ao território russo, na Sibéria, ambas no Estreito de Bering, que liga os oceanos Pacífico e Ártico.

Foto: NASA / Divulgação

Na prática, Grande Diomedes opera em GMT+14 (14 horas a mais em relação ao Meridiano de Greenwich), e Pequena Diomedes está a GMT-9. Sendo assim, apesar da curta distância, enquanto a ilha nos EUA comemorava a virada de ano, a parte russa já se preparava para dormir e enfrentar o segundo dia de 2024 em poucas horas.

A divisão política entre as Ilhas Diomedes

As Ilhas Diomedes sofrem com a divisão política que as separam desde 1867, quando foram compradas pelos países rivais. Desde então, acessar as ilhas pelo mar é ilegal e, o trajeto que seria percorrido de barco em 10 minutos, acaba levando 21 horas — já que é necessário contornar o mundo para visitar as duas.

 

Visando unir os dois países e acabar com a divisão entre as ilhas, em 1987 (quando a Rússia ainda era a União Soviética), a nadadora de longa distância e escritora estadunidense Lynne Cox realizou, a nado, a travessia do canal que separa as ilhas.

 

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Após mais de 2 horas, Cox chegou à Grande Diomedes saudada pelos líderes dos dois países à época: Ronald Reegan e Mikhail Gorbachov. Apesar disso, sua atitude não obteve êxito, e as ilhas continuaram separadas como são até os dias atuais.

 

Outras opções de união das Ilhas Diomedes já foram sugeridas, como um túnel inspirado no Eurotúnel (que liga Folkestone, Kent, no Reino Unido, com Coquelles, em Pas-de-Calais, no norte da França, sob o Canal da Mancha no Estreito de Dover).


A ideia mais aceita, no entanto, é a de uma ponte, que levaria o nome de Ponte Intercontinental da Paz, já que, na Guerra Fria, o arquipélago se tornou a “Cortina de Gelo” entre ambos — na região, as temperaturas podem chegar aos – 40ºC, daí o nome.

 

Fato é que, por enquanto, o mais próximo que as ilhas chegam de uma “união” é durante o inverno, quando o mar congela e Pequena e Grande Diomedes ficam ligadas por uma espécie de “pista de gelo”.

A vida nas Ilhas Diomedes

Atualmente, a vida nas Ilhas Diomedes é restrita ao lado estadunidense do arquipélago. Por lá, cerca de 118 habitantes da comunidade Inupiaq (que ocupam a região há três mil anos) vivem da pesca e caça de focas, ursos e raposas em um território de aproximadamente 7,4 km², com em torno de 40 casas.

 

Uma escola na região é responsável pela educação de crianças do Jardim de Infância ao Ensino Médio. Por outro lado, não existem estruturas para cuidados médicos e, para serem atendidos, os moradores dependem de transporte aéreo até o continente americano.

Pequena Diomedes, no território dos EUA, tem cerca de 118 habitantes. Foto: Departamento de Seguranca Interna dos Estados Unidos / Divulgação

Já na Grande Diomedes não há moradores desde a Guerra Fria, uma vez que, durante esse período, a então União Soviética expulsou os esquimós que viviam no local, preocupados que se tratassem, na verdade, de espiões.

 

Os esquimós foram realocados para o continente e, até hoje, ninguém mais habitou a ilha — há apenas uma base militar russa, construída no mesmo período, logo após a saída dos esquimós.

Ficou com vontade de conhecer as ilhas?

Se a ideia for se aventurar e conhecer as Ilhas Diomedes, é necessário se preparar adequadamente, já que o desafio será grande. As baixas temperaturas tornam a visitação difícil e, para chegar no território, é necessário pegar um avião até o aeroporto de Nome, no Alasca (EUA) e, então, embarcar em um helicóptero que faça o percurso.

 

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