Navio histórico italiano passará por Fortaleza e Rio de Janeiro; confira os detalhes
Veleiro militar chamado de Amerigo Vespucci atracará em terras brasileiras nesta quarta-feira (4)


Chamado na Itália de “mais bonito do mundo”, o navio histórico italiano Amerigo Vespucci atracará ainda nesta semana na cidade de Fortaleza, Ceará. Considerado a “embaixada flutuante” do país europeu, o veleiro militar icônico da Marinha Italiana passará pelo Brasil como parte do seu tour mundial.
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No momento, a previsão é de duas paradas no Brasil, como parte do roteiro da volta ao mundo. Com 20 meses de duração, a turnê começou no dia 1º de julho de 2023, partindo do porto de Gênova. O navio deve retornar à Itália em fevereiro de 2025, após passar por 31 portos, três oceanos, cinco continentes e 28 países.




Em terras brasileiras, o navio histórico italiano aportará no cais 106 do Porto de Mucuripe, em Fortaleza, nesta quarta-feira (4), onde deve ficar até o dia 8 de outubro. Vale destacar que no dia 7 de outubro o Amerigo Vespucci estará aberto para a visitação pública, guiada e gratuita. Assim, os visitantes poderão conhecer todas as curiosidades e funcionalidades do navio.


Em seguida, a viagem do navio histórico italiano será retomada rumo ao Rio de Janeiro, onde a embarcação ficará do dia 20 até 24 de outubro.
O tour mundial do navio histórico italiano, por sua vez, ainda passará muitos meses navegando pelo continente americano — para ser mais exato, até 6 de julho de 2024 –, quando sairá de Los Angeles, nos Estados Unidos, para cruzar o Oceano Pacífico até chegar no Japão.




Conheça o navio histórico italiano
Com o intimidador lema “Não quem começa, mas quem persevera”, o veleiro é o mais longevo a serviço da Marinha Militar e foi criado em 1930. Além disso, ele também serve como um navio-escola desde 6 de junho de 1931.




O Amerigo Vespucci possui 100 metros de comprimento, 21 de largura e 28 de altura. Ao todo, o navio conta com 264 tripulantes militares, entre oficiais, suboficiais, sargentos, cabos e marinheiros. O nome do navio, por sua vez, é uma homenagem ao navegador nascido em Florença, hoje na Itália, que viveu de 1451 a 1512.




Como navegador, Amerigo — ou Américo Vespúcio, em nome aportuguesado — participou três vezes de expedições marítimas. Devido às suas descrições sobre a nova terra, o continente americano foi batizado em sua homenagem.
Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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