Nova espécie de peixe é descoberta por pesquisadores em barragem no Pará

11/11/2023

Nunca é tarde para descobrir algo novo, inclusive na ciência. E assim foi feito pelos pesquisadores, que encontraram uma nova espécie de peixe cascudo, localizado na área alterada pela construção da barragem de Belo Monte, em Altamira, no Pará.

Após análise de 38 exemplares de peixes no rio Xingu, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Universidade Federal do Pará (UFPA) concluíram que se tratava de uma nova espécie, descrita em artigo publicado pela revista “Neotropical Ichthyology”.

Foto: Leandro M. Souza/ Neotropical Ichthyology/ Divulgação

O animal possui tons escuros de verde-oliva e manchas amarelas redondas, além de 17 centímetros de comprimento. Assim, a espécie foi batizada de Scobinancistrus raonii, em homenagem ao líder indígena Raoni Metukire, um dos ativistas mais conhecidos do mundo pela preservação da floresta amazônica.

Inclusive, Raoni Mekutire foi contra a construção da usina de Belo Monte, ainda no ano de 2010. Foi justamente a criação da barragem hidrelétrica no local que alterou o habitat de espécies de peixes que nunca foram descritas pela ciência — embora este seja conhecido há quase 40 anos.

Foto: Leandro M. Souza/ Neotropical Ichthyology/ Divulgação

Entre as comunidades locais e o comércio aquarista, este peixe já era familiar desde a década de 1980, e ganhou o apelido de “tubarão”. Para confirmar a existência de algo novo, foram analisadas as tonalidades e formato das manchas, forma do corpo, dentes, boca e outras estruturas de identificação.

Nova espécie, mesmos cuidados

Segundo os estudos, a nova espécie de peixe Scobinancistrus habita principalmente a área alterada pela construção da barragem de Belo Monte, em Altamira — que vai desde a Volta Grande do Xingu até a confluência com o rio Iriri.

Foto: Leandro M. Souza/ Neotropical Ichthyology/ Divulgação

Por conta disso, a descoberta ajuda a confirmar a existência de novas espécies de animais que habitam a região afetada. Para Lúcia Rapp Py-Daniel, uma das autoras do estudo, o trabalho serve para aumentar o debate sobre maior qualidade da água e maior proteção aos bichos que lá moram.

A área da Volta do Grande do Xingu é extensa e tem espécies que só ocorrem lá, então qualquer alteração do ambiente natural é gravíssima– Lúcia Rappy Py-Daniel

Assim, os pesquisadores seguem acompanhando as espécies de peixes cascudos da região, na esperança de que os órgãos competentes estabeleçam estratégias de conservação para combater o comércio e exportação desenfreada do animal — que ainda sofre com a ameaça de alteração no ambiente natural.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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