Teste Volvo Penta: motor híbrido é a revolução na motorização dos barcos

Realizado na Suécia, o inédito sistema tende a se tornar cada vez mais comum no dia a dia dos barcos de lazer; confira

30/12/2023
Foto: Divulgação

Se o futuro da navegação está se desenhando diante dos nossos olhos, nesses tempos de transição do petróleo para a eletricidade, uma parceria entre a sueca Volvo Penta e a francesa Beneteau resultou no inédito motor híbrido, em mais um grande passo à frente na motorização náutica. E que passo!

O sistema híbrido diesel-elétrico Volvo Penta promete revolucionar o setor náutico. A novidade foi apresentada na região de Krossholmen, na Suécia, em um encontro com a imprensa — que teve a NÁUTICA como convidada especial.

 

 

Para testá-lo, no Volvo Penta Test Center, embarcamos em um barco-conceito preparado pelas empresas: a lancha Jeanneau NC 37, equipada com dois motores D4 de 230 hp cada e um motor elétrico de 67 kW — ou cerca de 80 hp. Após horas de navegação, podemos afirmar: essa tecnologia redefine a experiência a bordo.

 

Assim como aconteceu com o revolucionário sistema IPS — destaque da marca no São Paulo Boat Show 2023 –, outra invenção da empresa sueca junto com o joystick, a eletrificação marítima de lazer da Volvo Penta chegou para ficar e, com ela, a promessa de uma navegação mais sustentável com o motor híbrido.

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Enquanto navegávamos por Gotemburgo, na costa oeste da Suécia, testemunhamos neste teste Volvo Penta um sistema bem calibrado, de eletrônica caprichada, que combina motores a combustão atuais a propulsores elétrico de última geração, que geram energia “limpa” — um sistema híbrido impressionante!

Moderno e silencioso

Impulsionada apenas pelo motor elétrico — que fica posicionado entre o diesel e a rabeta –, o Jeanneau NC 37 acelerou com incrível rapidez, em uma arrancada extremamente silenciosa. Já quando mantínhamos velocidades maiores, o cenário mudava.

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Com o rendimento que já é conhecido, o motor a diesel passava a atuar sozinho — no caso da NC 37, com velocidade máxima de 33,9 nós. Afinal, a proposta é: navegar apenas com a propulsão elétrica nas manobras de atração e em baixas velocidades — para economizar combustível –, além de passar para os D4 na hora de desenvolver mais cavalos.

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Além disso, sobrou elogios para o joystick nas manobras, que chamaram a atenção pela suavidade. Elogios também para o Dynamic Positioning System (DPS), da Volvo Penta, integrado ao sistema híbrido, que permite manter o barco numa posição fixa com um toque de botão usando o sistema elétrico.

Teste de autonomia

Navegando a 4,6 nós e consumindo 15 quilowatts/hora, a autonomia é de quatro horas, com o motor alimentado por um banco de baterias de íons de lítio de 67 kWh. Porém, ao navegar a 5 nós, a autonomia cai para três horas, e com o manete a 6 nós o consumo dobra — chega na casa dos 33kWh.

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Assim, os números vão aumentando em progressão geométrica à medida que o barco vai ganhando velocidade: a 8 nós, o consumo chega a 85 kWh, com autonomia de 6,8 milhas náuticas. No modo elétrico, a vantagem se mantém até os 10 nós — após isso, o modo combustão é acionado.

O futuro é híbrido

No modo híbrido, toda vez que a declaração dos D4 ficar abaixo de 1200 rpm, é acionado o motor elétrico e desligam-se os propulsores a combustão automaticamente — e vice-versa. Assim, a Volvo permite uma aproximação silenciosa e sem poluição, pois não está se queimando diesel.

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Essa função tem muita utilidade a lugares em que ruídos não são bem-vindos, como áreas de rica vida marinha, ou numa ilha cheia de pássaros, por exemplo. Com os motores a combustão ligados, é possível fazer o carregamento das baterias ao selecionar o modo “carregar”.

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O consumo de diesel aumenta um pouquinho, mas em compensação, aumentam a confiança e a autonomia ao capitão. E ele ainda pode usar o sistema de baterias para passar a noite com o ar-condicionado ligado, eliminando — ou quase — a necessidade de gerador.

No “modo power”, os motores diesel funcionam em um conjunto com o elétrico, melhorando a performance do barco na arrancada em 10 segundos. Além disso, o sistema não se limita apenas a motores, baterias e instalações físicas a bordo.

Variedade na Volvo

O sistema da Volvo também integra uma variedade de tecnologias de controle, navegação e monitoramento eletrônico, tornando-o um conjunto completo. O carregamento das baterias pode ser feito de várias maneiras, inclusive com o barco ancorado.

Não é apenas um lançamento de mercado, mas sim um teste de conceito– Johan Inden, presidente da Volvo Penta Marine

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No próximo nível, a meta ambiciosa da empresa é oferecer plataformas completamente elétricas — seja híbrida ou pura. No segmento de automóveis, a Volvo anunciou que fabricará apenas carros elétricos em 2030, e que até 2025 metade da sua frota será elétrica.

Depois de perceber que motores a gasolina e diesel não fazem parte do futuro, é fácil perceber que você precisa entrar rapidamente no novo mundo– Hakan Samuelsson, CEO da Volvo Cars

Sendo assim, num mundo em que a preservação do meio ambiente é prioridade, nada mais encorajador do que ver a indústria marítima embarcando na mesma jornada.

 

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