Superiate navegador de 148 pés é nova aposta de estaleiro italiano
Para quem gosta de se aventurar pelos mares navegando com tranquilidade e espaço de sobra, o estaleiro italiano ISA Yachts revelou um novo modelo de superiate, com 148 pés, que se encaixa perfeitamente nesse propósito: o explorador Voyager 45.
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Projetado de ponta a ponta pela Enrico Gobbi Team for Design — com exceção da engenharia naval, que ficou por conta do estaleiro — , a embarcação é a nova aposta da ISA, que promete inovar em termos de design e tecnologia a cada barco construído — e com esse não será diferente.


Apesar de não ser o maior já feito pelo estaleiro, o espaço e as comodidades dessa belezura de 45 metros de comprimento não deixam a desejar. Se o visual chama atenção à primeira vista, as comodidades internas e externas confirmam a primeira impressão.
Com a elegância típica da marca italiana, o Voyager 45 — que, traduzido, vira ‘Viajante’ — valoriza o desempenho e a estética. Como descreve a própria ISA Yachts, a embarcação entrega uma aparência “robusta” e “agressiva”, mas sem deixar de lado a sofisticação característica da construtora.


Prova disso é o casco de aço — mais recomendado para superiates — , aliado a uma proa moderna inclinada e um convés de popa aberto com conforto de sobra. A popa, inclusive, pode ser configurada das mais diferentes maneiras, acompanhando as demandas e necessidades dos proprietários.


Por exemplo: uma possibilidade de configuração inclui uma piscina de popa cênica de 4,5 metros e uma grande área de relaxamento com móveis confortáveis — sendo que ainda haveria espaço para um barco de apoio de seis metros. O guindaste do tender é discretamente ligado ao corrimão lateral.


Como um barco de exploração, o Voyager 45 não poderia deixar faltar um espaçoso beach club. Essa área localizada na popa vem equipada com espreguiçadeiras, hamam, academia e um banheiro com chuveiro — todos iluminados por uma janela no teto, que permite a entrada de luz natural.
Conforto e longo alcance em alto-mar
Gostou do que viu até aqui? Isso porque falta conferir o deque superior, mobiliado com sofá em L, poltrona e tela expansiva. Enquanto isso, o entretenimento adicional está disponível no convés, onde um arranjo de assentos na popa aguarda o proprietário e seus convidados.


Por falar em convidados, a boreste, há uma área de jantar com capacidade para 10 pessoas, e outros dois sofás estruturais podem ser encontrados em direção à proa — que, por sua vez, vem com espreguiçadeiras, para quem curte pegar um bronzeado.


Na parte interna, os hóspedes contam com quatro camarotes duplos no convés inferior. Já o dono terá a seu dispor uma cabine máster luxuosa no convés principal do Voyager 45, com direito a escritório e banheiro com chuveiro e pia dupla.


Ainda na parte de dentro do superiate de 148 pés, outros detalhes merecem um olhar atento, como uma parede de vidro na sala de estar, portas e tetos nivelados, além de janelas amplas com abertura embutida. Um friso preto na parede vem também para esconder os guias de cabos.


Se você prefere cores suaves, o Voyager 45 é a sua cara. Os espaços de convivência internos — como dito, projetados pela Enrico Gobbi Team for Design — remetem a um ambiente de acolhimento, com uso de madeiras claras, detalhes em couro e uma paleta de creme e cinza.


Em termos de potência, o ISA Voyager 45 é movido por dois motores Caterpillar, que entregam uma velocidade de cruzeiro de 12 nós (aproximadamente 22km/h) e máxima de 14 nós (aproximadamente 26 km/h). Navegando a 10 nós (cerca de 18 km/h), o superiate tem o longo alcance de 5,5 mil milhas náuticas (aproximadamente 10 mil quilômetros).
Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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