Futurista e feita de titânio: conheça a lancha de 55 pés que parece uma nave espacial
Se prepare para conhecer uma lancha que está sendo produzida nos Emirados Árabes Unidos e que parece uma nave especial sobre as águas. Estamos falando da primeira embarcação projetada pela Mirrari, estaleiro emiradense recém-chegado ao universo náutico e que pretende inovar o mercado.
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Com um estilo futurista, o design da lancha de 55 pés (16 metros de comprimento) mistura o toque natural com o espacial. Não à toa ela será construída em parceria com o estaleiro Enata Marine, também dos EAU, que utiliza técnicas de fabricação encontradas na indústria aeroespacial e inclui até o uso de robôs.


Já que a embarcação foi feita para durar, os designers decidiram utilizar materiais diferenciados para construir o Mirrari, como fibra de carbono, fibra sintética de aramida e titânio. Assim, a lancha que lembra uma nave espacial fica mais leve e desempenha melhor na água.
O barco futurista promete ampla sensação de espaço, graças às áreas cobertas em ambas as extremidades. A superestrutura ainda conta com uma cúpula de vidro dinâmica e um casco leve — porém forte. Essa estética tem inspiração em “intricados esqueletos de aves”, segundo a marca.


Por todos esses detalhes, o Mirrari promete não só entregar apelo visual, mas também uma resistência excepcional. O premiado designer Timur Bozca, em colaboração com a Enata, também garantiu uma estética agradável e uma tecnologia avançada para o barco de lançamento da marca.
Eu sabia que seria algo extraordinário– Timur Bozca
Por dentro da “nave espacial”
Móveis modernos, iluminação em tons claros, materiais de alta qualidade e uma paleta neutra sutil. Esses elementos definem a parte interna da lancha, que mescla o design espacial com a sofisticação de um barco de luxo. Além disso, bancos almofadados entregaram ainda mais conforto aos convidados.






O andar superior conta com dois salões — interno e externo –, uma área de jantar e o leme, enquanto o inferior tem duas cabines privativas, uma cozinha e um pequeno lounge. A popa vem equipada com churrasqueira e um bar — que ostenta um grande solário –, e a proa é forrada com assentos luxuosos.




Por fim, a tecnologia da Enata estará presente pelo sistema Wingman. Este recurso permite que o dono controle vários aspectos do barco de maneira remota, como realizar diagnósticos e implementar uma manutenção preventiva. Ainda não há nenhuma informação da Mirrari sobre a motorização.
O começo de um sucesso?
Com entrega prevista para 2025, a lancha em formato de nave espacial ainda está em construção. Mas ao que depender do ambicioso Rashed Al Shaali, essa será a primeira de muitas. Descendente da família fundadora do estaleiro Gulf Craft, ele tem a Mirrari como seu primeiro empreendimento próprio.


Embora essas experiências tenham sido inestimáveis, elas também me revelaram a estagnação da indústria náutica, despertando meu desejo de mudança– Rashed Al Shaali
Com o lançamento da Mirrari, o empresário dos Emirados Árabes Unidos espera inovar no setor de embarcações de luxo, e está ansioso para que sua “nave espacial” conheça as águas pela primeira vez.
Mal posso esperar para que o primeiro Mirrari seja revelado ao mundo– disse Al Shaali
Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
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Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
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Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
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Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
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