Teste Volvo Penta: motor híbrido é a revolução na motorização dos barcos
Realizado na Suécia, o inédito sistema tende a se tornar cada vez mais comum no dia a dia dos barcos de lazer; confira


Se o futuro da navegação está se desenhando diante dos nossos olhos, nesses tempos de transição do petróleo para a eletricidade, uma parceria entre a sueca Volvo Penta e a francesa Beneteau resultou no inédito motor híbrido, em mais um grande passo à frente na motorização náutica. E que passo!
Até 2050, 10 cidades podem ser “engolidas” pelo mar e duas delas são brasileiras; saiba quais
Pesquisadores criam plástico que vira alimento para a vida marinha
Inscreva-se no Canal Náutica no Youtube
O sistema híbrido diesel-elétrico Volvo Penta promete revolucionar o setor náutico. A novidade foi apresentada na região de Krossholmen, na Suécia, em um encontro com a imprensa — que teve a NÁUTICA como convidada especial.
Para testá-lo, no Volvo Penta Test Center, embarcamos em um barco-conceito preparado pelas empresas: a lancha Jeanneau NC 37, equipada com dois motores D4 de 230 hp cada e um motor elétrico de 67 kW — ou cerca de 80 hp. Após horas de navegação, podemos afirmar: essa tecnologia redefine a experiência a bordo.
Assim como aconteceu com o revolucionário sistema IPS — destaque da marca no São Paulo Boat Show 2023 –, outra invenção da empresa sueca junto com o joystick, a eletrificação marítima de lazer da Volvo Penta chegou para ficar e, com ela, a promessa de uma navegação mais sustentável com o motor híbrido.


Enquanto navegávamos por Gotemburgo, na costa oeste da Suécia, testemunhamos neste teste Volvo Penta um sistema bem calibrado, de eletrônica caprichada, que combina motores a combustão atuais a propulsores elétrico de última geração, que geram energia “limpa” — um sistema híbrido impressionante!
Moderno e silencioso
Impulsionada apenas pelo motor elétrico — que fica posicionado entre o diesel e a rabeta –, o Jeanneau NC 37 acelerou com incrível rapidez, em uma arrancada extremamente silenciosa. Já quando mantínhamos velocidades maiores, o cenário mudava.


Com o rendimento que já é conhecido, o motor a diesel passava a atuar sozinho — no caso da NC 37, com velocidade máxima de 33,9 nós. Afinal, a proposta é: navegar apenas com a propulsão elétrica nas manobras de atração e em baixas velocidades — para economizar combustível –, além de passar para os D4 na hora de desenvolver mais cavalos.


Além disso, sobrou elogios para o joystick nas manobras, que chamaram a atenção pela suavidade. Elogios também para o Dynamic Positioning System (DPS), da Volvo Penta, integrado ao sistema híbrido, que permite manter o barco numa posição fixa com um toque de botão usando o sistema elétrico.
Teste de autonomia
Navegando a 4,6 nós e consumindo 15 quilowatts/hora, a autonomia é de quatro horas, com o motor alimentado por um banco de baterias de íons de lítio de 67 kWh. Porém, ao navegar a 5 nós, a autonomia cai para três horas, e com o manete a 6 nós o consumo dobra — chega na casa dos 33kWh.


Assim, os números vão aumentando em progressão geométrica à medida que o barco vai ganhando velocidade: a 8 nós, o consumo chega a 85 kWh, com autonomia de 6,8 milhas náuticas. No modo elétrico, a vantagem se mantém até os 10 nós — após isso, o modo combustão é acionado.
O futuro é híbrido
No modo híbrido, toda vez que a declaração dos D4 ficar abaixo de 1200 rpm, é acionado o motor elétrico e desligam-se os propulsores a combustão automaticamente — e vice-versa. Assim, a Volvo permite uma aproximação silenciosa e sem poluição, pois não está se queimando diesel.


Essa função tem muita utilidade a lugares em que ruídos não são bem-vindos, como áreas de rica vida marinha, ou numa ilha cheia de pássaros, por exemplo. Com os motores a combustão ligados, é possível fazer o carregamento das baterias ao selecionar o modo “carregar”.


O consumo de diesel aumenta um pouquinho, mas em compensação, aumentam a confiança e a autonomia ao capitão. E ele ainda pode usar o sistema de baterias para passar a noite com o ar-condicionado ligado, eliminando — ou quase — a necessidade de gerador.
No “modo power”, os motores diesel funcionam em um conjunto com o elétrico, melhorando a performance do barco na arrancada em 10 segundos. Além disso, o sistema não se limita apenas a motores, baterias e instalações físicas a bordo.
Variedade na Volvo
O sistema da Volvo também integra uma variedade de tecnologias de controle, navegação e monitoramento eletrônico, tornando-o um conjunto completo. O carregamento das baterias pode ser feito de várias maneiras, inclusive com o barco ancorado.
Não é apenas um lançamento de mercado, mas sim um teste de conceito– Johan Inden, presidente da Volvo Penta Marine


No próximo nível, a meta ambiciosa da empresa é oferecer plataformas completamente elétricas — seja híbrida ou pura. No segmento de automóveis, a Volvo anunciou que fabricará apenas carros elétricos em 2030, e que até 2025 metade da sua frota será elétrica.
Depois de perceber que motores a gasolina e diesel não fazem parte do futuro, é fácil perceber que você precisa entrar rapidamente no novo mundo– Hakan Samuelsson, CEO da Volvo Cars
Sendo assim, num mundo em que a preservação do meio ambiente é prioridade, nada mais encorajador do que ver a indústria marítima embarcando na mesma jornada.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Tags
Relacionadas
Mestra 212, escolha de Hélio Castroneves, será um dos quatro barcos da Mestra Boats no salão náutico que acontece em julho
Estrutura no Raymond James Stadium, do Tampa Bay Buccaneers, dispara “canhões”, fumaça e confetes ao melhor estilo estadunidense de celebrar
Empresa brasileira especializada em limpeza náutica alerta para os riscos da maresia e reforça a importância de produtos próprios para barcos
Segundo ranking do Tripadvisor, oito dos 10 lugares mais bem avaliados para viagens a dois são conhecidos por suas praias paradisíacas
Para o Kiribati, participar do torneio em 2030 simboliza, também, voltar os olhos do mundo à crise climática e ao aumento do nível do mar




