Já considerado extinto, peixe em forma de guitarra surge em praia da África 26 anos depois
Peixe-serra de quase três metros foi encontrado já sem vida e representa uma possível volta do animal à região


Um peixe-serra de quase três metros foi encontrado na região do Cabo Oriental, na África do Sul, em agosto. Mesmo que sem vida, pesquisadores se empolgaram com a notícia, uma vez que o animal, com formato semelhante ao de uma guitarra, não dava as caras há 26 anos e já era considerado extinto por ali.
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A carcaça foi encontrada com marcas de um possível ataque de predador por um morador local, chamado Mike Vincent. Foi ele quem acionou Kevin Cole, cientista do Museu de East London, que recebeu a notícia com entusiasmo, uma vez que um animal da espécie não era visto na costa sul-africana desde 1999.
Fiquei sentado ao lado dela por um tempo, refletindo sobre o momento– declarou Cole ao ILF Science
O primeiro de muitos?
Embora desaparecidos por quase três décadas, os peixes-serra podem estar voltando às águas — ao menos é que acredita Cole. O cientista afirma ter recebido relatos de peixes como esses em outras praias sul-africanas, como a Praia de Kayser.


Para ele, o peixe-serra encontrado sugere que a espécie ainda marca presença ao longo da costa leste da África do Sul, sendo o registro uma forma de conscientizar a população.
O registro tornará o público mais consciente sobre o peixe-serra, o que poderá revelar registros adicionais no futuro– explicou
Ainda do seu ponto de vista, pescadores recreativos e banhistas podem agora estar mais atentos a futuros encalhes, potencializando a pesquisa sobre a espécie.
O peixe-serra é, na verdade, uma raia
O focinho serrilhado dos peixes-serra pode até lembrar um tubarão-serra (Pristiophoriformes), mas são animais completamente diferentes. Esse peixe em forma de guitarra é, na verdade, pertencente à família das raias.


O focinho, característica mais marcante desse animal, é um apêndice que faz parte do crânio, feito de cartilagem e coberto por pele. Suas duas bordas apresentam, cada uma, uma fileira de dentes rostrais, que conferem a aparência de serra.
A “serra” dispõe de órgãos sensoriais, chamados de ampolas de Lorenzini. Eles ajudam o animal a encontrar suas presas e detectar impulsos elétricos, como os emitidos pelos batimentos cardíacos de outros animais.
Atualmente, existem cinco espécies de peixe-serra, divididas em dois gêneros: o Pristis, com o peixe-serra de dentes grandes (P. pristis), peixe-serra de dentes pequenos (P. pectinata), peixe-serra anão (P. clavata) e peixe-serra verde (P. zijsron); e o Anoxypristis, com o peixe-serra estreito (A. cuspidata).
Após examinar o animal encontrado na costa da África do Sul, Cole chegou à conclusão de que se tratava de um peixe-serra de dentes grandes e macho, da espécie Pristis pristis.


“Eu estava relutante em fazer uma chamada imediata sobre a espécie, mas depois de examinar a posição da nadadeira dorsal, logo na frente das nadadeiras pélvicas, e contar os dentes grandes (21 de cada lado, com alguns faltando), entendi que a morfometria deve confirmar que a espécie é um peixe-serra de dentes grandes e macho”, explicou.
Os peixes-serra habitam regiões tropicais e subtropicais em diferentes partes do mundo. Podem ser encontrados em rios, manguezais, estuários e áreas costeiras rasas, com registros no Atlântico — do Caribe ao Brasil e costa da África — e no Indo-Pacífico, incluindo Índia, Sudeste Asiático e norte da Austrália.
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