Oceanos mais ácidos: relatório sobre a saúde da Terra aponta “estado crítico”
Se fosse um paciente, a Terra estaria em estado crítico. É o que aponta o relatório do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, que estabeleceu nove critérios diferentes para a saúde do nosso planeta — e, infelizmente, seis deles já estão no vermelho.
NASA aposta em robôs com IA para monitorar o aumento do nível do mar
Pedaço do Oceano Atlântico é mais raso do que pesquisadores achavam; entenda
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
De acordo com o estudo, os seis indicativos que foram considerados em estado crítico são: aquecimento global, declínio da biodiversidade, poluição por fertilizantes químicos, degradação do solo, ciclo da água doce e introdução de novos elementos na natureza.


Há um outro critério que — ainda — não está no sinal vermelho, embora pareça apenas questão de tempo para que o sétimo limite planetário seja ultrapassado. Segundo a pesquisa, os oceanos estão ficando cada vez mais ácidos e impróprios para abrigar vida marinha.
Este processo está acontecendo por conta das altas emissões de CO2. Afinal, uma das consequências de bombardear a atmosfera com dióxido de carbono — além de aumentar a temperatura da Terra — é desestabilizar o equilíbrio e comprometer a cadeia alimentar do oceano.


Segundo os pesquisadores, os oceanos estão ficando mais ácidos devido ao aumento constante das emissões causadas pela queima de combustíveis fósseis — como petróleo, carvão e gás. Desde a revolução industrial, cerca de 1/3 do CO2 gerado pelo homem foi absorvido pelos oceanos.
Como o dióxido de carbono é um gás ácido, ele afeta os oceanos — que já estão 30% mais ácidos. Se a situação continuar do jeito que está, os modelos de previsão estimam um aumento de 150% na acidez até 2100.
Para os cientistas, a piora desse problema é algo inevitável nos próximos anos e é preciso investir em ações para conter esses avanços com urgência. Afinal, mesmo reduzindo rapidamente os níveis de emissões, os sistemas oceânicos devem registrar algum aumento da acidificação, aponta o estudo.
Quais as consequências de um oceano mais ácido?
Especialista em sistemas planetários do Instituto do Clima de Potsdam, Wolfgang Lucht monitora o avanço dos oceanos cada vez mais ácidos. Segundo o cientista, há organismos e micro-organismos que constroem suas conchas ou esqueletos a partir do carbonato — como os corais, por exemplo.
Em um oceano mais ácido, o carbonato se dissolve mais facilmente e, portanto, eles têm muito mais dificuldade para formar seus corpos– Wolfgang Lucht
Além disso, a água cada vez mais ácida causaria um impacto enorme para milhões de animais, visto que danificaria corais, moluscos e o fitoplânctons — alimentos para uma série de espécies marinhas. Uma piora do cenário também poderia interromper o fornecimento de alimentos vindos da pesca.


Os impactos negativos seriam sentidos não somente nas águas. De acordo com a pesquisa, o oceano ficaria limitado de absorver mais dióxido de carbono e, consequentemente, aumentaria ainda mais as temperaturas do planeta.
E se os limites forem quebrados?
Caso os limites de saúde do planeta sejam quebrados, a previsão não é animadora. Uma vez que um limite é violado, o risco de danificar permanentemente as funções de suporte à vida da Terra aumenta, a ponto de causar mudanças irreversíveis, diz o relatório. Logo, se vários — ou todos — forem ultrapassados, seria uma catástrofe.


A mensagem é clara: ações locais impactam o planeta, e um planeta sob pressão pode impactar a todos, em todos os lugares– Levke Caesar, um dos autores do Planetary Health Check
De acordo com o relatório, o único tópico entre os nove que realmente não oferece risco de ser violado é o que se refere ao estado da camada de ozônio do planeta. Mesmo tendo sofrido com produtos químicos artificiais, este escudo se recuperou a partir de 1987, quando essas substâncias foram proibidas.
Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Modelos passarão a ocupar o topo do portfólio da Hidea em potência e estarão no evento que acontece de 2 a 5 de julho
Empresa brasileira levará ao maior salão náutico do Sul do país um sistema que transforma água do mar em água doce para uso em embarcações
Iniciativa da CBVela leva crianças e adolescentes de 6 a 18 anos para imersão gratuita na vela; primeiras aulas começam nesta quinta-feira (18)
Tecnologia da Riviera Yachts gerou aproximadamente 10 kWh por dia em um barco de 58 pés, segundo a marca
Nova parceria deverá implementar, nos próximos anos, uma nova rede de transporte marítimo em um dos destinos mais cobiçados do planeta




