Geleira derretida revela cemitério de baleias na Rússia

Descoberta foi feita acidentalmente enquanto cientistas exploravam derretimento na Ilha Wilczkeg, no Ártico euroasiático

01/08/2025
Foto: AARI/ Divulgação

Mais do que o derretimento do gelo, o que tem chamado a atenção da comunidade científica é o que esse degelo revela. Enquanto investigavam a rápida liquefação da Ilha Wilczek, na Rússia ártica, pesquisadores encontraram, por acaso, um grande cemitério de baleias que estava escondido sob uma antiga geleira.

A descoberta foi anunciada na última semana por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ártica e Antártica da Rússia (AARI), que estavam na região para estudar o permafrost (camada do subsolo da crosta terrestre que está permanentemente congelada) e a dinâmica da criosfera (parte da superfície da Terra coberta por gelo) em regiões de latitude.

 

De acordo com os cientistas, os esqueletos mais próximos da geleira estavam em melhor estado de conservação, visto que foram mais recentemente expostos ao ar livre.

Foto: AARI/ Divulgação

No entanto, o mesmo não pode ser dito dos restos que estavam mais perto da costa. Segundo a pesquisa, os vestígios nessa região sofreram maiores efeitos de erosão e do derretimento ao longo do tempo. Embora ainda não tenha sido revelado quantos esqueletos de baleia os estudiosos encontraram, as imagens sugerem que foram várias.

Foto: AARI/ Divulgação

A presença de tantos restos de baleias em uma mesma área indica que o local pode ter sido uma zona de encalhe ou habitat marinho antes de ficar coberto por gelo. Em comunicado, Nikita Demidov, engenheiro chefe do AARI, explicou que o processo ocorreu de maneira extremamente rápida.

Em menos de 20 anos, a calota de gelo da ilha parece ter se dividido em duas partes, expondo uma vasta área de vários quilômetros quadrados que antes estava coberta por gelo– afirmou o cientista

Com uma mudança tão repentina no nível do mar, estima-se que o derretimento tenha afetado profundamente a configuração do Ártico euroasiático — que engloba, em sua maioria, a Rússia.

E agora?

A expedição científica na ilha Wilczek, batizada de APU-2025, continua até agosto. A bordo do navio de pesquisa “Professor Molchanov”, os pesquisadores esperam investigar mais sobre o cemitério de baleias e entender melhor a história geológica da região.

Foto: AARI/ Divulgação

Resultados preliminares indicam que os métodos empregados podem fornecer novas informações valiosas sobre as consequências a longo prazo do derretimento no Ártico. Além disso, a missão colabora para o quebra-cabeça climático global, já que ajuda a consolidar os processos que regem o planeta.

 

Afinal, as geleiras cobrem 10% da superfície terrestre e, juntamente com as calotas de gelo, somam quase 70% da água doce da Terra. Entretanto, esse número está cada vez menor: estima-se que o planeta perdeu, pelo menos, 273 bilhões de toneladas de gelo por ano desde 2000.

 

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