Mistério de 300 anos: naufrágio saqueado por piratas é encontrado em Madagascar

Acredita-se que navio português tenha sido capturado durante um dos ataques piratas mais ousados do século 18

Por: Nicole Leslie -
11/07/2025
Duas moedas de ouro, uma do Império Xerife e a outra do Império Otomano, encontradas no paradeiro do navio português. Foto: Centro de Preservação de Naufrágios Históricos dos EUA / Reprodução

Depois de 16 anos de buscas, arqueólogos acreditam ter desvendado o paradeiro de um navio português capturado por piratas em 1721. Os destroços foram localizados na costa nordeste de Madagascar, submersos em um porto natural da ilha de Nosy Boraha — ponto estratégico durante a chamada “Era de Ouro da Pirataria”.

A descoberta foi feita por uma equipe do Centro de Preservação de Naufrágios Históricos dos Estados Unidos. Segundo os pesquisadores, as evidências apontam que se trata do Nossa Senhora do Cabo, uma embarcação que transportava cargas valiosas da Índia para Portugal e que foi interceptada por ninguém menos que o infame pirata Olivier “The Buzzard” Levasseur.

Estatueta de marfim de Cristo in situ nos destroços do Nossa Senhora do Cabo. Foto: Centro de Preservação de Naufrágios Históricos dos EUA / Reprodução

Vestígios do saque: arte sacra e relíquias em mar aberto

Estatuetas de madeira e marfim, fragmentos de um crucifixo e uma placa com as letras “INRI” gravadas em dourado estão entre os mais de 3.300 artefatos já recuperados. Um dos itens representa Maria, mãe de Jesus, o que reforça a hipótese de que a carga vinha de Goa — uma então colônia portuguesa na costa oeste da Índia.

Placa de marfim com as letras “INRI” e estatueta de Maria, itens encontrados no paradeiro do navio português. Foto: Centro de Preservação de Naufrágios Históricos dos EUA / Reprodução

A análise dos restos do casco, somada aos documentos históricos e aos itens resgatados, fortalece a identificação do naufrágio. “Temos múltiplas linhas de evidência”, disse Brandon Clifford, diretor de pesquisa do centro, à Live Science.

 

De acordo com registros, o navio deixou Goa no início de 1721 rumo a Lisboa. A bordo, seguiam o vice-rei português e o arcebispo de Goa. Mas a viagem foi interrompida brutalmente em 8 de abril, nas proximidades da ilha francesa de La Réunion.


A embarcação havia enfrentado uma tempestade violenta pouco antes do ataque e, para sobreviver ao mau tempo, teria descartado parte dos canhões. Por isso a resistência aos ataques dos piratas foi quase mínima.

Tesouro milionário: ouro, pérolas e fortuna incalculável

Os piratas encontraram o que os arqueólogos descrevem como “um tesouro exorbitante”. A carga incluía lingotes de ouro, joias e baús cheios de pérolas. Os itens, hoje, valeriam cerca de US$ 138 milhões, algo em torno de R$ 760 milhões na cotação de julho de 2025.

Fragmentos de cerâmica recuperados do local. Foto: Centro de Preservação de Naufrágios Históricos dos EUA / Reprodução

Os cientistas acreditam que, após o ataque, os piratas teriam levado o navio até Madagascar, a cerca de 650 quilômetros de La Réunion. A ilha Sainte-Marie foi escolhida como esconderijo estratégico, graças à ausência de domínio colonial e à proximidade com rotas comerciais importantes.

 

Na época, o local já era conhecido como base para piratas e aventureiros. A divisão do saque teria acontecido ali, longe dos olhos europeus.

Escavações continuam: o que ainda está escondido?

Área de pesquisa arqueológica. Foto: Centro de Preservação de Naufrágios Históricos dos EUA / Reprodução

Segundo o arqueólogo Mark Agostini, da Universidade Brown, as camadas de lodo e areia dificultam os trabalhos no fundo do mar. “Futuros trabalhos de campo devem permitir uma análise ainda mais profunda dos naufrágios”, disse à Live Science.

 

Enquanto isso, a história desse navio saqueado há mais de três séculos segue emergindo — peça por peça — das profundezas do oceano.

Imagem revela estrutura interior do casco do navio. Foto: Centro de Preservação de Naufrágios Históricos dos EUA / Reprodução

 

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